ECHUS DO IBATÉ
INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP
Dia 30 de agosto foi o nosso dia. Dia ensolarado e quente, traduzindo o que ia em nossas almas: luz e calor. Luz que iluminava nosso passado, fazendo brilhar a saudade, na capela, nos corredores, no dormitório, no pátio, enfim, em cada canto da nossa casa onde vivemos dias de muito estudo, lazer e oração e hoje, com certeza, podemos parafrasear o cancioneiro popular “éramos felizes e não sabíamos”. Luz que brilho nos olhos de cada um de nós ao abraçarmos com força o colega de outrora, reacendendo uma amizade que o tempo não conseguiu apagar. Luz que brilhou em nossas almas quando, unidos na Capela, junto ao altar, rezamos e cantamos aos pés da Mãe sorrindo e nos abençoando do alto de seu pedestal. Luz que brilhou nos olhos de nossos pais, esposas, filhos, parentes, extasiados diante do nosso congraçamento, admirados por nos verem jovens e de espírito renovado.
Calor aquecendo nossos corações e dando-nos a certeza de que não estamos sós, que nossa grande família do Ibaté se firma e cresce e nos anima para os embates da vida. Calor que é fé, esperança e amor.
Descemos a montanha do Tabor e voltamos para a planície do nosso dia a dia, mas tenho certeza, não somos os mesmos, dentro de nós algo mudou e nossa vida recebeu novo alento e a lembrança deste dia memorável nos servirá de força e apoio quando nuvens negras tentarem toldar nossos horizontes.
Ah!, meus irmãos e amigos, tudo nos une e nada nos poderá separar. Encontremo-nos com freqüência, correspondamo-nos, troquemos alegrias e preocupações, partilhemos os fracassos e os sucessos, amemo-nos uns aos outros e Deus estará no meio de nós. UBI CARITAS ET AMOR, DEUS IBI EST.
ALFREDO BARBIERI 1949-53
ECOS DO III ENCONTRO
O tão esperado dia do nosso III Encontro chegou. A partir das 8 horas, no Largo dos Mendes, começou a movimentação dos ibateanos. Primeiros abraços, muita alegria, distribuição dos crachás, muita confraternização e logo após, a formação da vibrante carreata pelas ruas da cidade em direção do nosso Seminário. À frente, a sirene da polícia, o carro de som do nosso patrocinador, a SCHINCARIOL, e a seguir, carros buzinando despertando a curiosidade dos cidadãos.
No Seminário, um grupo de colegas, juntamente com a Corporação Musical 7 de Setembro e muitos fogos, recebeu a caravana dos ex-alunos.
Diante do Seminário, ao som da banda e espocar dos foguetes, o coração dos colegas se abriu e o burburinho dos risos, abraços e encontros tomou conta de tudo. O Seminário ganhou vida: Bispos, padres, colegas, familiares e visitantes formavam um só coração. Foi difícil conseguir silêncio para as palavras do Alfredo Barbieri e o descerramento da Placa Comemorativa:
“... E DIZER QUE OS VALORES QUE AQUI DESCOBRIMOS POSSUEM DIMENSÃO DIVINA”.
Após o café, o grande cortejo para a Capela para a Santa Missa, presidida por D. Décio e concelebrada com D. Antônio Gaspar, D. Fernando José Penteado, Côn. Laerte Vieira da Cunha, Pe. Cândido da Costa, Pe. Ricardo Mendes Tahan, Pe. Wilson de Oliveira Sales (Pe. Sabe), Pe. Edmundo da Matta, Pe. José Ferreira (Ferreirão), Mons. Getúlio Vieira, Pe. Sidney Barone, e o diácono Brito, cujo tema foi CELEBRAÇÃO DA AMIZADE, DA VIDA E DOS VALORES HUMANOS.
O coral, que ensaiou várias vezes na Igreja da Consolação, vibrante e piedoso, sob a regência do Lourenço Medeiros Fernandes (Perereca), encheu de harmonia e de encantamento a capela, cantando em polifônico e em gregoriano emoldurando o belíssimo texto da Missa, elaborado pela Equipe de Coordenação Litúrgica (Darcy Corazza, Luiz Furlanetto, Attílio Brunacci e Lourenço F.Medeiros).
Ao Evangelho, falou-nos D. Décio Pereira, que abriu espaço para vários colegas se expressarem, dando testemunhos de fé e recordando. Até o pai de um dos nossos colegas (Arnaldo Maia) se expressou com propriedade e deu seu testemunho.
