ECHUS   DO   IBATÉ

INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP

No. 25  -   Ano  06 – NOVEMBRO DE 1998

EDIÇÃO INTERNET

 

EDITORIAL

Tempus irreparabile fugit. Estamos caminhando celeremente para o fim de mais um ano e já começamos a sentir dentro de nós a expectativa de um novo marco em nossas vidas.

Chegamos até aqui e por isto, louvamos o Senhor da vida e do tempo. Foi uma caminhada em que nosso grupo do Ibaté cresceu em número, expandiu a fraternidade e vai se consolidando como uma grande família, relembrando o passado e tirando dele a força e entusiasmo para viver o presente.

Tudo é pretexto para nos encontrarmos na unidade e na fraternidade: primeiras sextas-feiras, páscoa, alcachofrada, campeonato mundial, missa de final de ano, futebol ... O quam bonum habitare fratres in unum!

Com a colaboração e o apoio dos colegas, o nosso Informativo vai fazendo o seu papel de elo de união.

O Roberto Delgado de Carvalho, em suas Recordações, faz um ato de fé na amizade. Os nossos vates Waldemar Waldyr e Letterio Santoro nos encantam com seus versos. Informações, sugestões, comentários estão em nossa correspondência e e-mails. A photantiqua nos traz momentos bons. Eis o nosso Echus.

 

ALCACHOFRADA

No último dia 17 de outubro, reuniram-se no salão paroquial da Igreja N. Sra. Do Carmo, da Aclimação, para saborearem a deliciosa alcachofrada preparada pelo nosso colega Pedro Sansone e família. Mais de setenta pessoas, entre colegas (25) e familiares. O almoço transcorreu em animado clima de confraternização, regado pelo Va Pensiero do coral e as performances do CONJUNTO BISSEXTO (?) formado pelo Rovirso (violão), Careca (saxofone), Toledo (teclado) e Perereca (leitor).

 

CINQÜENTENÁRIO

Se você tem alguma idéia para um selo comemorativo ou um  brinde ou um brasão do nosso cinqüentenário, comunique-se conosco.

 

 

FUTEBOL DE CAMPO

FINALMENTE, LEÃO DE SÃO MARCOS  X  GALO DE OURO  -  Coordenado pelo Araçá (Luiz Roberto Soares) e manga (Eduardo Antônio Santiago), realizar-se-á no dia 5 de dezembro, a partir das 9:00 hs, na Rodovia Raposi Tavares, km 64,5 – Mairinque-SP, no campo de futebol da empresa Transinox Transportes Ltda, o tão esperado amistoso. Após o pedeludus, farto churrasco e muita cerveja. Adesões com Araçá (11-548-0446) e Manga (11-437.2350)

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RECORDAÇÕES

ROBERTO DELGADO DE CARVALHO (1956-1959)

 

O Márcio Paçoca insiste que escreva alguma coisa para o jornal ... Falar é fácil, mas escrever se torna mais difícil, aliás, para mim que nem falar é fácil. Calar, sim, é mais fácil.

Por falar em Seminário, uma vez, ainda no Seminário dos Correias, em Petrópolis-RJ, escrevi um artigo piedoso para um jornaleco que estava surgindo e, qual não foi minha surpresa quando um colega me perguntou se eu estava convencido da verdade do que eu havia escrito. E então caí em mim, que havia copiado uma idéia e não tinha opinião sobre ela ...

Mas ... falar sobre o quê?  Recordações ?  Acho que eu era muito imaturo e passei meus dias de  seminário em brancas nuvens, pelo menos até começar o curso de filosofia no seminário do Rio de Janeiro.

Não tive diário, como o Letterino Maria Santoro e talvez, por este motivo, até agora, em nossos informativos abnegadamente redigidos e publicados por nossos colegas, foi a evocação das suas anotações. Não daquelas nas quais ele não encontrou espontaneidade e originalidade, mas aquelas através das quais ele flagrou o maniqueísmo que penetrava a nossa formação, causador de um sofrimento inconfessável, por ser incompreensível para quem não viveu aquela experiência de modelo monacal. E quem estudará aquela educação que nos foi ministrada, “a fim de deixar uma contribuição à história da educação religiosa neste País? “

Mas minha intenção não é a de rever as influências da minha educação na minha personalidade. O caminho seria muito longo, não só pelos 55 anos que teria de abranger, mas também, porque creio que a influência de minha mãe tenha sido a mais decisiva em minha vida e eu teria que mover sentimentos muito profundos e poderia ser injusto até ao fazer elogios e uns e não fazê-los a outros.

