ECHUS DO IBATÉ
INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP
EDIÇÃO INTERNET
Gostaram da nova imagem do nosso Informativo? Recebeu o pomposo título e ECHUS, vestiu-se de cores para mostrar como se encontram nossos corações na perspectiva do nosso III Encontro, dia 30 de agosto próximo, quando mais uma vez unidos estaremos buscando novo impulso para mais uma arrancada nos caminhos da vida. Vamos nos reabastecer de amizade, amor, recordações sadias. Vamos juntos rezar, cantar, confraternizar, conhecer novos colegas que, como nós, percorreram os mesmos corredores, viveram as mesmas emoções, partilharam da mesma mesa e dos mesmos ideais. Vários colegas se empenharam na pesquisa dos nossos ainda não contatados e nossa família do Ibaté, feliz, se vê crescendo. Estudamos em épocas diversas; muitos não conhecemos, mas basta um encontro no Circolo para o calor humano e cristão nos unir e logo parece que sempre nos conhecemos. Experimente e veja!
O SUCESSO DAS RIFAS
O companheiro Francisco Fanchini sugeriu e, junto com o Márcio Pereira da Silva, organizou uma rifa em Itu e duas em São Paulo; três rodadas de rifas visando a angariar fundos para o nosso III Encontro São Roque/Ibaté. Nas três rifas, oferecemos como prêmio uma TV de 20 polegadas em cores. O resultado financeiro foi excelente! Descontadas as despesas com impressos, correios e prêmios, obtivemos um valor líquido de r$ 5.151,00. Abaixo, apresentamos os resultados finais e os felizes ganhadores. Agradecemos a colaboração dos colegas e a operosa organização de trabalho do Fanchini e do Márcio. Parabéns!
RESULTADO FINAL
1a. Rifa – (S.Paulo) – 03.05.1997 – 03939
Antônio Sérgio Pavão (66/69)
2a. Rifa – (Itu) – 10.05.1997 - ... não houve
3a. Rifa – (S.Paulo) – 14.06.1997 – 50.809
Mons. Getúlio Vieira (58/61)
COLABORAÇÃO
Recebemos e agradecemos as colaborações dos colegas que já fizeram seus depósitos: Mauro Macedo e D.José Maria Pinheiro.
AS SURPRESAS DE CADA ENCONTRO
FRANCISCO FIERRO (1949-53), o repórter
A presença dos novos “meninos” abrilhantou o nosso encontro desta primeira sexta-feira, 04 de abril: Alberto Alonso Casemiro (63/64), Carlos José Vila Maior (65/67) e Antônio Carlos Correa (64/67). [Falha lamentável, Fierro! Já em 1993,o Correa havia entrado em contato comigo! Onde foi parar esse endereço? Mas o importante, além do “desculpe nossa falha”, foi o reencontro do amigo Correa, que compareceu ao jantar, alegre e colaborador. Entregou, naquela noite, à Comissão Organizadora, uma relação de endereços de mais de 50 novos companheiros do Ibaté. Valeu, Correa].
Registramos a presença de outros “meninos”, alguns acompanhados das “meninas”, habituées do Circolo: Darcy Coraza, Gilberto Cianflone, Luiz Alberto Correa, Márcio Pereira da Silva, Antônio José de Almeida, Jones Nadir Gama, Francisco Fierro, Attílio Brunacci e Luzia, João Barizon e Nérice, Wilson Mosca e Marilda, Joaquim Barbosa e Angélica, Antônio Orzari e o “sumido” Luiz Monteiro!
“Aperitivamos” e jantamos no Circolo. Era natural que as novidades girassem em torno dos novos companheiros: Casemiro, Correa e Villa Maior ... e do Monteiro (novel proprietário de um restaurante na Lapa!) O nosso artista, Jones, apresentou o “boneco” da composição do novo Informativo. O Márcio lembrou a todos que oportunamente o Francisco Fanchini organizará em Itu um encontro-churrasco. Todos os presentes foram convidados a comparecer à cerimônia de sagração do bispo-auxiliar de Guajará-Mirim (RO), nosso querido companheiro, José Maria Pinheiro (51-57), dia 19 de abril, em Nazaré Paulista.
