INFORMATIVO
EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DE SÃO ROQUE
NO. 05 - SÃO PAULO - JUNHO DE 1994
EDIÇÃO INTERNET
Oi nóis aqui trá veiz !
DEO GRATIAS ! É verdade, Deo Gratias mesmo, pois estamos aqui novamente, na certeza de estarmos unidos, através do nosso sempre singelo INFORMATIVO.
Um semestre já se passou do nosso primeiro encontro em São Roque – parece mentira – muita coisa foi realizada e há muito a ser feito, não só em relação ao segundo encontro (agosto/95), mas também a fim de formarmos uma cadeia de união.
Neste sentido, há aqueles mais entrosados, mas há também aqueles que ainda não tiveram oportunidade de participar de um convívio com os demais colegas ex-seminaristas, da mesma época ou de épocas diferentes (pouco importa).
Pois bem, turma – vamos lá – especialmente os colegas de 1965 prá frente – contamos com a participação de todos.
Poderíamos, e até mesmo, deveríamos perguntar-nos: mas participar do quê? Pra quê? Onde? Como? – e a verdade é que não há respostas prontas – o que existe é uma vontade muito grande de externarmos e curtirmos (curtir não é do nosso tempo, mas vale!) nossa AMIZADE – Amizade, sim; e por que não ?
Amizade, talvez o maior ensinamento e valor que aprendemos no Seminário – e como isso faz bem – engrandece, (ajuda) fortalece, dá ânimo, emociona, faz rir, faz chorar, lava a alma, enfim, ajuda a dar sentido à vida.
Se você tem contato com algum colega, endereço, telefone, etc ..., vá se comunicando, passando a bola pra frente (o nosso time sempre jogou no ataque – e bem!). Estamos com o firme propósito de estar juntos pra o que der e vier (menos tirar notas baixas no seminário da vida ...).
Entre em contato conosco pra, pelo menos, jogar conversa fora. Vale a pena! Até breve.
Márcio, codinome Paçoca
(1967-1970)
CHURRASCO COM CACHAÇA - No dia 9 de abril último, realizamos o encontro de quase 30 companheiros na gigantesca Itu, de acordo com convocação aberta no INFORMATIVO no. 4, de março de 94. O Sérgio Fioravanti recebeu a todos nas magníficas instalações de seu Cartório de Registro de Imóveis, para uma reunião de trabalho e planejamento, no período da manhã. O famoso churrasco regado a batidas de limão, refrigerantes e cerveja – chope da Schincariol ( no 2 !) no simpático Rancho do Darcy Carnelutti. Confraternização geral! A dupla Isaías (José Isaías Dantas) X Ismael (Ismael Cassiano) abrilhantou a “jornada de trrabalho”. Gratias semper eis agamus!
ENCONTROS MENSAIS - Todas as primeiras sextas-feiras do mês, “nosso grupo” está se reunindo no famoso Circolo Italiano (Edifício Itália – 2o andar – Av. São Luiz X Av. Ipiranga – São Paulo) para o encontro de descontração, papo amigo, conversa séria, confraternização, biritas ... e .... um jantar delicioso no Restaurante do Circolo. O próximo será no dia 1 de julho/94. Compareça! Se não der em julho, pode ser agosto, setembro, outubro ... Vale trazer esposa, amiga, companheira, namorada, etc.
OS EX-ALUNOS COM “SEDE PRÓPRIA”! - D. Francisco Manoel Vieira, bispo de Osasco e responsável pelo Seminário do Ibaté, gentilmente, está colocando à nossa disposição uma excelente sala nas dependências do Seminário para Sede de nossa “Associação”. O local será “quartel general” de nossas atividades e fiel depositário das nossas coisas.
O NOSSO 2O ENCONTRO - Vamos anotando na agenda: Dia 26 de agosto de 1995, data do Segundo Encontro dos Ex-Seminaristas do Ibaté ! A Comissão Organizadora está a postos para recomeçar todos os trabalhos. Você está convidado a participar de uma das Comissões de Atividades. Contato com José Justo da Silva (11) 493.3119, Márcio (Paçoca) (11) 425.4148, Attílio (11) 210.1100 r. 527, Fierro (11) 842.6140 (res) ou 950.2045 (com.).