A vida foi o que foi e não posso e nem devo lamentar-me. Hoje soa muito feliz e até a questão profissional, que foi a última a equacionar-se, está controlada. Apesar das circunstâncias de grandes transformações que atingem os trabalhadores de todo o mundo e em particular o Brasil.

A como cheguei a esta situação?  A que devo esta última declaração tão otimista que saiu deste teclado?  Mais uma vez, vou tentar fugir de uma avaliação... Que medo de fazer afirmações ...

Mas, vai lá. Acredito que a amizade tenha sido a grande tábua de salvação. Da vivência deste valor, somos todos testemunhas. Está aqui este grupo de ex-alunos do Ibaté, teimosamente reunido, após décadas de tropeços, de vitórias e derrotas. A amizade ficou.

E vou contar onde encontrei esta amizade de um modo particular.

Quando em 1963 fui parar, eu, o único brasileiro, em um seminário diocesano de Pádua, norte da Itália, lembrei-me que a livraria do seminário do Rio costumava ter à venda o livro “Fermento na Massa”, de René Voilhaume, o qual era muito considerado pelos meus colegas. Não foi difícil encontra-lo em italiano e ele se tornou para mim um grande companheiro. Não me lembro mais o que tanto me ajudava ao lê-lo, mas dias atrás encontrei uma frase de Voilhaume que certamente me dava forças para viver aquele momento com mais serenidade: “é preciso não ter mais medo de quebrar fórmulas de vida por demais estreitas, definições por demais rígidas”.  Assim, aquela espiritualidade tão exigente vivida por Carlos de Foulcauld e por tantos grupos de seus seguidores foi providencialmente meu sustento durante aqueles quatro anos em que lá estive cursando teologia.

Ao voltar ao Brasil, encontrei alguns colegas padres e também leigos que tinham aquela espiritualidade como ideal de vida e foi em um grupo destes que encontrei a força para ser sacerdote com os meus compromissos durante os quase dez anos de ministério.

Seria longo e talvez não fosse útil descrever o que representou para mim a participação na Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas e o que representa hoje minha participação na fraternidade secular.

Talvez a nossa convivência possa vir a encontrar momentos em que seja útil e oportuno refletir sobre esta experiência.

Só para terminar, hoje, 14.06.1997, no final do ensaio dos cânticos para o encontro de agosto, alguns comentavam sobre a participação dos filhos. Nós também tivemos esta experiência e hoje existe um pequeno grupo de jovens que, com o apoio de um adulto, já há uns anos, vem se reunindo paralelamente a nós e já iniciou  até o seu jornalzinho.

 

CIRCOLO – BOI NA BRASA

Queremos lembrá-lo e convidá-lo para as primeiras sextas-feiras. Novos colegas estão aderindo e os encontros têm sido momentos preciosos. Venha e sinta você mesmo a alegria de estarmos juntos. Boi na Brasa, agora na Rua Marquês de Itu, 188 – São Paulo-SP

 

BOCA NO TROMBONE

O Clóvis Baroni sugere: Quem tem instrumento musical, levá-lo no próximo encontro, para se improvisar uma banda.

 

 

P O E S I A

 

CARTA AO PREFEITO DO SOL

WALDEMAR WALDIR DE FARIA (1955/58)

 

Por quê você não vai o Prefeito

do sol e diz a ele que estão

escurecendo os continentes,

enxugando os rios,

arrancando as árvores

pelas raízes,

aplainando as montanhas,

aplainando as montanhas,

aprofundando os vales ?!

E mais: que estão seqüestrando

a esperança das pessoas,

supervalorizando a injustiça e

extraditando todos os gestos de

amor ?! ...