E, no canto da mesa, sempre a hora da saudade ... o Attílio e o Barizon (atuais escudeiros do Secretário Barelli), revolvendo a poeira da História, a relembrar com os olhos iluminados de saudade, a pureza de suas traquinagens, nas paragens pitorescas da sempre lembrada paróquia de S. José do Belém ... “Você lembra quantos pombos a gente matava?” Ah! sempre lembrando Mons. Tuller, partícipe do nascedouro de muitas vocações.
NOSSO ENCONTRO DE MAIO ... - No dia 2 de Maio, o Circolo agasalhou o ruidoso grupo do Ibaté, sempre fiel aos encontros das primeiras sextas-feiras do mês! Carlos Cosso, Márcio Pereira da Silva, Wilson Mosca e Marilda, Antônio Orzari, Darcy Corazza, Attilio Brunacci, Alfredo Barbieri, Francisco Fierro, Joaquim Barbosa e Angélica, Gilberto e o Antônio Carlos Correa. Como sempre acontece, a presença de um novo companheiro: José Francimar Ramos (60/63). Mais um do grupo do Correa!
No aperitivo, as informações da Coordenação Geral sobre os preparativos do III Encontro, as novidades das realizações, os planos das Comissões organizadoras e o recolhimento das sugestòes dos companheiros. O jantar, farto de carne, regado à generosa cerveja, embalou nossa descontraída alegria no tradicional “Boi na Brasa”, da Major Sertório.
O “verde, rosso e bianco” da República Italiana enfeitou nosso Encontro do friorento junho ...
O Circolo recebia na noite garoenta de 6 de junho a “colônia” para a grande festa de gala: o tradicional jantar-baile no engalanado salão de festas em comemoração ao aniversário da fundação da República Italiana. Auguri!
Aboletados nas poltronas verdes do bar, nosso grupo sempre falante “aperitivava”. No majestoso hall de entrada do primeiro andar, o constante e buliçoso desfile dos longos coloridos, dos curtos provocantese dos sisudos black-ties.
Jantamos no vazio restaurante do Circolo. Havia a recomendação severa de limitar nossos pedidos a “pratos simples”.! Afinal, o grande exército culinário se dedicava ao importante jantar-dançante da “vecchia Republica”!
Na metado do nosso repasto, o restaurante foi invadido por um bando de “azuis” da Aeronáutica que veio, creio eu, abrilhantar a comemoração italiana. O Orzari não se fez de rogado: enturmou-se com a garbosa corporação, desfilando, sorridente, suas constantes piadas e .... filando a sobremesa.
Anotamos a presença: Corazza e Ávila, Wilson e Marilda, Jones e Tereza, Gilberto, Furlanetto, Correa, Barbieri, Fierro, Almeida, Márcio, Villa Maior, Francimar e o restauranteur Monteiro.
FALECIMENTO
Faleceu no dia 1o. de agosto, em São Paulo, o Padre Tarcísio Geraldo da Silva, aos 73 anos de idade. Desde 1981, trabalhou como auxiliar do Arquivo Metropolitano de São Paulo e Vigário Auxiliar de várias paróquias da Capital. De 1948 a 1951, Padre Tarcísio foi secretário particular do Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta.
VEM AÍ O III ENCONTRO - DIA 30 DE AGOSTO, EM SÃO ROQUE
CENTENÁRIO DO SEMINÁRIO DE
PIRAPORA DO BOM JESUS
O colega Darcy Corazza esteve lá e nos relata:
“Foi na gelada manhã de 14 de junho de 1997 que nos reunimos na Praça da Matriz de Santana do Parnaíba preparando-nos para a carreata até o Seminário, onde tantos de nós iniciamos nosso ‘curso de humanidades’, há dezenas de anos atrás.
Abraços, alegria pelo reencontro, distribuição de crachás e lá partimos nós rumo ao vetusto seminário da colina atrás do Santuário de “São Bom Jesus”. Pipocavam os rojões no ‘pátio dos menores’, tocando um dobrado que nos recordou de imediato nossa própria banda dos velhos tempos do ‘seu Juquinha’.
Lá se foram, para todos os ex-alunos ali presentes, mais de 50 anos de ausência daqueles pátios, salas, corredores, capela ... Tínhamos a impressão, ao ver os cônegos virem nos receber, que eram ainda os de nossos tempos: Clemente, Inácio, Ivo, Martinho, Mateus, Emílio, Otto, Marcelo, Walter, Lino, Vitorino ... Os cônegos Bosco, Humberto e Rubens (Gastão) estavam ali presentes de corpo e alma.
