INFORMATIVO

EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DE SÃO ROQUE

No. 14   -    ANO   5  -  SÃO PAULO    -    JANEIRO-FEVEREIRO DE 1997

 EDIÇÃO INTERNET

 

EDITORIAL

REELEIÇÃO

Reeleger, escolher de novo. Há muito tempo, fomos eleitos por Deus e levados pela Providência, freqüentando, uns mais, outros menos, o Seminário do Ibaté. O sangue novo corria em nossas veias, o ideal nos impulsionava. Oração, disciplina, estudo, recreação, amizades.

A vida nos dispersou. Cada um seguiu o seu caminho, mas levou, temos certeza, uma bagagem moral e intelectual.

Hoje, após tanto tempo, reelegemos aquela época como feliz, forjadora de homens e de ideais e, por isso, voltamos a nos encontrar e descobrimos que o tempo levou nossos cabelos, enrouqueceu nossa voz, mas não foi capaz de apagar aquela chama e voltamos a nos encontrar e nos corresponder, e fazemos de dois em dois anos uma parada no porto seguro, a Casa da Mãe Imaculada, para renovar aquele entusiasmo, buscar forças, conhecer novos companheiros, tendo a certeza de que não estamos sós. Este nosso Informativo é o elo de nossa união e de nossa evocação.

O Paulo Oliveira nos lembra a Universidade do Ibaté, esquete delicioso que embalou muitas de nossas festas e nos brinda com um texto expressivo de um exame de italiano.

O Letterio Santoro nos revela Ecos dos Ecos, a epopéia de seu diário, e comenta o nosso II Encontro, e faz considerações.

O Etano nos traz à memória, com humor, o nosso Pe. Kulay, numa colaboração do Sílvio Martins. O Fierro, no seu noticiário, nos traz trechos expressivos do discurso de posse do colega José Pedro. O Almeida nos fala dos colegas Côn. Laerte, Côn. Noé e Pe. Cido e nos apresenta novos colegas.

Anexo a este boletim, segue uma mensagem-agradecimento do nosso caríssimo Asdrúbal, “Minhas Lágrimas”, belíssima e muito significativa.

Eis o nosso Informativo, começando com garra o ano do nosso III Encontro.

Barbieri (1948-53)

 

 

DOM CONSTANTINO NA CASA DO PAI

 

Fomos surpreendidos pela notícia do falecimento do nosso querido Pe. Ministro no dia 14 de Fevereiro de 1997.  Perdemos e ganhamos.  Perdemos o ex-padre ministro, o professor, o reitor, o bispo, o amigo que marcou com sua severidade e autenticidade nossa juventude nas plagas do Ibaté e era o nosso rabi maior. O nosso lado humano lamenta a sua ausência.

Ganhamos mais um intercessor, alguém que nos precede na Casa do Pai e vai juntar-se aos mestres que nos deixaram há tempo: Mons. Luiz Gonzaga de Almeida, Mons. Luiz Gonzaga da Silva, Mons. Kulay, Côn. João Bueno Gonçalves, Pe. Colaço, Côn. Ruy Amaral Mello, Pe. Pascoal  Amato ... e  outros colegas, nossos ex-alunos.

O Ibaté da terra chora a perda; o Ibaté do céu enche-se de júbilo. A Fé nos une. Cremos na Comunhão dos Santos, na Vida Eterna. Amén.

 

RECORDANDO

 

Universidade do Ibaté

PAULO OLIVEIRA LEITE GONÇALVES

Com este nome se montou um esquete muito engraçado sobre o Seminário de São Roque, como se fosse uma Universidade do Ibaté. Era um momento precioso em que cada um dos muitos participantes podia dar vazão à criatividade pessoal e onde apareciam talentos inesperados.

De certa forma, éramos nós, rindo de nós mesmos, representando a variedade de pessoas, das mais diversas procedências e classes sociais que lá se reuniam para estudar, na busca de realizar um sonho na vida. Lembro-me que nos bastidores, Pe. Constantino ria a valer e a platéia, não menos. Apenas D. Antônio Siqueira, que quase sempre assistia às festas, permanecendo atento e sem esboçar sorriso, pelo que se podia ver no palco.

A cena, geralmente, quando se tratava de peças cômicas, ficava por conta do Barbieri (Alfredo) e Barra, cômicos por excelência. Os demais, quase sempre, eram meros coadjuvantes. A peça era tão boa que foi repetida várias vezes, em anos diferentes.

Era o outro lado, inventado por nós, daquele seminário que amávamos tanto e que, querendo ou não, ficará gravado nos alicerces de nossas histórias e de nossas personalidades até o fim de nossos dias ...

Ali havia sacerdotes-professores. Quem cursou todo o Seminário Maior sabe que os elementos de pedagogia e de didática que nos foram repassados estavam longe de ser o ideal para quem depois iria exercer o magistério para adolescentes ... Mas tudo isso ressalta a dedicação e a competência daqueles homens de Deus, a quem reverencio, um por um, pelo bem que me trouxeram e o exemplo de vida que me  deixaram. Aprendi tanto e muito mais do que poderia pensar naqueles anos verdes e saudosos.