E que há procissões de aflitos,

aqui na terra, de indecisos,

de inseguros

e de inconformados ...

e mais, ainda:

que há uma rebelião concebida,

no ventre entumecido da Terra

e que os seios dela

está jorrando muita incoerência,

inconsistência,

inconsciência e incompetência ?! ...

 

AVE MARIA DE SOMA

LETTERIO SANTORO (1955/59)

 

Escuto ainda dentro de meu peito,

qual um eco imortal de mortas eras,

o genial acorde, o som perfeito

que nos mostra o limite das quimeras,

 

e nos aponta um mundo sem defeito,

ao qual aspiram no silêncio as meras

criaturas, tomadas de respeito.

e como voltam sempre as primaveras,

 

e trazem luz, e vida, e mais encanto

a toda criatura após o inverno,

e nos enchem o peito de alegria,

 

assim o mundo inteiro, ouvindo o canto

de Soma pelos ares, com o eterno

deslumbramento d’Arte se extasia!

 

POLÍTICA

Os dois ex-alunos do Ibaté, candidatos a Câmara Federal  em 04.10.1998, Walter Barelli e Manoel de Lima Júnior, apesar de terem conseguido número significativo de votos, respectivamente, 46.912 pelo PSDB e 21.560, pelol PSB, não foram eleitos.

 

NA CASA DO PAI

·         LUIZ LOURENÇO GONÇALVES     (51/55),

nosso colega, faleceu no dia 10 de outubro de 1998 em Jundiaí-SP. Era irmão gêmeo do outro nosso colega, LOURENÇO LUIZ GONÇALVES, também já falecido.

 

 

NOSSA CORRESPONDÊNCIA

 

JOSÉ DE OLIVEIRA BATISTA  (1959/63) – Americana, 25.09.98 – Colegas do Ibaté, Aproveito a oportunidade para dar parabéns aos que tiveram o brilhante estalo de reunir os antigos estudantes de São Roque em sua ex-casa a cada dois anos. Louvável empreendimento. Paciência de Santa Terezinha e garra de Santa Teresona!

Participei somente do último encontro (97). Minha mulher, filha e eu fomos curtindo toda a viagem desde Americana até a terra de Barco. Foi deveras intensa a minha emoção ao avistar a sempre bonita região montanhosa e depois de tanto tempo (34) poder percorre-la devagar ... devagarinho.

Quanta gente animada ali na praça da cidade! Que prazer contatar de novo os velhos amigos e conhecer outros de épocas diferentes!

Logo na rampa de entrada me realizei: a banda da prefeitura fazia ecoar um dobrado vibrante. Invadiu-me a saudade de empunhar garbosamente o trombone e o bombardino da década de 60 sob a batuta do simpático e competente maestro Pe. Vieira. O amigo Cruz, ali do lado, até bateu uma foto junto à banda. No saguão, minha filha reconheceu um caderno sem nome pertencente a mim; letra não muda mesmo!

Fui encontrando o pessoal: Marques, Cândido Cruz (o da foto), Toledo, Angelini, Fanchini, Martini, Fradão, Cozzo, Rolandão, Furlanetto, Fondello, D. Fernando, Pontes (e o filho com a mesma cara), Viriato, Barja ...

A Missa foi atraente e tocou-nos profundamente. Angelini apontou-me o Sobrinho junto à janela do lado direito da capela. Infelizmente não o encontrei depois. Pena que o tempo não é companheiro dedicado, não dá para pôr a recordação em dia. Ao som dum conjunto improvisado muito bom (afiado no balança-balancê) dancei freneticamente no pátio, lembrando os forrós de Santo André/Mauá. Valeu!  Ansiosos, aguardamos o lançamento do livro de Fanchini e o próximo envolvimento de 99.  Abraços. Batista (Zelão). SR 59/63 – AP. 57/58.

LETTERIO SANTORO (1955/59) – Garça, 10.10.98 – Companheiros, Estou enviando um texto de 1971 e um poema deste ano para possível publicação em nosso Echus do Ibaté. Por aí se vê que os cinco anos de nossa adolescência passados no seminário do Imaculado Coração de Maria marcaram toda a vida posterior da gente.