Olhávamos aqueles campos de jogos, os galpões, os morros: em cada canto, uma recordação; em todos, uma saudade enorme.
O sino da capela bimbalhou solene e nos reunimos no corredor da entrada do Seminário, onde se descerrou uma placa comemorativa, posta ao lado da que perpetuava o 14 de junho de 1947 e próxima da lápide que lembrava o mesmo dia de junho, só que de 1897, em que se fundou o seminário.
A procissão de entrada para a Missa Solene (cantamos a De Angelis, é lógico) comovia: os seminaristas norbertinos à frente, os colegas padres ex-alunos, os cônegos, o abade geral da Ordem e o abade de Averbode (abadia-mãe da canonia de São Paulo) e mais três bispos (ex-alunos também eles).
O nosso ‘coral’ novamente cantou afinado e nos fez imergir nas recordações de nossas missas festivas: Ave Verum, O Jesu Salvator, O Cor Jesu .... a homilia feita pelo Cônego Aderbal Murta de Almeida (o Côn. Humberto, de Montes Claros) evocou os mestres falecidos com tanta emoção, que nos parecia vê-los nas estalas do coro, como acontecia diariamente no passado.
Representaram o povo do Ibaté, do Seminário-Irmão e continuador de Pirapora: D. Fernando José Penteado, Côn. Laerte Vieira da Cunha, Pe. Edmundo da Matta, Pe. Aurélio Vieira de Moraes, Joaquim Barbosa de Oliveira, Alfredo Barbieri, Lourenço Medeiros Fernandes, José Luiz Mariano Gomide Ribeiro, Darcy Corazza e Antônio Jurandir Amadi, que, como sempre, coordenou dedicada e eficientemente o encontro e que comoveu a todos recitando, ao fim da missa, uma poesia que compôs para a festa.
Apesar da chuva, o churrasco nos reuniu no ‘galpão dos menores’. O papo correu solto com colegas e antigos mestres. Quanta recordação gostosa e quantos fatos tristes lembrados! Tudo isso faz parte da nossa vida entre as paredes vetustas do casarão sob o ‘Morro da Cruz’.
Voltamos para São Paulo, ainda ouvindo os acordes dos hinos cantados, do sino da capela; ainda relembrando o papo com os colegas de antanho e com os velhos mestres; ainda sentindo estampadas na retina os flashs dos lugares mais cheios de significado para cada um, e comentávamos:
‘Pois é, gente, faremos em agosto nosso III Encontro em São Roque e o queremos vibrante, alegre, cheio de vida. E não podemos nos esquecer que o IV Encontro será em 1999 e será o de comemoração dos 50 anos de fundação de nossa casa no Ibaté! Temos que nos preparar para ele, não? A festa vai depender de nós.’”
D. DÉCIO TOMA POSSE
Nosso ibateano D. Décio Pereira tomou posse como Bispo de Santo André. Nosso colega Clóvis Baroni esteve lá, representou-nos e levou nosso abraço. Fecundo e santo pastoreio em Santo André, prezado amigo. E o Beta (Gilberto Cianflone Lucarts) escreveu:
“A UM AMIGO EM CRISTO.
O nosso Décio Pereira toma posse como Bispo de Santo André !!!
Agora, no dia 29 de junho, D. Décio acolheu em suas asas episcopais, a Comunidade de Santo André...
Eu me lembro de nossa placa comemorativa, afixada no pedestal da imagem de São José, com os seguintes dizeres: ‘e o teu coração de Mãe nos preparou para as lutas da vida’.
Comemorávamos o nosso encontro, encontro de amigos que se formaram no Seminário de São Roque, de irmãos que se amam ...
E o teu coração de Mãe nos preparou para as lutas da vida ... ‘Décio, nosso amigo D. Décio, Bispo de Santo André, que você lute guiado pelo Espírito Santo, amparado por Maria, em favor da Evangelização.
Continue sendo aquele Décio que conhecemos há muito tempo, um homem de Cristo!
A você, todas as bênçãos de Deus... Vai firme, amigo ... Assinam todos os ex-alunos do Ibaté.
Beta, o seu enfermeiro inesquecível. (ah! aquelas picadas !!!!!)”
AGRADECIMENTO
Nosso sincero agradecimento ao colega José Justo da Silva que, nos primórdios do nosso Boletim Informativo, era o factótum: dactilografava, tirava cópias, envelopava e mandava. Continua sendo brande colaborador. Valeu, amigo!