Momento de grande emoção foi a chamada dos que nos deixaram e se encontram na Casa do Pai, a cujos nomes todos diziam: Presente!
Ao final, o coral nos brindou com o Va Pensiero cantado por todos os colegas e as vozes fortes tomaram conta do recinto sagrado e mereceram os aplausos e pedidos de bis, de todos. Antes da bênção, as palavras do Alfredo Barbieri – PENSANDO e REZANDO – que, por solicitação dos colegas, publicamos adiante, para recordação, e da Irmã de Jesus Crucificado, agradecendo e relembrando fatos.
Acabada a Santa Missa, o pátio, corredores e todo o Seminário tomaram vida nova e o delicioso e farto churrasco, regado pela cerveja e refrigerantes do nosso patrocinador SCHINKARIOL tornaram mais afetiva a confraternização.
Do alto do caminhão de som da nossa querida Schincariol, a turma da animação com o Clóvis Baroni e o Alfredo Barbieri e mais os colegas do coral deram um show, cantando as músicas de nosso tempo. Não faltou o som do Isaías, do Pepe e seu grupo.
O Serginho Fioravante não deixou por menos e nos brindou com um espetáculo de fogos e de cores; parece que tudo vinha abaixo e todos saíram para contemplar. Vibrante! Valeu! Fotografias, filmagens, troca de endereços, bate-papo descontraído, gozações, apresentação de amigos e familiares ... assim foi o tempo correndo naquela tarde quente e ensolarada. Comissão organizadora (põe organização nisso!) parabéns! Vocês não imaginam o bem que nos proporcionaram. O sucesso do nosso III Encontro é a recompensa de vocês. Que o Imaculado Coração de Maria encha de sorrisos e realização a vida de vocês. Vamos em frente que o cinqüentenário nos espera em 1999.
Acolhida e inauguração da placa comemorativa
Voltamos para repetir:
HODIE EST DIES QUAM DOMINUS FECIT NOBIS.
Sim, este é o dia em que o Senhor nos preparou.
Há quatro anos atrás, aqui estivemos e declaramos que
DO ALTO DESTA COLINA, TEU CORAÇÃO DE MÃE NOS PREPAROU PARA OS EMBATES DA VIDA
Voltamos há dois anos para celebrar a AMIZADE. Hoje, aqui estamos para dizer que
OS VALORES QUE AQUI DESCOBRIMOS POSSUEM A DIMENSÃO DIVINA.
Sim, valores que, qual novo maná, nos alimentam e fortalecem nos caminhos da vida e nos apontam o infinito.
Não é um saudosismo. É uma volta à fonte para nos reabstecermos e pertirmos para novos embates. Bispos, padres, leigos somos todos ex-seminaristas do Ibaté irmanados e trazendo nossas famílias.
Em cada canto desta casa vai brilhar uma saudade que conforta o coração.
Benvindos à Casa da Mãe, à nossa casa.
Vivamos intensamente estes momentos
OH! QUAM BONUM HABITARE FRATRES IN UNUM! EXULTEMUS!
Pensando e rezando
O jovem vibrante, esperançoso e idealista JÁ está curvado ao peso do tempo, MAS em seus olhos ainda brilha a luz que não se apagará.
A planta que era viçosa JÁ está com as folhas amarelecidas e caindo, MAS ainda corre em seu caule a seiva da vida bem vivida.
O vigor dos anos JÁ sente as restrições da idade, MAS o coração ainda é jovem e pulsa com amor.
A inteligência viva e perspicaz JÁ começa a sentir os lapsos da memória, MAS o bem aprendido já se enraizou.
A visão larga, de amplos horizontes, JÁ sente a limitação, MAS enxerga em seu interior a riqueza do saber e da experiência.
O seminarista de outrora, padre, bispo, chamado à hora nona, JÁ sente à hora sexta o cansaço da longa jornada, MAS o ideal ainda pulsa em seu peito.
O ex-seminarista, cidadão, pai de família, profissional dos mais variados ramos, titubeou muitas vezes na vida, MAS a formação que recebeu iluminou de certezas o seu caminhar.
A saudade é a prece: Fica conosco, Senhor, porque a tarde vem caindo, MAS ontem como hoje sentimos abrasar-se-nos o coração quando ouvimos tuas palavras de vida eterna.