Fica aqui a expressão do meu respeito e de minha homenagem a cada um deles: Mons. Luiz Gonzaga de Almeida, Mons. Luiz Gonzaga da Silva, meus Reitores, Pe. Constantino, Mons. João Bueno Gonçalves, Pes. João Rezende, Pedro Batistela, José Colaço, José Payne, Pascoal Amato, Tarcísio, Ruy Amaral Mello, Noé Rodrigues, Expedito Marcondes, Waldemar Conceição, Mons. Kulay, Pes. Vieira, Mateus, Luciano. Eis aqui uma expressão do valor desses homens.

 

 

Para que não se perca
PAULO OLIVEIRA LEITE GONÇALVES

Recompondo de memória, após 44 anos do fato ocorrido, um texto, verdadeira joiazinha literária, da lavra do Pe. Pascoal Amato. Trata-se de um texto para exame de língua italiana, composto por ele, explorando as últimas lições de italiano, verbos, termos que havíamos estudado no texto: “La Língua Italiana Insegnata agli Stranieri” de Brighenti. Pois bem, com aquelas palavras, ele compôs este texto pequeno, mas que sempre me pareceu muito bonito, de tal forma que o declamei várias vezes no Grêmio. Talvez não tenha sido fiel o quanto gostaria de ser. Caso algum dos colegas possua o texto por inteiro e queira me enviar, ficarei feliz.

Ei-lo:

MAGGIO

Pe. Pascoal Amato

Maggio è arrivato, il più bel mese dell’anno. Il cielo, senza uma nuvola, sembra il manto della Vergine.

La campagna è tutta verdeggiante e i piati sono costellati di fiori: giacinti, margherite, gigli, come um meraviglioso tappeto uscito dalle mani di qualche misteriosa fata.

E nei Boschi? Volano farfàlle multicolori; il merlo fischia, migliaia d’uccelli, canerini, cardellini, allodole, gorgheggiano narrando la gloria Del Signore.

Il mare è cosi glauco che, illuminato dal sole, pare uno smeraldo raggiante riposando sul petto dell’Universo. La spuma lascia dei merletti sulla spiaggia di bianca sabbia, dove l’astro rè li colorisce com tutte le sfumature del rosso, gialo, azzurro ...

Maggio, sei come um cestino di Fiori nella nostálgica malinconia dell’anno.

Maggio, tu costruisci verdi castelli di speranza nell’azzurro di uma tranquilittà Che soltanto tu puoi comunicare al cuore degli uomini. Tu ci fai desiderare le grande ascensioni spirituali come aquile volando verso il sole.

Maggio, forse tu mai saresti così lodato se la gloria della Madre d’Iddio non brilasse anche su ti te.

Maggio 1952

 

 

Ecos dos ecos
LETTERIO SANTORO

 

Quando me bate a saudade dos tempos e colégio, apanho da estante um dos muitos cadernos do “ECOS DO MEU DIÁRIO” e leio. Foi uma palavra do Padre Pascoal Amato, nosso professor de Literatura, que me despertou a vontade de escrever para o resto da vida.

Em São Roque, à noite, no silêncio infinito do grande salão de estudo, tomava do caderno, concentrava-me, e lá me ia eu pelo mundo da liberdade. Naqueles curtos momentos, fazia tão somente o que queria, do jeito que queria.

Não sei, porém, se então queria muita coisa boa, porque nos tempos de Filosofia, depois de ler as páginas amargas, pessimistas e envenenadas do primeiro diário, desapareci com ele, rasgando-o em mil pedaços.. A recordação dos sentimentos do fim de minha adolescência, porém, continua no segundo volume, onde também pouca coisa se salva de agradável, de espontâneo, de original. É uma seqüência de pieguismos que escondem (ou revelam?) o olhar e o coração de um maniqueu, extemporâneo, insinuando de alguma forma a ideologia que penetrava nossa educação. O sofrimento calado daí decorrente era sublimadamente transposto para os diários e poemas da época, que hoje escondemos de todos, por incompreensíveis aos olhos de quem não estudou no retiro do Ibaté.  Uma análise da educação ministrada a centena de jovens naquele espaço-tempo que marcou indelevelmente nossas vidas, eis o desafio que algum companheiro estudioso conviria aceitar, a fim de deixar uma contribuição à história da educação religiosa neste País.

A leitura atenta das anotações do segundo semestre de 1958 no “Ecos do meu Diário” revela uma curiosa característica de meu espírito aos dezoito anos de idade. Acabara eu de ser nomeado Prefeito dos maiores, em substituição ao meu velho e sempre amigo José Pontes. Subitamente, assaltou-me a responsabilidade do cargo, e disparei a escrever sobre disciplina, regulamento, obediência, e tudo o que lembrava o cumprimento do dever. Despontavam já naquela época os primeiros dentes de um possível tinarete, que a curta duração do exercício do cargo (seis meses!) impedia felizmente de aguçar-se. E tamanha foi de mim a impressão causada pela indicação que, naquelas páginas do diário, é evidentíssima a mudança da letra com que comecei então a me exprimir, no início do segundo semestre. A letra tombada das folhas anteriores do caderno cedeu lugar, de repente, a uma letra arredondada, clara e altiva dos tempos de Prefeitura. Ainda bem que, coincidentemente com os encômios àquele regime militar, brotados do coração do Prefeito dos maiores, despontavam também, com nova letra e com novo espírito, textos românticos de saudades da infância, da inocência perdida, do doce silêncio que a Literatura do Padre Pascoal Amato me inspirava.