ACREDITE, SE QUISER
MARTIM SEGU GIRONA (1950/54)
Ano de 1952; a aula era de inglês e o professor era o PE. PEDRO EDUARDO PEYNAU BATISTELLA, Do alto de sua sabedoria, ele nos ensina que o “I” deve ser pronunciado como “Ai”. Mais tarde um pouco, no refeitório, um colega nosso (quem será?) resolveu aplicar o brilhante ensinamento da aula, já que tinha a tarefa de fazer a leitura, enquanto a turma jantava. Ao se deparar com a expressão latina “Sine Die”, proclamou em alto e bom som: “Saine Daie”. Depois de um instante de silêncio sepulcral, a gargalhada foi geral. Ninguém esquece dessa até hoje.
PARABÉNS ...
Nossos parabéns ao ATTILIO BRUNACCI e seu coral, pelo brilhante trabaloho que estão realizando com os ensaios de canto para a missa de nosso III Encontro.
IMPORTANTE
Se você não confirmou a sua presença no III Encontro, ainda há temp. Mande seu cadastro e a confirmação para Gilberto Cianflone Lucarts, Rua Santo Irineu, 37 –0 Saúde – 04127-120 S.Paulo-SP – Tel (11) 570.6459.
NOSSA CORRESPONDÊNCIA
O colega MARCO PÓLO, assim se expressou ao Antônio José de Almeida: “Tenho sido omisso quanto aos assuntos do Ibaté. Tomei coragem e registrei “flashes” de memória que foram surgindo. Se alguém quiser enriquece-la, adoraria saber ou rememorar fatos hoje esquecidos, soterrados em 30 anos de agitação.”
Do colega LETTERIO SANTORO: “Amigo Gilberto, como todos, também eu fui surpreendido pela morte de Dom Constantino. E, como todos, lamentei a morte do nosso velho reitor, pedindo a Deus que lhe dê paz e felicidade entre os anjos e santos. No próximo Encontro de agosto haverá mais um Presente! No “memento” dos mortos. Interceda ele por nos lá do céu. Sempre me impressionou o reconhecimento que D. Constantino fazia, de público, dos erros cometidos. Tenho em mim que os erros de que ele se arrependia eram os de uma educação por demais rígida a nós imposta nos anos de S. Roque. Se errou, foi inconscientemente e pensando fazer o bem, como qualquer bom pai.”
O colega LUIZ GUIMARÃES FORTES NETO (Gigante – 61-64) assim se expressa: “É com muita satisfação que estou recebendo pela primeira vez o jornal Echus do Ibaté. Informativo este que amplia nosso espaço e de comunicação, reduzindo a distância entre amigos que até pouco tempo se achavam tão distantes. Contatado que fui pelo colega Antônio Carlos Correa, ainda estou surpreso com a existência do grupo bem como o estágio em que se encontra o projeto de vocês. Parabéns! Com certeza, estarei no III Encontro, juntamente com meus irmãos, Fausto e Rogério, também ex-seminaristas do Ibaté. Parabéns! Parabéns! Sejam benvindos!”
MAURO DE MACEDO: “Li e gostei da cara nova do Echus do Ibaté. Vai aqui minha contribuição, com acréscimo para imposto e outros “bichos”.
O colega Justo acusa o recebimento de cartas de D. Oswaldo Giuntini e Pe. Luiz Gonzaga de Melo Camargo, agradecendo a mensagem e os votos de boa Páscoa.
De . D. JOSÉ MARIA PINHEIRO, recebemos carta agradecendo toda a reportagem dedicada a ele. Ainda diz: “Agradeço também a presença do grupo de Ibateanos que esteve em Nazaré Paulista na minha sagração ... gostaria de ampliar esta lista dos presentes: D. Décio, Getúlio, Rípoli (Janjão), Jorge e Geraldo Bernardes. Alguns se manifestaram por telefone: Jurandyr Amadi e Quinzinho. ... A túnica e estola que ganhei são realmente lindas. Já tenho 32 anos de padre e nunca tinha tido uns “arreios” tão lindos! Tenho usado e feito sucesso. Todos dizem: ‘que roupa mais linda!’ ([e pena que a cara não ajuda) Aproveito para enviar um cheque para as despesas do informativo.
De Mons. ALPHEU LUIZ, recebemos carta elogiando o Informativo e relembrando o Zé Maria e o Attílio.
