ECHUS   DO   IBATÉ

INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP

No. 19  -   Ano  06  -  ABRIL DE 1998

EDIÇÃO INTERNET

 

 

EDITORIAL

TEMPUS IRREPARABILE FUGIT

O ano de 1998 já atingiu seu quarto mês. Mas nossa amizade é como o vinho: quanto mais velho, melhor. O nosso Informativo – elo de nossa união e mensageiro das nossas aspirações, recordações e veículo do nosso pensamento – volta com toda força para mais uma jornada de muita comunicação, retratando nossos momentos felizes, amparando e fazendo-se presente sempre que um de nós precisar.

Temos uma auspiciosa notícia: localizamos um grande número de colegas e nossa família do Ibaté se ampliou.

Caros colegas, sejam bem-vindos ao nosso convívio. O nosso Informativo está aberto, queremos saber tudo do tempo de vocês.

ALFREDO BARBIERI – 1949-53

 

Nossa Correspondência

O colega Justo recebeu dos colegas:

·        FABIANO VILELA DE FIGUEIREDO, Pe.  (57/58) – uma recordação do Jubileu de Prata dele mesmo e de seu irmão, UBAJARA PAZ DE FIGUEIREDO, Pe (57/58) de ordenação na Bolívia. Nosso informativo os abraça e cumprimenta.

·        JOSÉ MAYER PAINE, CÔN. – esta mensagem extensiva a todos nós:

“Venho agradecer muito de coração os cumprimentos de Natal acompanhados da rica mensagem de um grande amigo e companheiro, D. Constantino. O nobre espírito cristão que vive em nossas almas, aprofundado no tempo de seminário, faz que neste tempo de santo Natal imiteis os Pastores de Belém. Aqueles pobrezinhos, depois de terem visitado o Menino no presépio, não se contiveram e partiram anunciando a todos o que viram e ouviram ... É assim que recebo e retribuo as saudações dos alunos do Ibaté ... Que sejais sempre, no mundo de hoje onde vivem, os portadores das ‘Boas-Novas’ que viram e ouviram de vossos mestres no saudoso e inesquecível Seminário do Coração de Maria. Como ela, humildemente conservo e medito no coração os votos dos bons amigos de São Roque”.

·        Agradecimentos pelos votos do Informativo, por ocasião do Santo Natal, recebidos de D. Décio Pereira, Alberto Pimenta de Oliveira, D. Oswaldo Giuntini, Walter e Lúcia, de Avaré, Letterio Santoro, Lourenço Medeiros Fernandes e da Irmã Suzana Maria.

·        CLÁUDIO ROMANO PIAZZON (66/69) – Agradece aos amigos que o acolheram e ampararam por ocasião do nosso III Encontro.

·        OLIVEIRA LEITE GONÇALVES (49/54)Assim se manifesta:

Ainda pesaroso de não poder ter estado no III Encontro dos ex-ibateanos, aguardo ansioso a chegada do boletim. Nem é preciso dizer que, onde quer que esteja, leio-o de um fôlego e passo dias e dias com as reminiscências de matéria por matéria. É bom ouvir um pouco a própria história. Aqui vai uma colaboração para os colegas latinistas. Trata-se de uma encomenda de formandos. O curioso é saber por que motivo quiseram fosse a placa de bronze em Latim. Só lendo (e traduzindo):

Nobis anno MXM ab ortu divi solis de rebus juridicis in academia hac cursum consumantibus quibus attamen nefas decrevit fore mentis parvatis sodalium haud amicorum nomina illorum inter habere nostra ad perpetuam rei memoriam haec in aere hodie apponere quae sera faz fit.

Abrace por mim: Attílio, Fierro e Corazza.

 

Novas aquisições de colegas – sejam benvindos!!!