A releitura dos “Ecos do meu Diário”,  do segundo semestre de 1958, me apontam que foram naqueles meses de Prefeitura, no colégio de São Roque, que surgiram as primeiras manifestações de originalidade em minha vida afetiva e literária. Antes, eu só ecoava pensamentos alheios; a partir daquela circunstância, os escritos ecoavam meus próprios sentimentos.

 

 

Ecos de um  encontro.  Adolescência: ontem, hoje, amanhã

LETTERIO SANTORO

 

No último dia 26 de agosto, participei, com mais duzentas e sessenta pessoas, do 2o. Encontro dos Ex-Alunos do Ibaté, na cidade de São Roque.  Ali nos reunimos, a cada dois anos, para comemorar, nas dependências de nosso antigo colégio, o reencontro de antigos companheiros e celebrar diante de Deus a amizade que nos uniu trita ou quarenta anos atrás. Os adolescentes de ontem voltam, agora na terceira idade, para relembrar e agradecer os valores que nortearam suas vidas em tempos já mortos.

E que valores eram esses que tanto marcaram nossa adolescência?   Eram valores tão importantes que houvemos por bem recorda-los a cada dois anos com muita alegria e emoção. Como se a cada Encontro retornássemos à fonte pura, sedentos e cansados, e bebêssemos as águas claras da disciplina, do estudo, da oração, da alegria, da amizade, do silêncio, da vida comunitária, do esporte, da solidariedade ...  Dificilmente se vivem todos estes valores nos tempos de hoje.

Os adolescentes educados na aldeia global da televisão desconhecem-nos por completo, pois ela ensina o contrário aos jovens que passam horas do dia e da vida diante de sua tela colorida e ilusória. O barulho substitui o silêncio; a irreverência substitui a disciplina;  a distração. à concentração no estudo; o individualismo, à solidariedade; a droga, à alegria; o comodismo, ao esporte; os absolutos insaciáveis do consumismo, ao Absoluto de Deus. É a geração coca-cola, a massa de manobra de interesses milionários de anunciantes ambiciosos. É a geração da violência que explode a pessoa e as instituições mais sagradas como a família, a escola e a igreja. Estamos nós, adultos, contemplando a destruição dos antigos valores, sem condições de orientar os filhos adolescentes que estão vivendo o início de uma nova era, como eu vivi com meus companheiros, quarenta anos atrás, o fim de outra era.

Essa nova era, em seu início, lembra as invasões dos bárbaros que vieram destruindo as conquistas do império romano com seus valores seculares. Do racional de minha adolescência, passamos para o emocional da adolescência de hoje. Dá para se pensar em com será a adolescência amanhã?  Na História, aos tempos bárbaros, seguiram-se mil anos da Idade Média. É possível, acredito eu, chegar-se a uma síntese entre o racional e o emocional nas gerações futuras. Tomemos o exemplo da própria televisão. A televisão comercial educou os jovens para valores opostos aos que eu vivi no colégio do Ibaté. Mas a televisão educativa, sem barbarismos da outra, começa a educar nossos filhos de maneira diferente. Procurem os pais aflitos observar e induzir seus filhos, desde pequenos, a trocar o canal para a TV Educativa. Acredito que os valores antigos não voltarão entre os adolescentes do futuro com a rigidez com que eu os vivi no colégio de S. Roque. Mas voltarão os adolescentes a apreciar o silêncio, a natureza, o estudo, a solidariedade, a amizade, o Absoluto.  A crise de hoje é uma crise em vista ao desenvolvimento pleno de valores humanos.

Será que os adolescentes de hoje terão vontade, daqui a quarenta anos, de comemorar sua adolescência com encontros periódicos, ou farão de tudo para esquecer seu passado triste?

 

 

O ETANO

SÍLVIO MARTINS FILHO – MINEIRINHO (1960-1965)

 

Nos idos de 1964, estávamos assistindo a uma aula de Química nada menos, nada mais, é óbvio, do saudoso Mons. João Kulay, o qual me chamava de “espanto” (até hoje, não descobri e jamais saberei o porquê).

A aula transcorria sobre as reações dos gases, quando o Monsenhor utilizava de um determinado aparelho decompondo a água de sua formação molecular, em oxigênio e hidrogênio, concentrando-os em dois tubos de ensaio.

Após toda a operação, nos provou a reação ao calor de cada um deles. Dadas as explicações necessárias e bem claras a fim de que pudéssemos fazer uma boa sabatina, o Monsenhor nos relatou uma história sobre a reação de outro gás ao calor, o etano.

Em nossos banheiros, não podíamos dizer que sentávamos no trono, e sim, agachávamos no trono. Continua ele, um determinado aluno resolveu fumar no banheiro, enquanto fazia suas necessidades biológicas.

Ao término do esvaziamento cerebral, jogou a ponta do cigarro, ainda incandescente, no vaso.  Bém!  A reação não poderia ser outra! Bela explosão.

Na saída, comentávamos, eu, Bochini, Pinheiro e o Flávio (Castor): cremos que essa história ou está muito bem contada ou é do próprio Monsenhor.

 

ÊTA BANDINHA FURIOSA!

