ECHUS   DO   IBATÉ

INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP

No. 22  -   Ano  06 – AGOSTO DE 1998

EDIÇÃO INTERNET

 

 

EDITORIAL

O tempo passa e nós nos fortalecemos  no vínculo da amizade. Nosso  Informativo nos une e nos leva, ora a um passado distante e saudoso, ora ao presente feliz do encontro, da confraternização, do apoio mútuo, e à certeza de que o futuro se apóia na convicção de que não estamos sós.

Daqui a um ano, estaremos juntos para celebrar o nosso cinqüentenário. Desde já, coloque na sua agenda: dia 21 de agosto de 1999, mas, sobretudo, coloque no seu coração a expectativa do nosso reencontro. Faltam 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias para nossa celebração. Começou a contagem regressiva.

O Attílio, em sua crônica, tece comentários interessantes sobre a Páscoa dos ex-alunos. O Waldemar Waldir nos brinda com sua poesia e o “recordando” nos revela a fecúndia do Joaquim. Novos colegas são contatados e os acolhemos com júbilo.

Eis o nosso Informativo que requer o seu apoio e a sua colaboração. Envie seu artigo; manifeste-se.

 

FESTA JUNINA

No último dia 27 de junho, um sábado ensolarado, dia do jogo Brasil 4 X Chile 1, os colegas ibateanos se reuniram no Pesqueiro Três Lagoas, em São Roque, para comemoração dos festejos juninos.

Logo cedo, o Rovirso, munido de equipamentos de última geração (recentemente importados do Canadá), armou na beira do lago principal, no lado oposto ao bar, linhadas de espera e varas com molinetes, tudo abastecido com iscas importadas. No mesmo lago, no lado em frente ao bar, o Ranulfo, assessorado pelo Santiago (quando ainda sóbrios – os dois!), providenciou a instalação de vários equipamentos para pesca (também todos importados “from Mabel”). No lago menor, pescavam as filhas do Francimar, Bruna, de oito anos e Beatriz, de doze, equipadas com uma varinha de bambu e minhocas cedidas pelo pesqueiro.

No final da festa, durante o jogo do Brasil assistido na televisão do bar onde era servido vinho quente, quentão, pipoca e bolo de fubá, as filhas do Francimar contavam os peixes capturados (mais de 6 quilos!), o Rovirso contava as latinhas de cerveja consumidas por ele e pelo Paçoca e o Ranulfo continuava pescando, sem nada conseguir.

 

CIRCOLO – BOI NA BRASA

Queremos lembrá-lo e convidá-lo  para as primeiras sextas-feiras. Novos colegas estão aderindo e os encontros têm sido momentos preciosos. Venha e sinta você mesmo a alegria de estarmos juntos. Boi na Brasa agora na Rua Marquês de Itu, 188 – São Paulo-SP

 

CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

 

Estiveram presentes à missa de Páscoa, no dia 06 de junho mais de sessenta pessoas, entre ex-alunos, padres e familiares (cinco colegas estiveram presentes pela primeira vez nos eventos patrocinados pelos colegas do Ibaté).  Após a missa, por mais de uma hora, houve um animado bate-papo no lado de fora da capela. Em seguida, dado o adiantado da hora, vinte e três famintos ibateanos se dirigiram a uma churrascaria, prolongando por mais algum tempo a gostosa confraternização.

 

BAILE

José Lui manda avisar que já contratou grande baile para setembro.

 

ALCACHOFRADA

Vem aí a terceira alcachofrada em São Roque, na primeira semana de Outubro.

 

 

PÁSCOA DOS EX-ALUNOS DO IBATÉ

ATTÍLIO BRUNACCI (1949-1955)

 

Aquela pequena nota sobre a nossa celebração da Páscoa publicada no último Echus do Ibaté (no. 21), fez minha imaginação funcionar. Imaginei, então, a manhã daquele sábado, dia 6 de junho de 1998, quando um grupo de colegas do Ibaté, acompanhados de seus familiares,  se encontrou cna capela do Colégio das Irmãs Filippini (Freguesia do Ó) para celebrar a Páscoa dos ex-Alunos. Resolvi escrever esta pequena crônica para o nosso Informativo.

Entre parêntesis, aquele encontro foi mais um feliz evento “bolado” pelos abnegados coordenadores de um movimento que, há vários anos, vem criando maneiras e oportunidades de aproximar as centenas de amizades e de coleguismos que foram criados nos bons (?) tempos de seminário.

Ora, pois. Lá na capela estava o querido e fleugmático Côn. Noé Rodrigues, professor de matemática no ano de 1951 (há 47 – quarenta e sete .. – anos atrás!!!) para rezar a missa concelebrada pelos colegas: o Pe. João Rípoli (o Janjão, de 1957), que veio especialmente de Ribeirão Preto para estar com a gente, o Pe. Antônio Aparecido (O Cido, de 1959 a 1964), o Pe. Wilson Sales (o Sabé, de 1967 a 1970)) e o Pe.Cândido da Costa (de 1971 a 1973).