Do colega ÊNIO TOMAZINI, carta e foto para a seção nostalagia.
RECORDANDO
MARCO PÓLO TEIXEIRA DUTRA PHENEE SILVA – 1963-64
MEMOIRES
Sou um arrivista tardio. Portanto, não sei o que já foi escrito sobre as pessoas com quem partilhei dois dos mais felizes anos de minha vida. Contudo, acredito que, se cada um escrever um pouquinho sobre os demais, teremos biografias quase completas daqueles anos. Se estiver repetitivo, perdoem-me
Lembro do Seminário nas encostas de uma colina. À direita de quem olha para a gruta, ficava o campinho, onde fazíamos duas traves com os blazers ou camisas, e jogávamos uma espécie de futebol em que se podia usar apenas a cabeça. O “Pelé” do esporte era o Paulo Cimi ( ou Simi??), que, em geral e desonestamente, usava o punho para “cabecear”.
Pouco além do campinho, começava a descida do morro. Dessa encosta, uma vez, o Flávio tentou queimar uma aranha e quase provocou um incêndio nas matas do Seminário. Estava muito seco. Do campinho, ao cair da tarde, se podia ver, na escuridão das serras em frente, o farol do trem que vinha para São Roque.
Também do campinho, começava a estrada que ia para o Cruzeiro e que era percorrida em Via Sacra na Semana Santa. Era aterrador ver aquele monte de aranhas formando um teto sobre nossas cabeças.
No pátio, ficava a gruta.
Talvez uma das imagens mais bonitas que eu guardo do Seminário era a ginástica pela manhã. A gruta iluminada, cercada pelo céu avermelhando-se nas bordas, mas ainda azulado. E um azul tanto mais escuro quanto mais olhássemos para o zênite. No topo dos céus, as estrelas esmaecendo. Por vezes, a Lua, Vênus (a Estrela Dalva) e Júpiter disputando um concurso de beleza no céu.
Do lado oposto, aos pés do dormitório dos menores, a quadra de vôlei e o mastro de espiribol. Também daquele lado, o galpão onde se podia praticar um jogo cujo nome me escapa e que se joga nos navios durante os cruzeiros. Dois quadrados são pintados no chão, como num jogo de amarelinha. Cada quadrado é dividido em casas numeradas. Junto a cada quadrado, uma dupla de adversários tinha que lançar discos de madeira para marcar o ponto no quadrado oposto, usando um bastão bifurcado. Parece que foi o Pe. Victor que trouxe esse jogo para o Seminário. Na quadra de vôlei, era muito comum jogarmos em dupla, eu e o Heleno Cesarino contra o (Luiz Carlos) Macedo (um ‘gentleman’ crioulo e canhoto) e o José Ferreira. A bola podia pingar uma vez, como um gigante pingue-pongue.
A frente do Seminário era muito pouco usada, exceto nos dias de visitas, quando os familiares buscavam locais mais sossegados para curtirem seus pimpolhos. Em baixo, o teatro, onde o Pasquale (Pasquale Gerardo) apresentava o Repórter Osso, caçoando dos colegas e dos padres... Nesse Repórter Osso, uma vez passei por cientista português que havia descoberto um método revolucionário para produzir petróleo. O único problema ainda a ser sanado é que o processo levava bilhões de anos. Também aí o Conrado (Alfredo Zilig Conrado) leu uma sua redação sobre a ressurreição de Amador Bueno em pleno século XX e as trapalhadas daí decorrentes. Valeria a pena tentar resgatar essa obra. Também em baixo ficava a sala de Química, o bunker do Mons Kulay. Os pequenos não ousavam descer ali, pois o local era guardado por uma assombradora caveira, usada nas aulas de ciências naturais.
Em baixo da colina onde se ergue o seminário ficavam a piscina e o campo de futebol. A piscina era, volta e meia, esvaziada para se limpar o limo que se acumulava. Ao lado dela, se perfurou o poço artesiano que, de início, nos fornecia água com gosto de gasolina. Quando cheia, o Pe. Ricardo ficava com uma varinha tocando a patota para a água .... Só parou com isso quando ele próprio foi jogado na água. Os vestiários eram minúsculos. Um dia um dos colegas cujo nome parecia Puskas, ou algo assim, (Norberto Antônio Folkas), avantajado de corpo, entrou para se trocar. Do lado de fora, alguém procurav derrubar um vespeiro que estava acima da porta, para ver o coitado sair correndo sem roupa.