Vimos hoje à Casa da Mãe como filhos e irmãos. Trouxemos os Nossos. A família cresceu, MAS destes a todos o alimento que é Teu Filho Jesus e sabemos que o Teu manto é suficientemente grande para nos abrigar a todos. Por isto vimos pressurosos, alegramo-nos, abraçamo-nos, cantamos, atualizamos momentos preciosos, rezamos.
Bonum est nos hic esse. Como é bom estarmos aqui!
VA PENSIERO SUL’ALI DORATE;
VA, TI POSA SUI CLIVI E SUI COLLI ...”
JOAQUIM BENEDITO DE OLIVEIRA – QUINZINHO 1950-56
E o pensamento de cada um voou por sobre aqueles ares do Ibaté, dourando as lembranças que se cruzaram sob o sol de todos. Naquele espaço pisado por pés de meninos que agora demonstram nos cabelos a voracidade do temo, renasce em cada canto, em cada escada, em cada corredor o desejo de estudar tudo de novo, de dizer as mesmas palavras ditas há trinta anos atrás.
Eu espero, você planeja, ele trabalha, nós nos encontramos e eles todos se abraçam. E continuando seu vôo, o pensamento de cada um se espalha pelos morros e colinas à volta daquele espaço sagrado. Chegou afinal o momento supremo da Celebração. É uma festa dos sentidos que se consubstancia no olhar que encontra outros olhares daqueles tempos, no abraço dos irmãos que se reúnem para envolverem numa só ternura a fraternidade inesgotável e no afinar dos ouvidos para a degustação das vozes que nunca deixaram as freqüências daqueles ares: AMIZADE.
Quem morou numa casa que também era escola aprendeu o convívio salutar com as diferenças: paulistas, mineiros, cariocas; corintianos, tricolores, palestrinos; menores, médios, maiores; craques de bola, craques de estudo, craques do palco; literatos, declamadores, “bandidos”,; prefeitos, sineiros, copeiros; cerimoniários, acólitos, tocheiros; recém-chegados. “anjos”, concluintes; espanhóis, portugueses, bicho-bicho; alunos, professores, dentista; irmãs, padres, bispos; bitas, paçoca, caridades; padre espiritual, padre ministro, padre reitor. O Encontro agora é daqueles que são ex-alguma coisa, mas que nunca deixaram de ter a consciência de uma eleição, de um chamado para a fraternidade fundada no dom mais precioso: A VIDA.
Nunca estivemos sozinhos. Houve smpre uma Mãe de plantão esperando na capela azul-branca para ouvir as queixas dos filhos: único lugar para o qual não se precisava pedir licença párea ir. E nesta celebração, estamos acompanhados dos irmãos, das esposas, dos pais, dos filhos e até dos netos (quem diria!); dos bispos que respiraram o mesmo ar que nós; dos padres que nos ensinaram tudo o que sabiam sobre Deus, sobre o homem, sobre a terra, sobre o mar e o ar; acompanham-nos também aqueles que já se foram, mas que são capazes ainda de responder à chamada emocionada do momento especial, que sacraliza tudo o que temos e tudo o que somos. Um encontro assim desperta a curiosidade adormecida na rotina desestimuladora. Ainda bem que há um Boletim que mensalmente impele a mente a transformar a curiosidade em conhecimento: o que fez na vida pós-seminário o Paulo Sebastião? Que disciplina leciona o Getulino em Lorena? Qual a profissão do Antônio Carlos? Qual o verdadeiro nome do Iô, do Vó, do Véio? E o do Pinduca, do Araçazinho e do Tibúrcio? Por que alguns nunca aparecem? Trabalho? Mágoa? Desinteresse? Ou acaso nada do humano convívio permaneceu na sua história? Conhecidos aqueles que comeram do mesmo pão, da mesma pêra e da mesma goiabada guacira, outra função se releva no Encontro: o entendimento. A vida de todos é igual enquanto Dom de Deus, mas o que cada um fez dela é um acréscimo de que todos nós temos prazer de participar: VALORES HUMANOS.
Faz seis anos que o nosso pensamento voa sobre os morros do Ibaté, na tentativa de rever a paisagem, re-estimular a amizade, re-vigorar a mensagem, re-viver o que de bom permaneceu por entre aquelas árvores, debaixo daquelas folhas pisadas pela sombra de rapazes que por ali cresceram ao mesmo tempo, em que buscavam seu verdadeiro caminho na vida. hoje, muitos deles, fatigados, tentam pendurar nos galhos receptivos das veredas da piscina, seus livroe publicados, seuas teses defendidas, suas missas rezadas, suas consultas efetuadas, suas audiências realizadas, os retratos das mulheres amadas, o destino imponderável dos filhos, as preocupações de saúde, a organização do próximo encontro ... Depostas as armas do bom combate, é hora do churrasco, do chopp, da conversa, do canto e de alguns deslumbramentos.