ANTÔNIO JOAQUIM ANDRIETTA (1955-57)

 

Nas cálidas e doces recordações que os números do Informativo me trazem doa anos passados no Ibaté, não me lembro deter visto relembranças da nossa Banda Musical, a famigerada “furiosa”.  Mas, das muitas coisas boas que sempre guardei, carinhosamente aconchegadas no recôndito de minh’alma (gostou, Kiro? – Atenção, Cláudio Giordano, um beletrista inédito aguarda um editor ...), certamente a nossa Banda é uma das melhores e mais gratas.

Minha irmã, ciosa herdeira dos guardados de meus pais, não larga de jeito nenhum uma foto, talvez a única, que temos de meus tempos no Ibaté.  E é, exatamente, a da Banda, uniformizada e em formação com os instrumentos, posada na escadaria da fachada do Seminário. Era o orgulho de meu pai, primeiro trombone da famosa Banda Sinfônica Italiana de Salto, nas décadas de 30 e 40, regida por maestros contratados em Milão.

Vejo-me naquela foto orgulho meu, também, não pela parca musicalidade que emprestei com minha clarineta, mas pela distinção de fazer parte dela, com verdadeiros músicos e instrumentistas. Pe. Expedito, pistonista só igualado pelo sopro de Holien Bezerra, Pe. Waldemar Conceição, um bombardino forte e poderoso. Os trauteios do José Lui, clarinetista que invejei até quase morrer. A tuba reconfortante e precisa do saudoso Hélcio Quaglio. Os repiques insuperáveis da caixinha do . E o resto da turma, competente e dedicada, de que lembro alguns nomes: Nelsindo Mosca, Marcos Guerra, Darcy Cargnelutti, Otto Dana, Armando, Milan, Barone, Joel.

A Banda ensaiava com afinco, sob a batuta do Pe. Expedito: eram marchas, dobrados, hinos que abrilhantavam as festas internas no Seminário, e às vezes até na cidade de São Roque. Quando o Cardeal Motta nos visitava, a Banda “atacava” assim que seu lustroso automóvel adentrava o portão e começava a subir a longa rampa. Acredito, sinceramente, até agora, que a música agradava tanto o Prelado, que só assim conseguíamos dele um feriado extra ...

Porém, todos os anos, o clímax das atividades da Banda, ocorria na festa do Seminário, em setembro. E aqui a contribuição máxima provinha de uma figura inesquecível: o Maestro Juquinha. Era um músico excepcional, autodidata e da velha guarda. Uma lenda viva: dizia-se que tinha mais de 90 anos, nunca comprovados nem desmentidos; que era mestiço, filho de uma escrava, o que aparentava, mas não desdizia nem confirmava. Mas sabia tudo de música: composição, regência e execução; nada para ele era segredo. Surdo com carteirinha de sócio remido, tinha ouvido apuradíssimo para a mais leve nota, dissonante no meio de um barulhento ensaio. De uma paciência a toda prova e uma dedicação extrema, instalava-se no Seminário um mês antes da festa, e sua única preocupação era ensaiar a Banda. Preparava as partituras musicais de cada instrumento, com caligrafia impecável, diretamente, à tinta, sem um borrão sequer.

Regia com suavidade e firmeza; corrigia os erros de maneira que o músico se sentia no dever de acertar, apenas para agrada-lo. E as peças de sua lavra não eram fáceis: sinfonias adaptadas de óperas famosas, dobrados e marchas de sua própria autoria. Lembro-me que compôs, no Seminário, duas peças especialmente dedicadas a ele, uma chamada Ibaté e outra, Saboó. Será que ainda estão guardadas em algum lugar as partituras da Banda e as preciosas composições do Maestro Juquinha?

Muitos remanescentes da Banda estão “em lugar certo e sabido”, pois constam da Relação Geral dos Ex-Alunos e Professores. Que tal reuni-los, com os respectivos instrumentos, no III Encontro, em 1997, e fazê-los ressoar novamente  pelas colinas do Ibaté os sonoros, saudosos e revigorantes acordes da inesquecível  “furiosa” ? Não nos preocupemos com os inevitáveis desafinos: lá do Alto, com certeza, o Maestro Juquinha nos ouvirá e compreenderá que tocaremos em sua homenagem, em louvor do Senhor e de Sua Augusta Senhora que ele aqui  homenageou com sua música, e reataremos mais um elo da imorredoura fraternidade que nos uniu um dia e que ainda  mantemos avivada.

 

 

NOTICIANDO

 

·         Mais uma vez, o “Boi na Brasa” venceu o “Spaghetti”...     Era seis de dezembro! O Circolo Italiano nos recebia para o último encontro de noventa e seis. O velho e imponente “hall” de entrada do Edifício Itália recepcionando como sempre os companheiros que chegavam. Naquela tarde-noite, o sorriso nos pareceu mais largo e o abraço do reencontro, mais junto. Quiçá o clima de renovação e alegria do Natal que estava à porta.

Gilberto, Attílio, Tomaz, Joaquim Barbosa e Angélica, Cosso, Fierro, Corazza, Márcio, Almeida, Luiz Alberto. Os “habitues” e a alegria da presença da Luizia, do Attilio, da Marilda, do Carlos Cosso, do Antônio Orzari (este não foi do Ibaté; freqüentou o Seminário de Campinas, mas é com se o fosse), o Antônio Joaquim Andrietta (55-57), autor de duas preciosas crônicas publicadas neste número do Informativo, e o Joaquim Benedito de Oliveira, o Quinzinho ( a PUC estava de recesso).