EX-ALUNO, DR. ZANI - O nosso colega, Prof. Dr. Rolando Zani, famoso cirurgião-plástico da Escola Paulista de Medicina, lançou no dia 15 de Junho último, no Club Athlético Paulistano, mais um livro, o “BELEZA E REJUVENES-CIMENTO”, da Editora Saraiva. Parabéns, amigo Zani! Anotamos entre os inúmeros convidados, amigos e clientes, a presença de nossos colegas Francisco Fierro e Ismael Cassiano.
A BIBLIOTECA VATICANA QUE SE CUIDE! - Continuamos empenhados em reunir em nossa Sala do Seminário do Ibaté todo material significativo que fez parte de nosso dia-a-dia no Seminário, no período de 1949/1973: fotos, livros escolares, livros de oração, boletins, etc... etc... Gostaríamos também de montar um acerto de teses, trabalhos técnicos ou não, os artigos publicados, etc. pelos ex-seminaristas, professores, bispos, padres, ex-padres, freiras, etc. para formar uma biblioteca especial. Para envio do material, contatar Fierro, Justo, Márcio ou Attílio.
EDITORA GIORDANO - Nosso companheiro, Cláudio Giordano, está realizando, há algum tempo, um trabalho verdadeiramente significativo. Organiza a publicação, por meio de sua Editora, da “Coleção Memória”: seleção de autores/obras que, no seu julgar, tem contribuição cultural a dar, seja ela de cunho ético-filosófico ou meramente artístico (literário). Há três séries: Memória Brasileira, Memória Portuguesa e Memória Universal. Já há alguns volumes publicados. A Folha de São Paulo – 19 de junho de 1974 – publicou: “A Editora Giordano recupera “Medicina Teológica” obra publicada originalmente em 1794”.
Vale a pena conhecer o plano do nosso Giordano. Contato: Editora Giordano Ltda. Cx.Postal 19022 – 04599-970 = S.Paulo – Tel. (11) 829.9369.
AMIGO É PRÁ ESSAS COISAS - Valeu a torcida! Quase o nosso ex-ministro Walter Barelli assume a candidatura a vice-governador na chapa Covas.
“O ex-ministro Walter Barelli vai receber, na cidade vinícola de São Roque (SP), o apoio de ex-seminaristas à sua pré-candidatura a vice-governador na chapa de Covas (PSDB). Barelli foi seminarista.”
(Folha de São Paulo – 23.04.1994.
Anna, nas?
Ó Anna, tu nadas?
Ave, ave; aves esse aves?
Salve, meu avô; desejas comer aves?
Maria, tu, comes cara, quó is?
Maria, querida companheira, para onde vais?
Mater tua mala burra est.
Tua mãe come maçãs maduras.
No vi oras.
Nado com forças para as praias.
Mus tarda non est.
Rato que vem tarde não come
ØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØØ
Taubaté, 17 de Fevereiro de 1994.
Pax Christi!
Caríssimo Attílio Brunacci,
Venho agradecê-lo e parabenizá-lo pelo belíssimo texto da Missa “Celebração da Amizade” que você idealizou e concretizou. Foi Deus, Nossa Mãe, o coração de Maria do Ibaté, que o inspiraram. Li e reli várias vezes em sentido de oração. Oportuna a ligação entre ontem do Seminário e o hoje de nossas vidas no Ato Penitencial. Bem colocado a Liturgia da Palavra, cantando a amizade na primeira leitura e a diversidade de dons na segunda Evocativa e justa a oração dos Fiéis, as orações, ... enfim, tudo.
Você captou nossos sentimentos e em forma de prece levou-os até Deus.
Continue sempre assim, forte na fé, expansivo e alegre no convívio e que Deus esteja sempre com você.
Feliz quero revê-lo muitas vezes para alimentar a amizade verdadeira que sempre nos uniu. De fato, o verdadeiro amigo é um tesouro.
Termino parafraseando a Oração Final da Celebração da Amizade: que Deus “nos dê suficiente tempo de vida para perpetuar e aprofundar os laços que nos unem a nós e a Ele” Amém.