O campo de futebol era usado como pasto durante a semana. Volta e meia vinham congregados marianos jogar contra os nossos craques. Nosso goleiro, o Arlindo (Arlindo Pires Pinho – “Macaco”) uma vez saltou para defender uma bola, mas ela bateu num monte de estrume de vacas e jogou o material na cara dele. Nós, os grossos, ficávamos nos barrancos chupando umas limas verdes e amargas que por ali havia.
Na estrada, a casa do Luizão, ex-galã de um filme de “cowboy” que fizeram em São Roque alguns anos antes de eu entrar. Contam que numa cena, ele, mãos nos coldres, entrou na mata. Dali a instantes, saia arrumando as calças. O “Leão da Metro” foi feito por uma conhecida figura da cidade, cujo nome não me lembro.
Adiante ficava o Convento das irmãs, ao lado de um lago plácido. Numa de nossas visitas, as irmãs prepararam suco de laranja e colocaram nos reservatórios que tinham em cima da pia. Era um gozo beber suco tirado da torneira
Obs. No próximo Informativo, daremos seqüência a esta deliciosa crônica do nosso Marco Pólo. Aguardem.
A GRANDE ASCENSÃO
LETTERIO SANTORO 1955-59
Um dos passeios mais deliciosos de minha adolescência era o passeio anual ao monte do Saboó. De todo canto do colégio se avistava o monte Saboó, com sua corcova macia. E as tardes, que morriam atrás dele, emprestavam-lhe uma auréola majestosa e poética. Mas o passeio anual ao velho monte – ao qual chegávamos por longas estradas poeirentas – mudava em nós a imagem suave e distante que dele guardávamos. De repente, víamos diante de nós como que um desafio inesperado: uma montanha pedregosa e hirta que desmentia as corcovas poéticas. Pois foi essa imagem nova e sempre renovada que me veio à mente, mal e mal eu terminava de ler a Divina Comédia, de Dante. Porque a longa caminhada do Inferno ao Paraíso, que durou quase tr6es anos, assemelhava-se à grande ascensão do monte Saboó. Primeiramente nos metíamos por um matagal que muito me lembrava a “selva selvaggia ed aspra e forte” onde o poeta e todo homem se perde. E as picadas escorregadias que palmilhávamos eram como os declives perigosos das descidas infernais. O céu desaparecia com seus ares frescos, e os cipós nos atrapalhavam o caminho áspero. Regatos imprevistos escapavam sob os pés. E, lá na frente, o DIRETOR, à maneira diligente de Virgílio, avançava diante de nós como para nos arrastar contra o desânimo. Quando, porém, a floresta parecia não mais acabar, eis surgia uma clareira aberta que nos trazia ao espírito uma claridade aliviante. Os pulmões respiravam já um ar novo e fresco e um céu azul muito puro seduzia nossa vista. Mas começavam as pedras. Ai, pedras duras de nossa caminhada, vossa disposição e severidade, vossa cor mortiça e desolada arrancavam suores ao corpo e lágrimas à alma! Pedras e mais pedras para superar. Arranhavam nossas mãos bem feitas em suas asperezas impassíveis. E quem estará lá por cima, avançando quase de quatro como nós? Eram colegas mais dispostos, e, na frente, o DIRETOR, para nos animar ao vê-los. Compensava a fadiga e a desolação um ventozinho leve que nos refrescava as carnes suadas, e uma visão sempre mais ampla dos vales circunstantes, que se estendiam à nossa admiração. Até que – oh Deus! – chegávamos ao topo, abraçávamos as alturas, tocávamos o infinito! Então desapareciam as agruras da grande ascensão. Então esquecíamos todo sofrimento anterior. Tudo eram vastidões abertas, tudo eram alegrias menineiras. Um sorriso puro e espontâneo brilhava em nossos lábios, como reflexo mesmo do dia que sorria por todo canto. Os olhos se atiravam pelas distâncias, e víamos as cidades mais longínquas, tão pequeninas e sumidas. As grandezas da terra, do dia a dia, o próprio colégio lá longe, as maiores aspirações desfaziam-se em mesquinhezas espalhadas aqui e ali. E gozávamos todos juntos – o DIRETOR e os alunos – da abundância de luz, das alturas e dos ventos leves que se entranhavam bem dentro de nós. Era o Paraíso do poeta, era o nosso paraíso todo ano!