Novidades, muita conversa gostosa de amigos, lembranças, recordações, planos, III Encontro ...

Os aperitivos no bar do Circolo, mas, democrática e economicamente, o jantar no Boi na Brasa. A carne venceu a pasta! Em compensação, o largo e deslumbrante trottoir da Major Sertório e adjacências. Depois dizem que a carne é fraca !  Haja carne pra tanta fome ! ...

 

·         Primeira reunião de 1997, no ibaté   -      Sábado, 18 de janeiro, a segunda reunião no velho Seminário do Ibaté dos membros da Coordenação Geral e das diversas Comissões de Atividades na programação do III Encontro, dia 30.08.1997. Por sugestão do nobre edil da estância turística de Itu, nosso colega Augusto Fanchini, foi sugerida a realização de 2 (duas) rifas para angariar fundos para os gastos com o III Encontro. Uma rifa será programada pela turma de Itu e outra por São Paulo. A de S. Paulo se’ra coordenada pelo Márcio, o Paçoca. Quem quiser colaborar, ligue para (11)  425.4148.

Nesta mesma reunião, foi ventilada a situação do nosso Boletim INFORMATIVO - que tem despesas com papel, cópias, envelopes, seles - e que muitos colegas  têm colaborado.  Assim, visando a melhorar, ampliar e regularizar sua expedição, estamos solicitando dos colegas uma contribuição de R$ 5,00 por mês ou R$ 10,00 cada dois meses ou R$ 15,00 a cada três meses. Para tanto, já temos uma conta no (...)

·         Ainda existem fitas de vídeo do II Encontro com o Gilberto. Fone (11) 570.6459, por R$ 20,00. A venda será revertida em fundo para o nosso III Encontro.

·         Exultemos. Nosso colega, JOSÉ MARIA PINHEIRO (1951-1957) foi nomeado Bispo Auxiliar de Guajará-Mirim no último dia 12 de Fevereiro. Sua sagração será no dia 19 de abril de 1997, em Nazaré Paulista. Parab’nes ao D. José Maria Pinheiro e nosso abraço fraterno.

·         Rumo ao III Encontro  -  A mineirada se reuniu na casa do JOSÉ MOREIRA DE SOUZA em Belo Horizonte para organizar uma Caravana para o nosso III Encontro. Lá estiveram o Paulo Acácio, o Mário Angelini, o Heleno e o Emil. Grande iniciativa. Desde já os saudamos.

·         Nas últimas três edições do nosso Informativo, contamos com a colaboração eficiente do colega Luiz Roberto da Silva Oliveira , o Negão. Um grande abraço para você. Valeu!

·         No dia 03.12.1996, o Côn. Laerte comemorou 35 (trinta e cinco) anos de sacerdócio com missa celebrada na Igreja N. Sra. Do Carmo da Aclimação, à noite, conforme informou-nos o Bartolomeu Colacique e, à tarde tgeve bolo na Cúria, segundo o Márcio Paçoca, que comeu algumas fatias.

·         Dia 08.12.1996, o Côn. Noé Rodrigues, Pároco da Igreja N. Sra da Expectação do ö, comemorou, na missa das dez, 46 (quarenta e seis) anos de sacerdócio. O Antônio José de Almeida esteve presente e levou nosso abraço.

·         18.12.1996 foi a vez do Pe. Antônio Aparecido Pereira (Pe. Cido) comemorar o seu jubileu: 25 (vinte e cinco) anos de sacerdócio. As comemorações iniciaram-se no Domingo, dia 15, quando estiveram presentes à missa vários amigos de comunidades por onde ele trabalhou e também o José Isaías Dantas.  No dia 18, o Pe. Cido celebrou às 20:00 horas e no domingo, concelebrou com D. Paulo Evaristo Arns, na Igreja Menino Jesus, do Tucuruvi.

·         José Pedro de Camargo Rodrigues de Souza brilha na Terra das Andorinhas   -  O repórter Fierro, nosso enviado especial, nos relata:

No dia 09 de dezembro de 1996, tomou posse como Presidente do Tribunal regional do Trabalho da 15a. Região (sediado na pitoresca Campinas)  nosso colega do Seminário do Ibaté, o nosso querido José Pedro, o Xixa, Dr. José Pedro de Camargo Rodrigues de Souza (1963-1970).

A cerimônia da posse do operoso e respeitado juiz foi muito concorrida: representantes dos Governos Federal, Estadual e Municipal, Secretários de Estado, Ministros, altas patentes militares, juízes, promotores, advogados, amigos e companheiros e, principalmente, a família do nosso José Pedro.

Tivemos a oportunidade de estar presentes à posse, levando o abraço pessoal, os votos de profícua gestão, bem como a alegria e o orgulho de todos os companheiros do Seminário Menor de São Roque.

Nossos companheiros, Antônio José de Almeida e Geraldo Luiz de Abreu também enviaram um telegrama especial de congratulações em nome de todos os ex-alunos e amigos do Ibaté.