Um grande abraço,
Ex corde. Alfredo Barbieri.
Pelo menos uma vez por semana, eu ia com meu pai assistir a jogos de futebol. O clube paterno era o São Paulo F.C. Nem é preciso perguntar prá que time eu torcia.
Estamos em 1949. Ouvíamos diariamente os programas esportivos, transmitidos pela rádio. Eu sabia de cor a escalação de quase todos os times que disputavam o campeonato paulista. Para coroar minha especialização futebolística, eu colecionava (ou juntava, como se dizia na época) figurinhas dos jogadores. De quebra, eu lia “A Gazeta Esportiva”.
Na Mooca, bairro em que morava, a prática do esporte bretão (era assim que os locutores se referiam ao futebol) era muito disseminada. Havia inúmeros times organizados que jogavam uniformizados e de chuteiras, na saudosa várzea do Glicério.
Estávamos no verão. Fui com papai assistir a um jogo. Naquela época, não havia jogos noturnos, pois os estádios não dispunham de sistema de iluminação elétrica. Apanhei muito sol e não dei conta disso. Sofri as conseqüências de uma insolação. A febre me atacou e tive que ficar acamado. Como minha mãe detestava futebol, aproveitou para super-dimensionar o mal-estar.
A partir daí, mamãe assume as rédeas do meu lazer. Proíbe que eu continue assistindo com papai os jogos de futebol nos estádios. Todavia, secretamente, eu curtia alguns jogos na várzea.
Por decisão imperial materna, comecei a freqüentar a igreja de minha paróquia. Éramos católicos. Fiz parte da Congregação Mariana e fui iniciado nas funções de coroinha (auxiliava o padre na celebração da missa e ajudava nos trabalhos burocráticos da Sacristia).
Dezembro de 1949. Estou brincando com os coroinhas da paróquia, num momento de folga, quando vejo um garoto esquisito. Ele usava terno cáqui, de brim. Tinha os cabelos muito curtos e sua pele estava muito queimada pelo sol. Disseram-me que era um seminarista. Aí, eu descarreguei minha bateria de perguntas. O que gravei das respostas era que, no Seminário, se estudava para ser padre, se jogava futebol, volley-ball e lá, ainda, havia piscina. Fiquei deslumbrado com o achado e vibrei. Convenci mamãe a ser minha aliada – o que não foi difícil – e batalhei meu ingresso no Seminário.Papai não aprovou a proposta, achando-me muito criança para fazer tal opção. As condições financeiras de minha família impediam-na de bancar meus estudos religiosos. Não esmoreci. Consegui com mamãe superar obstáculos e, em 1950, ingressei no Seminário Menor da Arquidiocese de São Paulo. Ele estava localizado na cidade de São Roque, no bairro do Ibaté. Eu estava com 12 anos de idade.
Um fato que me chamou a atenção foi a biblioteca do Seminário. Ela era pobre, mas tinha alguns livros super-procurados. Eles não ficavam na estante. Eram os livros de Karl May. Este autor era uma figura fascinante. Tratava-se de um geógrafo alemão, que nunca saiu de seu país. No entanto, escreveu magistralmente sobre os Estados Unidos da América do Norte e sobre a Ásia.
Como a maioria dos seminaristas não tinha a chance de ler Karl May, quem lia transmitia oralmente aos colegas. Nas horas de recreio, principalmente após o jantar, nos organizávamos em duas filas, com oito ou dez garotos e o leitor de Karl May se situava no centro, para contar as aventuras do índio Winnie Tou ou o que ocorria no Kurdistão Bravio. Ouvíamos com atenção e embevecidos. As filas eram compostas por quatro ou cinco pessoas de cada lado. As pessoas ficavam vis-a-vis. Enquanto uma fila caminhava de frente, a outra andava de costas. Essa é uma prática de casas religiosas e de presídios, onde a amizade particular era proibida. O pátio do Seminário era enorme e permitia essas esdrúxulas caminhadas.
Há alguns anos aterás, encontrei numa livraria alguns títulos de Karl May. Comprei-os. Mas senti saudade da criativa transmissão oral.
Blém, blém, blém. Que pena! Acabou o recreio...
Ricardo Plínio Pereira Andrade