Preocupa a ausência: Que terá impedido a presença do Valdevino? Talvez o compromisso do Sigmar tenha sido inadiável. Claro: cada um teve o seu motivo. Mas de algum modo todos estiveram presentes: o Latinha, o Soquinho, o Bechano, o Capivara, o Mosquitio, o Nundeu, o Jacaré ... Todos. Impossível adentrar aquele palco sem lembrar de seus expoentes. Engana-se quem achar possível esquecer pessoas que transformaram o dia de estudo em autênticos espetáculos musicais, literários, esportivos, piedosos. Só um exemplo: houve alguém que, escolhido para integrar o grupo dos doze apóstolos, na cerimônia do lava-pés, em certa semana santa, teve de achar às pressas um esconderijo (Ah! Providencial e abençoado laranjal !!!) porque a turma o elegeu o Judas daquela noite ...
Que sufoco! Mas o propósito de lembrar este episódio foi o de apenas demonstrar que se um dos doze lá esteve no Encontro, com ele estiveram também os outros onze: recordar é presentificar. E todos somos um naquele lugar que teve vida enquanto lá vivemos.
O fascínio do canto gregoriano está precisamente no seu despojamento. Não é necessário acompanhamento já que todos são uma só voz. Convite à unidade, o cantochão é pura poesia sonora desvelando devagar emoções guardadas exatamente para um Encontro. Vem, Espírito Criador, sopra as cinzas do passado para que os olhos cansados do presente re-vejam as brasas míticas do início de nossas vidas. Foi bom começar a vida rezando tanto? Deus e cada um sabem. Bom mesmo é saber que alguns nem rezam mais, outros só de vez em quando, outros mais apenas no dia do Encontro e muitos continuam rezando, sempre. A vida de todos – orantes ou não – merece respeito. Por isso a Missa do dia também foi um Encontro: com a Palavra, com a fé (muita, pouca ou presumivelmente nenhuma) explícita na reverência, implícita na presença; com alguns familiares, com alguns bispos, com irmãs, com colegas contemporâneos ou não, com padres, mas também com o canto, com a mística poesia e, especialmente, conosco.
O coral fez sucesso? Não, aquilo nem é coral de verdade ... Todos cantaram juntos. Aliás, basta ter sido seminarista para saber cantar tudo aquilo. E, para falar a verdade, (o Attílio e o Coelho que o digam) foi um grande “achado”: belo pretexto para novo encontro, aos sábados: “Libiamo, libiamo com nostri amici ...” . Naquele momento, porém, nós todos nos tornamos elementos da “schola cantorum”. E entoar o “Adoro Te, o Panis Coelice” dependeu muito mais do extraordinário espírito de união que se estabeleceu naquele grupo coeso de pessoas, pensando a mesma coisa, sentindo a mesma vida, do que de “ensaios”, treinos ou o que seja. E emoção, muita emoção, expressa na leitura do Barbieri, síntese do que ali acontecia de fraternidade explícita. O resto foi seguir os passos do Baroni e, de repente, nos vermos no alto de um trio elétrico, com um folheto de letras de música numa das mãos e um copo de chopp na outra. E deu no que deu: Chalavai, rataplã, Tim Tim quéro, cantiamo, uirapuru, fária, fária, ó Ibaté, teus veteranos cantam, bebem, saúdam, confraternizam-se debaixo de um sol de rachar. E onde estamos?
Estamos bem no meio do pátio, ex-campo de alguns ex-craques da bola. Lugar mítico, foi ali que no primeiro Encontro, de 1993, bem no meio desse jardim cujas flores cobrem corridas, defesas, dribles, escanteios, caneladas e gols, foi ali que alguém se aproximou lentamente e, com voz baixa saída, parecia de um tempo também mítico, confidenciou: “Eu era punga, não jogava bem futebol e você sempre me aceitou no seu time. Obrigado por isso”. Cinco meses depois, guiando o carro em direção ao Salto, aquelas palavras ganharam outro sentido: o da despedida. Só um pensamento martelava o ar: “Vai, Éffori, vai ser craque no céu. Lá você poderá jogar no time dos anjos, poderá fazer jogadas mirabolantes, num campo de nuvens e cuja bola talvez tenha dentro de si o próprio seminário, com tudo aquilo que deixou você amargurado tão fundamente que fez você se desligar de nós precocemente. Chuta, Éffori, chuta esta bola com classe, faz o gol que você sempre quis fazer e será aplaudido por uma galera que jamais chamará você de punga”.