O ponto marcante da solenidade foi o discurso proferido pelo José Pedro, peça em que se pode aquilatar a verdadeira formação do filho amoroso, do cristão, ex-seminarista, do advogado competente “da velha e sempre nova Academia”,  do cidadão atuante, do esposo e pai extremoso, do juiz do trabalho, cheio de zelo e cônscio de suas responsabilidades na difícil tarefa de administrar a Justiça.

Seguem alguns trechos do discurso, pinçados aqui e ali para nossa reflexão e avaliação do significado da trajetória de vida do nosso companheiro:

“Agradecimento  - em primeiro lugar a Deus, que se dignou volver seus olhos para esta sua criatura, cumulando-a de inúmeras bênçãos e dons, certamente imerecidos, mas que decorrem exclusivamente da imensa bondade e misericórdia do próprio Criador”.  A Ele, Juiz de todos os juízes, cujo pai adotivo na terra foi um humilde trabalhador, agradeço o dom da vida e os dotes que me conduziram um dia à condição de magistrado.

“Essa graça divina manifestou-se no seio familiar em que fui gerado. Aqui, a saudade de meu querido pai, prematuramente falecido (quando seus três filhos, dele ainda muito necessitavam). Ficou, porém, o exemplo de homem trabalhador, correto, cuja palavra  empenhada representava a certeza da honra e da dignidade. Minha querida mãe foi o esteio moral e econômico dos filhos, legando-nos, com muito amor e firmeza, a melhor educação.possível, única maneira de promoção e de crescimento do ser humano...

“A Divina Providência, porém foi mais pródiga ainda e possibilitou-me estudar no inesquecível Seminário Menor Metropolitano do Imaculado coração de Maria, em São Roque, onde encontrei amigos e, principalmente, santos homens de Deus, dentre eles, Monsenhor João Kulay, Mons. Constantino Amstalden, Pe. José Jair Nascimento do Val e Pe. Ricardo Mendes Tahan.

“Aos doze anos perdera meu pai, mas Deus supriu essa falta, pondo em meu caminho muitos outros.

“Tive também a ventura de haver estudado na sempre nova e velha academia, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Lá, podendo abeberar-me do saber de inesquecíveis professores: Godofredo da Silva Teles, Dalmo de Abreu Dallari, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, José Afonso da Silva, Cândido Dinamarco, Amaury Mascaro Nascimento, Octávio Bueno Magano, Wagner Giglio.

“Abracei a magistratura do Trabalho de corpo e alma, com garra, dedicação total e com muito amor, principalmente a esta cidade que nos acolhe, Campinas, terra de meus antepassados que talvez tudo fizeram para que eu voltasse ...

“Foi aqui que encontrei minha querida mulher, Cemalta, a minha companheira de todas as horas, a qual complementou a razão de nossa vida ao trazer ao mundo Ana Luiza, Maria Júlia e Maria Isabel.

“É preciso repensar o Judiciário e neste a própria Justiça do Trabalho ... Ministrar justiça não dá votos, não dá evidência, quando muito, alguma notícia em jornal, insistindo na morosidade da atuação jurisdicional. Isto de fato está acontecendo, mas pouquíssimos se preocupam em saber o porquê.  Há interesse de que a Justiça como um todo venha a funcionar? Será mesmo que os devedores de tributos em geral, das contribuições previdenciárias, será que os corruptores acreditam que a Justiça irá atingi-los?  O judiciário dispõe de meios para tanto? O judiciário dispõe de condições e mecanismos legais para cumprir suas finalidades? Desgraçadamente a resposta a essas perguntas é negativa. É preciso uma “operação mãos-limpas” no Brasil. É mister, portanto, que a Justiça seja direcionada para todos os cidadãos, para todo o povo.

“O trabalho, o direito ao trabalho é a dimensão fundamental do ser humano e, em razão disso, sua dignidade é que deve nortear as relações dessa atividade. Trata-se da mais evidente exteriorização da centelha divina. Deus fez, Deus trabalhou, de igual modo determinou ao homem: Domina a terra, faz ...

“Solidariedade é partilha e nesse compartilhar reside o grande débito social do Brasil. À vista do (baixíssimo)  nível de distribuição de renda, não há como sustentar qualquer Justiça social, qualquer Justiça do trabalho.

“Não há como reduzir, de forma drástica ou mínima, a intervenção do Estado nas relações de trabalho. Já houve quem dissesse que entre o forte e o fraco, a liberdade oprime e a Lei redime.

“Estamos plenamente convencidos de que somente na perspectiva da Ética será possível encontrar uma solução duradoura para todos os problemas que afligem a sociedade e sua respectiva organização estatal. E assumir a Ética, como instância definidora de critérios de ação, significa essencialmente comprometer-se com os valores da Justiça, da Paz, da Democracia e da Vida.

“O magistrado não deve ignorar que também é órgão de um poder político. Ele é agente transformador de sociedade e, por isso, deve atuar sob a luz da justiça social e com supedâneo nos valores fundamentais da cidadania, ou seja, liberdade, igualdade e solidariedade ... Não pode haver atuação política sem ética. O Estado político não se estrutura pelo jogo ou entrechoque de forças, mas pela hierarquia de fins. O judiciário, insisto, porque é poder político, não está imune a esse princípio, e como estamos tratando de Estado democrático de direito, é necessário institucionalizar o diálogo, estimular o debate, criar canais de comunicação entre as partes interessadas, sempre com o intuito de se chegar a um consenso gerado pela força da melhor razão ética.