·        ALFREDO ZILLIG CONRADO – 63

·       ANDREA CANARELLA – 63-64

·       ÂNGELO DE CÂNDIA NETO – 49-51

·       ANTÔNIO DA APARECIDA SIMÕES CUCCIO – 67-68

·       ANTÔNIO PAULO BRUNELLI – 62-65

·       ARNALDO RODRIGUES CALDEIRA – 63-64

·       CARLOS ALBERTO DE ANDRADE (Carlão) – 66/67

·       DELFIM COELHO DA SILVA NETO – 63-64

·       DIONÍSIO ROSSI – 70-73

·       FILIPPO ANTÔNIO GERALDO ROSSI – 69-72

·       FRANCESCO EPÍSCOPO – 54-55

·       FRANCESCO PESCE – 59-63

·       FRANCISCO CARLOS CEONI – 69-72

·       GILBERTO GOMES – 62-66

·       JOÃO GRANDINO RODAS – 1961

·       JOSÉ ÉCIO PEREIRA DA COSTA JÚNIOR – 63-65

·       JOSÉ MARIA MENDES PAULO – 1951

·       LUIA CARLOS MARTOS – 66-67

·       MAURÍCIO BORBA – 49-51

·       MIGUEL CZUSLINOVICS – 1963

·       MOISÉS BOVO – 50-51

·       NEWTON DE SOUZA – 64-66

·       PEDRO ANÍBAL DRAGO – 6063

·       RODOLPHO DUFNER JÚNIOR – 51-54

·       RUBENS DUFNER - 51-54

·       RUDNEY URIZZI GARCIA – 49-51

·       SÉRGIO ARMELLINE – 63-65

·       TARCÍSIO SOBRAL TEIXEIRA – 66-69

·       VICENTE JOSÉ DE SOUZA – 55-59

·       VLADIMIR MERLO GARCIA – 64-66

·       WALDECI GOMES DA CUNHA – 63-65

·       WELLINTON DE SOUZA – 64-66

 

Classificados

A partir do próximo número, estaremos introduzindo uma coluna de classificados. Nela, publicaremos ofertas de: venda e troca de bens, anúncios de profissionais liberais. Estes anúncios terão um custo que esperamos divulgar oportunamente. A arrecadação servirá para reduzir as despesas de confecção e distribuição de nosso informativo, que deverá ser editado mensalmente.

 

Copa do mundo

Que tal assistirmos a Copa juntos ?  Agende: Abertura da copa, dia 10.06.98 – 12:30, quarta-feira (véspera de Corpus Christi).  Nosso colega Gilberto Lucarts está providenciando local com telão, petiscos e  geladinhas. Ligue e faça sua reserva. Tel. (11) 570.6459.

 

Fitas e fotos do encontro

Já estão prontas as fitas de vídeo com as recordações do encontro de agosto-97, bem como o álbum de fotos. Tratar com Wilson (11) 864.8852, Almeida (11) 876.2931 ou Márcio (11) 425.4148.

 

PÁSCOA DE MEDITAÇÃO

WILSON MOSCA 1955-57

A história vem relatando as festividades ligadas à Páscoa Cristã quando um bom número de frases estudadas tem se extravasado pelos séculos ...

Em tais escritos e falas, a liberação e o amor são imensamente propalados, mas o que temos visto até nossos dias são:

Uma páscoa cuja usual e principal motivação seria a comemoração simbólica da libertação, cujo passar dos tempos foi transformada na Ceia do Senhor. Mas nos dias atuais o espírito da Páscoa tomou a forma de um coelho e o pão ázimo se transformou em “ovos de chocolate”.

Uma Páscoa de meditação, onde o coração deveria estar contrito com o Pai, e em retrospecção revendo as faltas cometidas e pedir perdão. Mas a Páscoa atual está atrelada a banquete de congraçamento familiar, cujo espírito crítico não se esvai, redundando em desarmonização, cujos os comentários não condizem com o objetivo do dia santificado.

Uma Páscoa cuja fraternidade está distante, porque se esquecem que o Divino Mestre escolheu seus discípulos entre homens normais e cheios de falhas como todos, formando assim uma diversidade de matrizes tal qual as cores do arco-íris. Vemos Pedro com sua fé estampada, sempre dinâmico e precipitado em suas atitudes; o céptico Tomé, introvertido e propenso as preocupações; Judas o traidor e Simão o Zelote, guerrilheiro que lutava contra o poderio opressor, e assim por diante. Mas, hoje os grupos se reúnem para a celebração da Páscoa pessoal, se esquecendo do exemplo do Mestre exaltado na universalidade do cristianismo.