O Cido foi muito feliz quando transformou a sua homilia em uma saudosa recordação dos tempos de adolescência e de juventude vividas no Ibaté. Lembrou ele, - à maneira de uma indagação para si mesmo – quantos garotos não estariam lá no seminário sem saber exatamente o que fazer do seu futuro, surgindo no íntimo de cada um angústias e sofrimentos com a perspectiva – ou sem a perspectiva? – da vida que tinham pela frente.

Lembrou também o empenho e a dedicação dos padres e professores em forjar nos seminaristas um caráter de retidão, vinculado ao compromisso de sempre atender ao bem comum do povo.

Não é exagero registrar que essa celebração Pascal se prolongou após a missa, com um bate-papo de todos os colegas presentes. Por várias horas, todos teimavam em ficar matando as saudades, uns dos outros.

Foi, enfim, uma celebração diferente.

Mas, por que diferente? Por que essa celebração da Páscoa?

Todos nós sabemos que a palavra Páscoa significa passagem. Na cultura da sociedade, nós costumamos celebrar cada passagem importante da nossa vida. Celebrar quer dizer tornar célebre, tornar inesquecível. Por isso, sempre  recebe um tratamento diferenciado; é sempre lembrada e dela ninguém se esquece: o nascimento, o aniversário, o diploma, a puberdade, o casamento, o primeiro emprego, os quinze anos, os cinqüenta nos, as bodas, etc ... E, por que não?, até o falecimento.

Então, foi uma celebração diferente porque, naquela manhã de outono de junho, tornamos inesquecíveis, ao mesmo tempo, três passagens históricas: uma, relacionada com a Páscoa Judaica, lembrando a passagem do povo Judeu pelo Mar Vermelho, a caminho da felicidade da terra prometida; outra, relacionada com o povo Cristão, lembrando a passagem da morte para a vida do Cristo Ressuscitado, devolvendo-nos a esperança de uma vida nova, a esperança daquela mesma felicidade que Deus prometera ao povo Judeu; a terceira, - a que nos toca mais de perto na história – a nossa passagem pelo seminário do Ibaté, que tentou com a melhor das intenções (diga-se de passagem ...)  dar-nos um futuro, também, de felicidade ao preparar-nos para a vida no exercício do sacerdócio ministerial ou no exercício do sacerdócio do nosso casamento ou da nossa profissão.

Celebração da Páscoa!

Inesquecíveis passagens!

 

 

COLEGA DO IBATÉ NA COMISSÃO JURÍDICA DA OEA

O nosso colega João Grandino Rodas (1960/61) foi reeleito para a comissão jurídica da OEA (Organização dos Estados Americanos), conforme notícia veiculada no Jornal “O Estado de São Paulo” de 16.06.1998, que reproduzimos abaixo”

A OEA reconduziu o professor brasileiro João Grandino Rodas, por quatro anos, para integrar a Comissão Jurídica Interamericana da Entidade.

Efetuada pelos trinta e quatro países da OEA, na sessão da Assembléia Geral em Caracas, a eleição foi renhida, pois havia seis candidatos para três vagas.

A Comissão, Órgão Colegiado de Consultoria Jurídica da OEA, estabelecida em 1906, é considerada o órgão jurídico internacional mais antigo ainda em atividade.

É com alegria e orgulho que os colegas do Seminário de São Roque abraçam o colega, com votos de profícua gestão.

 

 

POESIA

Do livro HABITANTE DO SILÊNCIO do nosso colega  Waldemar Waldir de Faria (1955-58).

 

 

fim

 

sei, sim

que tenho que partir.

quero levar as palavras

que não disse,

os pedaços de meu presente

que não usei

e todo o passado vivido e morto

 

não me voltarei

e nem olharei

o vazio de meus passos.

 

vou confundir-me

com a linha do horizonte

e aprisionar-me

nos primeiros raios de sol

 

 

NOVAS AQUISIÇÕES- SEJAM BENVINDOS!!!

É com muito júbilo que acolhemos os novos colegas:

·         ARY JOLY (1949/55)

·         CLÁUDIO COELHO DE LIMA (1967/70)

·         FILIPPO ANTÔNIO SÉRGIO D’ÓRIA (1969)

·         LUIZ JOÃO CORRAR (1959/60)

·         WILLIAN PAULO CÂMARA (1962)

·         LUIZ HUMBERTO VERARDO (Seminário Diocesano de Campinas).

 

 

 

 

SEM GRANA, NÃO HÁ JORNAL

sine denario, nullus informativus

sens l’argent, pas de journel

senza quatrini, non c’è giornale

no money, no news paper

si no hay la plata, non hay el periodico

sem grana, não há jornal

 

 

Nosso informativo atingiu o no. 22 com tiragem aproximada de 600 (seiscentos) exemplares. Os gastos referentes a sua impressão e distribuição estão sendo bancado por doações advindas de uns poucos colegas e de rifas realizadas no passado.