“É do Pe. Antônio Vieira, no sermão do terceiro domingo depois da Epifania, esta sempre oportuna afirmação:

“O querer e o poder, se divididos, são nada. Juntos e unidos são tudo. O querer sem o poder é fraco; o poder sem o querer dé ocioso e, deste modo, divididos, são nada. Pelo contrário, o querer com o poder é eficaz, o poder com o querer é ativo e, deste modo, juntos e unidos, são tudo.

O momento convida a muitas reflexões ...”

 

 

NOSSA CORRESPONDÊNCIA

 

·         O Justo recebeu de Mons. Alpheu Luiz um cartão assim:   “Caro ex-Saboó. Com alegria tenho recebido notícias de S. Roque. Agradeço a lista dos ex ... Recebi  a visita rápida da Luzia, esposa do nosso Atílio, meu anjo em São Roque e no Ipiranga. Saudades dos bons tempos. Um abraço.”

·         Do Letterio Santoro, pedindo o endereço da família do Pe. Pascoal Amato, pois está à procura de textos escritos por ele na viagem que fez à Itália. Alguém pode ajuda-lo?

·         De Monsenhor Expedito:   “José Justo, ainda é tempo para desejar a você e a todos os ex-alunos de São Roque as melhores bênçãos divinas para um Novo Ano Feliz e Próspero”.

·         Do colega Oswaldo Manoel de Oliveira: “Caríssimo Barbieri,  Tenho acompanhado com interesse o “Informativo” que nos permite reviver parte de nossa adolescência no Seminário de São Roque. E, levado pela leitura, resolvi rever minha papelada e deparei com uma carta datada de 27 de março de 1949. O remetente é o Celestino Rosa dos Santos, também cotiano e que, na ocasião, já cursava o Seminário Maior ... Teve a ousadia de escrever-me em latim. Relembra o missivista a inauguração de nosso Seminário e retrata muito bem aquela época”.

Caro Oswaldo, na próxima edição, publicaremos a parte referente ao nosso Ibaté, em latim.

·         Do José Maria Pinheiro, recebemos uma belíssima carta:

 “Prezados amigos. Saudações. É tão grande a minha alegria quando recebo o Informativo, que não agüento chegar em casa para lê-lo. Leio-o no correio, mesmo. É interessante como a gente se sente jovem, adole

scente, no momento em que está folheando o querido “jornalzinho”.  Todos relatos de 40, 45 anos atrás, como que por um passe de mágica, se tornam presentes. Podemos saborear um pouco de divindade ao colocarmos o passado no presente. E tudo isso é essa bela equipe de redação que sabe perfeitamente fazer. Aí está o segredo da beleza do “jornal”:  não é só relatar friamente o fato, mas dar um sabor de atual ...  Mil parabéns ao Justo, ao Barbieri, ao Beta e a todos os outros colaboradores. Parabéns a todos nós que um dia passamos pelo Ibaté. Pois é, estou em colorado do Oeste, no sul da Rondônia. No dia 19 de abril deste ano de 97, às 16 horas, estarei em Nazaré Paulista (minha terra natal), para ser sagrado bispo. Não se faz mais bispo como antigamente ... Todos vocês estão convidados. Continuarei, em princípio, residindo em Colorado do Oeste. Infelizmente, não poderei participar do próximo encontro. No último, eu havia planejado ir, mas o tristemente famoso massacre de Corumbiara me prendeu aqui, pois fiquei ao lado do povo todo o tempo (por mais de três meses). Não parece, mas a distância pesa, não só no bolso, mas também no tempo. Afinal, são 5.000 kms entre ida e volta. Estarei unido a todos vocês no dia do encontro no Ibaté. O meu grande abraço.  OS:  Uma correção no endereço do Geraldo Bernardes: O estado não é SP, mas RJ.

 

 

NOVOS COLEGAS CONTATADOS – BENVINDOS!!!

·        ANTÔNIO SYDNEI DE OLIVEIRA JR.

·        ARIOVALDO MANTOVANI (63-64)

·        CARLOS JOSÉ VILA MAIOR

·        DURVAL BUENO

·        EDUARDO PIRES D’ELBOUX (65-68)

·        EMÍLIO CRISPILHO FILHO (63-67)

·        EURICO BARRETO

·        HELENO CESARINO

·        JAIR FRANCISCO DOS SANTOS (71-73)

·        JOÃO MENDONÇA FRANCO NASCIMENTO (71-73)

·        JOSÉ CAVALCANTI BRAGA.

·        LUIZ CARLOS RISSO

·        OSMAR ALVES FERREIRA (COELHINHO – 71-73)

·        SÉRGIO CRISPILHO (63-67)

·        VALDIR MARINO G. BACAICOA.

·        VALTER LUIZ BACCA DA SILVA (71-73)

Pesquisa de Antônio José de Almeida

 

 

MISSA DE 30O. DIA  - DOM CONSTANTINO

 

A grande família do Seminário do Ibaté convida os senhores Bispos, Sacerdotes, Ex-Alunos e amigos do nosso querido D. Constantino ara a Santa Missa de 30o. Dia, em 14 de março, às 20:00 horas na Igreja Nossa Senhora do Carmo, na Aclimação, Rua Brás Cubas, 163 (Dica: Av. Aclimação – sobe a R. Topázio. A primeira à esquerda é a Brás Cubas).  Paróquia do nosso Cônego Laerte. Estaremos unidos mais uma vez em oração.