São Roque – a cidade – se extasiou diante de uma carreata precedida de fogos e música. As crianças e os velhos das ruas sorriam diante de tantos carros de São Paulo, Santo André, Jundiaí, Salto, Itu, Taubaté, Avaré, Mogi das Cruzes, Lorena e tantos outros lugares inumeráveis, serpenteando as ruas na velocidade de quem chega e não quer mais voltar. Louve-se a ação de nosso guarda-de-trânsito, verdadeiro anjo a guiar uma infinidade de ex-novatos querendo começar tudo de novo.
“Laure dolci del suolo natal ...”
Foi bom ter voltado àquele solo onde foram plantadas tantas sementes, hoje árvores fortes, de folhas e de frutos saudáveis. Foi gostoso ter estado de novo ao lado de irmãos, parentes ligados por laços que a própria vida ligou. Mil desejos de ânimo aos componentes da Comissão Organizadora. Continuem firmes que o trabalho de vocês é imprescindível. Reata esperar pelo próximo Encontro, para novamente reafirmar os valores da vida, da amizade e do humano. Os ecos do Ibaté ainda estão ressoando nos ouvidos e na memória de todos: amigos para sempre
NB: Os artigos “O bom de bola” do Oscar de Carvalho, “Tudo vai acabar em pizza” do Wilson Mosca e a continuação das “Memoires” do Marco Pólo ficam para o próximo informativo. Este foi dedicado mais aos Ecos do III Encontro. Continuem enviando para o Barbieri: crônicas, cartas, comentários, sugestões e nosso informativo os irá registrando “ad perpetuam rei memoriam”.
Nossa correspondência
O Justo recebeu do OSCAR DE CARVALHO carta dizendo: “Tenho recebido com regularidade este bem elaborado “Informativo” que nos transporta no tempo e faz reavivar em nossa memória os momentos felizes vividos em comunidade no saudoso Ibaté, nos anos de 1958 a 1962. Não sei se algum colega ainda se lembra de mim (exceto o I. Cassiano: “Meu irmão”, o Isaias, o Pe. Getúlio, com quem tive contatos recentes), mas o importante é que tenho recordações inesquecíveis de colegas como o Tomaz Toledo (Toledinho), que me ensinou a jogar ping-pong e dedilhar algumas notas no piano (que não aprendi); o Isaías, com seu inseparável violão; o meu amigo Valdevino, com quem disputei várias medalhas nas proclamações de notas, etc., etc.; meu amigo Carioca, que mesmo nos intervalos de 15 minutos, arranjava um jeito de bater u ma bolinha de meia no pátio”.
Do colega ANTÔNIO CARLOS CORREA (Careca): “Caro Justo. Recebi o 14 exemplar do Informativo e quero confessar minha insatisfação, minha indignação: é muito pouco, apenas um exemplar! É tão bom o que sinto ao ler estas notícias, tomar contato com esse material todo do passado que, na verdade, não está morto, mas lateja vivo .... que estou querendo receber todos os anteriores. Muita gente citada e que participa de sua confecção eu não conheço. Mas é como se conhecesse”.
O colega CELSO PAULO TORRES agradece a mensagem de Páscoa.
Do colega JOSÉ WOLF: “Prezado Justo, só agora tive a coragem de abrir o “informativo”n. 14, que estava debaixo da porta ... Ao abri-lo, confesso me arrepiei, sentindo saudades de todos nós; e de vocês e de mim! Por coincidência, acabei de ler um livro: “Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino, que fala de um viajante que “reencontra um passado que não lembrava existir”. Depois de tantas andanças, conclui: “Chega um momento da vida em que, entre todas as pessoas que conhecemos, os mortos são mais numerosos que os vivos...” A notícia da morte de D.Constantino, por exemplo, me faz pensar naqueles tempos difíceis de Seminário Menor. Mas peço a Deus o dom de saber perdoar certos lances que me marcaram”.
A PROPÓSITO DE NOSSO III ENCONTRO
Ver mais ... Unir mais ... Ser mais ...
JOSÉ LUIZ BRANT DE CARVALHO – 1950-56
Lembrar o que? Lembrar por que? Porque Lembrar?
Somos o que lembramos e lá, em São Roque, fizemos um esforço muito grande para que nossas lembranças se tornassem presenças.