Senti muito que dois outros textos não tenham sido publicados: um sobre o terceiro encontro (1997) e outro sobre Mons. Constantino. O segundo, escrito em outros tempos, foi enviado após a morte de nosso estimado Reitor, para provocar debate sobre a personalidade dele. Quando escrevi o artigo, eu via o então Monsenhor daquele jeito; e sei que outros o viam como eu. A opinião dura do passado não desdiz da opinião atual de ter sido ele um santo de Deus. Gostaria de acreditar que os dois artigos não tenham sido publicados por censura dos organizadores do informativo, mas, sim, por falta de espaço. Como nos tempos do colégio, eu gosto de dar minha contribuição literária. Se alguém puder me responder, agradeço. Abraços

O Echus esclarece: O material enviado anexo a esta carta será objeto de publicação nos próximos informativos; quanto aos dois textos sobre o Terceiro Encontro e Mons. Constantino, solicitamos nos sejam enviados novamente, se for do interesse do colega, tendo em vista que não os localizamos.

 

 

E-MAILS RECEBIDOS

 

BENEDITO LUIZ DE OLIVEIRA MARTINS (1954/57) – Tenho recebido mensalmente o jornal acima e, lendo-o pausadamente, a minha memória vai voltando aos tempos idos do Seminário do Ibaté ... é claro que faz tanto tempo que ainda estou “engatinhando” para relembrar os nomes de colegas de turma. Alguns que estão atualmente como organizadores ou coordenadores, tais como Nelcindo Mosca, Wilson Mosca, Clóvis Baroni, José Justo da Silva (se é o habitante de S.Roque). Lembro-me com muitas saudades do Pe. Ruy, do Pe. Waldemar, Pe. Expedito (apesar de ser bastante bravo e vem sisudo) ...  foi um período maravilhoso e que me deu uma base espiritual e material bastante forte ... Acho inclusive que a idéia de organizar todos esses “ibateanos” foi muito feliz e acredito que deve ter dado um trabalho grande, mas igualmente tenho certeza que foi gratificante.

Hoje estou trabalhando na cidade de Rio Claro, com negócios também em São Paulo e aos finais de semana, costumo ficar na minha cidadezinha de Guararema, S.Paulo. Meu e-mail segue abaixo, juntamente com meus telefones. Estarei colaborando com vocês, pois acho que o jornal não pode acabar, pois ele é a história viva dos ex-alunos do Seminário do Ibaté, São Roque. Muito obrigado a vocês.

MÁRIO GAMBASSI LUZ ANGELINI (1958/61) – Atualmente moro em Belo Horizonte. Tenho uma corretora de seguros – Maga Corretora de Seguros Ltda. Em São Paulo, sou associado à Alfamarc Corretora de Seguros Ltda. Ambas corretoras pertencem a uma sociedade composta por mim e pelo meu irmão, Carlos Alberto Angelini. Aviso que todos os ex-seminaristas terão, a partir de agora, além de um atendimento VIP, um preço todo especial. Nós gostaríamos inclusive de fazer um comercial no informativo Echus. Eu fui seminarista de 1958 a 1962, quando por sugestão de D. Constantino, fui transferido para a Freguesia do Ó. Durante o tempo de S.Roque, fui enfermeiro. Aqui em Belo Horizonte, tenho encontrado com o Paulo Acácio. Estive no encontro do ano passado. O Beta trabalhou comigo na farmácia. Até breve.

 

 

EXPEDIENTE

Colaboradores: Wilson Mosca, Waldemar Waldir, Letterio Santoro, Alfredo Barbieri, José Justo, Antônio José de Almeida, Roberto Delgado, Márcio Pereira da Silva, Antônio Carlos Correa

Artigos e colaborações:
Echus do Ibaté

Caixa Postal 61

13320-970 Salto-SP

Internet:  http://www.geocities.com/Athens/Delphi/8915

Emails: ibate@base.com.br    ibate@hotmail.com

Obs.: se possível, enviar material em disquete (texto em word e fotos em formato jpg)

Os Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores, não expressando necessariamente a opinião da equipe de coordenação.

 

 

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