 

 

DOM CONSTANTINO AMSTALDEN

 

Nasceu em Helvetia, município de Indaiatuba, SP, no dia 07 de julho de 1920. Seus pais foram o Sr. Benedito Amstalden e Dona Filomena Sigrist Amstalden, filhos de emigrantes de Obwalden, Suíça. O ambiente familiar cristão favoreceu o despertar de sua vocação sacerdotal desde criança. Após o curso primário na Escola Paroquial São Nicolau de Flue, em Helvetia (1927 a 1932), ingressou no Seminário Metropolitano de Pirapora, em 1933, onde fez o curso secundário até 1938. Estudou filosofia no Seminário Central da Imaculada Conceição, do Ipiranga, de 1939 a 1941.

Prestou serviço militar nos anos de 1942-1943 em São Paulo, no III Batalhão. A seguir, fez o curso de teologia, de 1944 a 1947, no mesmo Seminário Central do Ipiranga.

Foi ordenado presbítero aos 08 e dezembro de 1947, na Catedral de São Paulo pela imposição das mãos de D. Antônio Alves de Siqueira, Bispo Auxiliar.

No ano de 1948 foi vigário da Paróquia de Santo Amaro, em São Paulo. Trabalho no Seminário Menor Metropolitano do Imaculado Coração de Maria, em São Roque, de 1949 a 1969. Aí foi professor de latim, matemática e inglês, Padre Ministro (49-53), vice-Reitor e Ecônomo (54-58) e Reitor (59-69).

Foi para a Paróquia do Espírito Santo, no Bairro da Bela Vista (70-71).

Nomeado pelo Papa Paulo VI Bispo Titular de Hierpiniana, coadjutor com direito à sucessão e administrador apostólico “sede plena” da Diocese de São Carlos aos 11 de março de 1971, escolheu como lema “SICUT MILES CHRISTI”, “como soldado de Cristo”, (Timóteo 2,3).

Foi sagrado Bispo aos 23 de maio de 1971, na Catedral de Campinas, sendo sagrante D. Antônio Maria Alves de Siqueira.

Tomou posse dia 20 de junho de 1971 como administrador apostólico e aos 18 de setembro de 1986 como Bispo Diocesano de São Carlos (SP).

A partir de 21 de janeiro de 1996, tornou-se Bispo Emérito de S. Carlos, tendo celebrado seu Jubileu Episcopal em 23 de maio de 1996.

Dia 14 de fevereiro pp. Partiu para a casa de Nosso Pai Celestial. Pás a sua alma, nossas orações e saudades.

 

 

MINHAS LÁGRIMAS

 

Manhã de Fevereiro.

Uma chuva torrencial inundava o Ibaté. E quando o carro parou, um homem desceu aflito, arrastou-se sobre os degraus cascateantes e se dirigiu, instintivamente, para a ala onde estava a urna mortuária. Encostou a cadeira junto ao esquife, subiu e se debruçou em lágrimas, soluços e contidos gemidos sobre o corpo inerte do filho.  Era o pai de Jesus Gotardello, o jovem recém-chegado que apostara um mergulho na piscina – sem saber do seu debilitado coração  -  para, momentos depois, ser retirado morto.

Em sua homenagem, o Padre João Resende compusera uma elegia e me incumbira de sua declamação na “Festa das Mães”.

A lembrança daquele pai transido de dor me impulsionara o estro e pude observar nos olhares lacrimados a expressão do E. Cardeal Motta, de D. Siqueira, de Mons. Luiz Gonzaga, do Dr. Durval, o engenheiro, Dr. Euclides, o médico, Sr. João, o copeiro e tantos outros.

 

 

Tempos depois, constituí família e, dos três belos rebentos, o mais novo, Rafael  -  completaria quinze anos em outubro de 1996  -  viajaria e, por isso, agendara uma lembrança para cada colega da classe, já que sonhara com a formatura do primeiro grau.

Sonhou apenas ...

Por prevenção, à vista da palidez que se acentuava gradativamente, foi levado ao médico, quando os exames lhe sentenciaram o mal, sem apelação, na medula.

Sua “via crucis” durou três meses e meio. Acudiram amigos, parentes e admiradores, tais como Simeão, o prestativo, até o dia fatal, que nem sequer, se fez anunciar.

Como naquela manhã de fevereiro, a manhã de outubro jorrou em São Paulo uma torrente de água tão intensa quanto as nossas lágrimas, até o derradeiro instante de sua descida ao túmulo.

 

 

Estamos inconformados com essa dor que não morre, mas confortados com o carinho daqueles que nos consolaram, sobretudo dos que, num inspirado enlevo, souberam traduzir em palavras como “o Rafael foi para o céu”.

Essa bela e expressiva mensagem do último boletim de 1996 reascendeu a lembrança de Jesus Gotardello, transferindo-me a dor daquele pai aflito em cuja homenagem chorei e fiz chorar.

Só que, nesta vez, vocês tomaram o meu lugar, choraram e fizeram chorar infinitamente mais.

São Paulo, vinte e cinco de janeiro do ano de 1997.

Asdrúbal Ângelo Baruffaldi

Tel./Fax – 859.6482.

 

 

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