“Céu e Mar. Céu e Mar.
No céu um cisco.
Uma palha, no mar”
Era o poema de Cláudio Giordano (51-57)
Me senti um cisco de lembrança e uma palha de presença. A lista dos que foram e a lista dos que ficaram se misturaram em ondas, em nuvens.
Era o poema do Brant (50-56) “...Agora, parece que sempre a pomos onde estamos. É a energia do encontro.
Era o poema do Barelli (51-56): “navio negrueiro ... que ele transformou em navio dos negros, que ele continua transformando em navio dos empregásveis, em navio de libertação.
Era o poema de todos ... ver, unir e ser mais, sempre mais.
Lembrar o que? O sonho continua ... e tenho vontade de tornar o nosso seminário de Ibaté em local de peregrinação dos empregáveis. Mestre navegador Attílio (49-55) ...
E la nave se vá ...
Dedicado ao mestre navegador Attílio (49-55)
Em tempo: O colega José Luiz Brant é esposo da vereadora Ana Maria Quadros.
Encontro de dezembro
Esperamos você para a nossa tradicional Santa Missa Natalina no dia 11.12.97, às 19h30 na Paróquia Nossa Senhora do Carmo que fica na Rua Brás Cubas, 163 – Aclimaçõ – S.Paulo. Telefone para contato (11) 493.3119 com Cônego Laerte.
A nova relação geral dos ex-alunos e ex-professores vem aí!
Até o dia 30.11.97, o José Justo (11) 493.3119, ainda espera os dados cadastrais dos colegas. Atualize seus dados com urgência. Não deixem de se recadastrar!
FLASHES DO III ENCONTRO
ANTÔNIO JOSÉ DE ALMEIDA 1963-66
1 – Sexta-feira cedo, véspera do encontro. O Sérgio Fioravanti comunica ao Francisco Fierro que, na última hora, a Schincariol se negou a fornecer o chopp. O Fierro durante bom tempo andou de um lado para outro nos corredores do Seminário, angustiado, pensando em como solucionar o problema, até que alguém lhe sugeriu que aquilo era pilhéria do Serginho.
2 – Segundo tempo, sexta-feira à noite, o Fierro telefona para a casa do Serginho para dizer-lhe que até aquele momento, 21:30, o chopp não tinha sido entregue. O Serginho, preocupado, tenta inutilmente contatos com a Schincariol. O que teria acontecido? O caminhão saíra de Itu às 16:30H! Depois de alguns momentos preocupantes e várias ligações, alguém do seminário atende ao telefone e informa que há muito tempo o chopp chegara e que o Fierro, àquela hora, estava em casa dormindo tranqüilo. O Fierro “deu o troco”.
3 – Sábado à tarde, dia do encontro. Alguém comenta que foi achado um molho de chaves. O Márcio (Paçoca), equilibrando o enésimo caneco de chopp, olha para as chaves e sugere que se anuncie no carro de som.
4 – Sábado à noite no seminário, a filha do Romualdo (zelador do seminário) atende à ligação telefônica em que alguém pergunta pelo destino dado às chaves encontradas, porque são as da porta da casa do Márcio ...
5 – Cinco horas da manhã, o relógio toca. José Pedro (Xixa) se levanta e acorda a esposa e as três filhas”
- Levantem rápido para não chegarmos atrasados ao III Encontro em São Roque!
Depois de grande batalha para acordar as meninas, arruma-las e alimenta-las, finalmente são acomodadas no automóvel e José Pedro sai de Campinas com a família com destino ao Ibaté.
No caminho, algumas paradas para troca de fraldas e mamadeira induzem o José Pedro a pisar fundo no acelerador para poder chegar a tempo de assistir à missa. Porém, data vênia, um guarda rodoviário não pensa assim e, s.m.j., aplica-lhe multa por excesso de velocidade, insensível aos argumentos jurídicos apresentados para justificar a pressa.
Deo gratias, eis que finalmente chegam ao Seminário. Já passa das 12:30h, silêncio total! – Todos devem estar ainda na capela, pensa José Pedro.
Tão ligeiro quanto veio, desce do carro e vai a porta principal e constata que ela está trancada. Nisso percebe que alguém mais está chegando atrasado e lança a pergunta:
- Você também veio para o III Encontro? E tem a resposta:
- Sim, eu vim ontem; foi ótimo. Dormi por aqui e estou indo embora.
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Observando: Estiveram presentes à Missa na Capela: 324 pessoas.