Uma Páscoa cujo espírito deveria ser a simplicidade da celebração com pão e vinho, colocando o coração (não o estômago)  em meditativa união com o Mestre no decorrer da festividade. Mas, atualmente, o espírito da Páscoa é decantado por aqueles que se entregam ao comércio em busca de lucros excessivos.

Os homens só conseguirão compreender o verdadeiro Espírito da Páscoa, quando se despertarem para a ocorrência da Paz interior, o único caminho ascendente da espiritualidade com base na fraternidade e na inofensibilidade.

Vamos participar da Páscoa Universal, estendida a todos os povos, para que o principal objetivo do Mestre Jesus seja exaltado através da humanidade e do amor.

 

 

RECORDANDO: O BOM DE BOLA

OSCAR DE CARVALHO 1959-60

A narrar o fato abaixo, tenho certeza que alguns colegas da Divisão São José irão se lembrar de mim.

Neste período, eu pertencia à Divisão São Luiz, mas sempre fui escalado para jogar futebol no time principal do Seminário contra visitantes e Seminários, como o de Sorocaba, Pedrinhas, etc. e alguns  “cobras” da Divisão de São José não se conformavam. Achavam que o Pe. Bosco me escalava só porque era eu quem engraxava seus sapatos (não é, Cassiano?). o que não era verdade!  Para mim, jogar com o Getulino, Bosco, era o máximo, pois eles eram craques e, modéstia à parte, eu também sabia brincar bem com a pelota.

Desculpe pelo cabotinismo acima, mas o que realmente tem valor é este sentimento de alegria de recordar os tempos que dispensamos para forjar no amor de Deus nosso caráter, nossa personalidade, enfim nossa formação que muito contribuiu para nossas vidas.

Finalmente gostaria de enaltecer mais uma vez o trabalho e a dedicação de todos os colegas e mestres que têm colaborado para realçar e trazer ao presente as memórias de um passado inesquecível.

 

Na casa do Pai

Faleceu nosso amigo   LUIZ ADEMÁRIO GOUVEIA 1961-64. Transcrevemos abaixo um texto do Antônio Carlos Correa (64-67)  sobre o assunto.

Luiz Ademário Gouveia, o nosso Bimbim ou Gerolino, conforme nos lembrou, ao ser contatado pela primeira vez, nosso colega Francisco de Moraes Filho.

Bimbim já estava acometido de um câncer na medula, o chamado Linfoma de Hodkin. Eu não o conhecia pessoalmente, apenas por telefonema, quando o localizei. Eventualmente ligava para bater um papo e saber de sua saúde. Meu último contato foi por volta de maio ou junho passado. Vivia ele com febre e muita depressão. Tinha lá suas preocupações com a cobertura das despesas médicas pelo convênio, mas acabou tendo o apoio da empresa em que trabalhava como advogado, a Votorantim. Estava às voltas com o exame de compatibilidade, que deveria ser feito por seus irmãos, para um transplante de medula. A expectativa era grande, pois tinha mais de 12 irmãos!  Mas não foi o que aconteceu: não houve compatibilidade alguma para o transplante ser realizado e ele acabou falecendo dois dias após a festa de confraternização no Seminário, numa segunda-feira, dia 01.09.97. Ele nasceu em Ipaumiri (CE), em 22.03.1947. Estudou no seminário entre 61 e 64. Em nossos contatos, lembrava sempre de alguns colegas seus da época: Vitor e Valter Cruz, Cláudio Fondello, Walter Correa e Osório D’Elboux.

 

Bodas de ouro

Em 08 de dezembro de 1996, nosso querido mestre dos primórdios do Seminário do Ibaté, Cônego José Mayer Paine, celebrou 50 anos de sacerdócio. O nosso informativo, jubiloso, louva o Senhor e canta ações de graça e o abraça carinhosamente. Pe. Payne tinha um ótimo aparelho de som. Em todas as festas de palco era armado no refeitório o infalível e vibrante  som do Pe. Payne. Lembramos até hoje da Polonaise Militaire.