Os recursos, todavia, chegaram ao fim. Estamos necessitando, pois, de um apoio mais concreto da parte de nosso prezado amigo.

Envie sua contribuição para mantermos este pequeno, mas importante meio de divulgação de nossas memórias e de nossa amizade. Faça um Depósito Instantâneo Bradesco para a conta 226990-2, agência 95-7 (Nova Central-SP). Envie-nos uma cópia do comprovante de depósito, com o seu nome no verso, para podermos anotar em nosso livro as doações ou remeta-nos o comprovante para o Echus do Ibaté, Cx. Postal 61, 13320-970  Salto-SP ou por um fax (11) 864.8852.

O valor e a freqüência é você quem decide. Como sugestão, que tal R$ 5 ou R$ 10,00 por mês, ou então, um valor por semestre ou por ano.

A Família Ibateana agradece.

 

 

 

RECORDANDO

 

Reproduzimos relíquia encontrada nos alfarrábios do Ibaté. Um pirulito par quem descobrir a profissão do Joaquim Barbosa de Oliveira:

 

 

Salve Maria !

Joaquim Barbosa de Oliveira

UMA NOITE DE LUAR

 

Já se apagou no poente o brilho afogueado do crepúsculo. A noite envolve todas as coisas com o seu manto de trevas. Tudo é serenidade e um profundo silêncio impera sobre a natureza adormecida. Apenas o farfalhar das palmeiras e o bafejar suave da aragem quebram o encantamento dos espíritos contemplativos. No firmamento cintilam miríades de estrelas. Estas formam um como séqüito, iluminando a estrada real por onde  desliza, grave e pálida, a rainha da noite. A lua, ora se esconde atrás de uma cortina de nuvens alvacentas e aparecendo logo após, segue com toda a majestade a sua rota salpicada de pontos luminosos que tremeluzem à sua passagem. As árvores, as plantas, os objetos enfim, tomam formas extravagantes alumiados pela sua luz débil.

Ao contemplar a beleza dos astros e considerando a ordem admirável que reina entre eles, louvamos a inteligência criadora de Deus.

Ad Majorem Dei Gloriam !

 

Composição para o exame final de 1953 – IV série

 

 

 

Ø

 

 

 

 

Conforme nosso Informativo no. 12, de setembro-outubro de 1996, em uma de nossas visitas ao Seminário, encontramos, em uma sala ao lado do teatro, um velho caderno velho, já sem capas e com suas folhas bastante amareladas pelo tempo. Era um diário sem data. Seu autor, também desconhecido. Tal qual o fizemos naquela oportunidade, transcrevemos agora, para o deleite de nossos leitores, mais um trecho deste curioso e testemunhal manuscrito:

 

Meu diário ...

Este ano, nós estamos tendo inglês pela primeira vez. O professor é o Formigão, uma pessoa diferente, mas interessante.

O Formigão (não sei porquê ele tem esse apelido) é grandão e barrigudo. Usa gravata vermelha, lenço no bolsinho e suspensório bem largo. Ele fica andando pelos corredores, entre as carteiras, com a mão esquerda presa entre o suspensório e a barriga volumosa. Com a mão direita ele faz um relógio cebolão, preso a uma grossa corrente, ficar girando constantemente, enquanto dita frases sem sentido para serem traduzidas para inglês pelos alunos.

Dizem que ele também é um excelente violinista, além de atuar como advogado na cidade de São Roque.

Quase todo mundo está indo mal nessa matéria e isso nos deixa muito preocupados, principalmente porque o pessoal mais velho disse que o Formigão costuma deixar mais da metade da classe de segunda época.

Outro dia o Délicus teve um chilique (ele é meio pó de arroz, mariquinha). Ele estava nervoso porque não conseguia copiar todas as frases. Quando o Formigão ditava uma frase do tipo: - o menino viu seu cachorro amarelo atrás da janela vermelha da casa verde com portas largas azuis – O Délicus, num impulso nervoso, disse para o Formigão que as cores não combinavam.

Após breve gargalhada de todos, interrompida pela voz grave do Formigão que passou um sabão em toda a classe, o Délicus saiu da sala agitado e chorando, enquanto o sino tocava encerrando a aula.

Impassível, o Formigão pegou sua pasta marrom e saiu da sala em direção à caminhonete do Luizão, que estava estacionada no pátio aguardando para leva-lo de volta para o centro da cidade de São Roque.

 
EXPEDIENTE

Colaboradores: Wilson Mosca, Waldemar Waldir, Alfredo Barbieri, Antônio José de Almeida, Márcio Pereira da Silva, Attílio Brunacci.

Artigos e colaborações:

ECHUS DO IBATÉ

Caixa Postal 61

13320-970 Salto-SP

Internet:  http://www.geocities.com/Athens/Delphi/8915

Emails: ibate@base.com.br    ibate@hotmail.com

Obs.: se possível, enviar material em disquete (texto em word e fotos em formato jpg)

 

Os Artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores, não expressando necessariamente a opinião da equipe de coordenação.

 

voltar