 

E-mails recebidos

·        ISMAEL CASSIANO (Estilingue) 1958-61 – Visitei a página do Ibaté na Internet e fiquei surpreso em saber que o número de visitantes desta página está superando as expectativas. Gostei muito do conteúdo. Devo elogiar também o n. 18 do Echus do Ibaté, que recebi nesta data. Estou sugerindo que seja feita uma página que possa ser impressa. Aproveito a oportunidade para solicitar a retificação de meu email. O correto é rcassiano@sti.com.br. Abraços

·        JOSEPH E. S. AMARAL (Santista) 1963-68 – É com muito prazer que recebi notícias suas. Desculpe-me por não lhe ter respondido antes. Você e o “Careca” me pegaram de surpresa!  Depois de 30 anos!  Tento reviver certos fatos ou experiências que passamos juntos em S.Roque, apesar do tempo o que me lembro são boas imagens. Gostaria de bater papo com todos vocês. Eu não tentei comunicar com o Sun e Pe. Thomas. Agora estou muito ocupado. Eu trabalho na National Broadcasting Company (NBC) em New York City. Abraços.

·        LUIZ GONZAGA CRUZ 1957-58 – Estou comunicando, aproveitando o ensejo para teste, que o meu email está errado na home page da Turma do Ibaté. O certo é mcalgc@Nutecnet.com.br   Protestos de estima.

 

 

DEZ ANOS SEM MONS. HAMÍLTON BIANCHI

LUIZ ALBERTO CORREA DA SILVA 1951-57

 

Ao assumir A Delegacia de Polícia de Cajamar, em setembro de 1971, recebi a visita de cortesia do vigário local, o qual, para minha satisfação, era o Pe. Hamilton José Bianchi, meu contemporâneo do Seminário do Ibaté.

A partir desse reencontro, acompanhei a missão do Pe. Hamilton à frente de sua paróquia, e fui por ele alertado sobre os graves problemas sociais existentes naquela cidade.

A maioria da população de Cajamar era constituída de trabalhadores  “explorados” pelo grupo “J.J. Abdala”,  fabricante do cimento “Perus”.  As pedras eram extraídas das rochas calcárias de Cajamar, num processo rudimentar e transportadas em vagões puxados por antigas máquinas a vapor ao bairro de Perus, na capital, onde era fabricado o cimento. O trabalho era muito penoso e mal remunerado pelo mau patrão.

E por ter abraçado a defesa dos injustiçados operários, que reivindicavam melhores salários e condições de vida mais humanas, Pe. Hamilton estava “fichado” no DOPS.

Recordo-me que no dia 20 de janeiro de 1972, data comemorativa de São Sebastião, padroeiro de Cajamar, policiais do DOPS paulista ocorreram à cidade a fim de gravar a homilia do Pe. Hamilton, crentes de que, mais uma vez, o sacerdote sairia em defesa dos explorados operários. Estava em vigor, na ocasião, o regime militar e todo aquele que praticasse atos considerados incômodos ao governo deveria ser conduzido ao DOPS para averiguações. Pe. Hamilton, entretanto, “iluminado”, cauteloso e perspicaz, somente dissertou sobre o santo padroeiro.  “Desapontados”, os policiais retornaram ao DOPS sem nada digno de registro.

Passados os anos, por várias vezes reencontrei oo já então Monsenhor Hamilton, em Jundiaí, minha terra natal, onde ele foi Vigário Geral da Diocese, professor do Seminário Diocesano, coordenador da Pastoral Diocesana, além de ter organizado o Curso de Teologia para Leigos.

Mons. Hamílton era muito querido na cidade por externar radiante simpatia e, em virtude de suas opiniões convincentes, era sempre procurado pela imprensa jundiaiense quando surgiam fatos polêmicos na sociedade.

Mas em agosto de 1986, renunciou aos seus cargos para dedicar-se totalmente à catequese, como presbítero itinerante nos Estados do Pará, Amazonas e Rondônia.

Sua missão catequética, contudo, teve rápida duração: eis que no dia 03 de outubro de 1987, faleceu em Porto Velho (RO), quando desempenhava seus trabalhos evangélicos. Seus funerais foram realizados em Jundiaí, onde se encontra sepultado no Cemitério dos Ipês.

Transcorridos dez anos de seu falecimento, Monsenhor Hamilton continua vivo na memória e no coração dos que conheceram a grandeza de seu espírito e de suas atitudes.