ECHUS   DO   IBATÉ

INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP

No. 23  -   Ano  06 – SETEMBRO DE 1998

EDIÇÃO INTERNET

 

 

 

EDITORIAL

Eleição: escolha, opção, preferência, predileção. Já fomos escolhidos por Deus para a vida, para ocupar o nosso espaço na sociedade. Sua preferência por nós se manifestou quando nos chamou para o Seminário e nos fez parte da grande família do Ibaté. Cada um fez sua opção, seguiu o seu rumo, levando consigo o tesouro da formação e do conhecimento. Por muitos anos, estivemos dispersos, mas agora, atraídos pela amizade, pela confraternização, pelas recordações de momentos raros e felizes, nos congregamos e reatamos laços preciosos do nosso passado. Como é bom nos encontrarmos, conhecer novos colegas, freqüentadores do mesmo Seminário que vivenciamos as mesmas emoções. Turmas de anos diferentes que acabamos de nos conhecer e logo parece que éramos velhos amigos. Há entre nós um lastro comum nos unindo. Aproveitemos e vivamos intensamente esta amizade.

Nossos colegas estão escrevendo seus livros, relembrando o nosso passado. Assim o Paulo Toschi escreveu “Palavra de Seminarista” e o Fanchini está preparando o seu, bem como uma equipe de colegas colhe material para sua publicação.

O Letterio relembra a Gripe Asiática e faz suas observações. O nos ensina a curar dores de dente. Colegas candidatos se apresentam à nossa análise. Voltam a nos enlevar os versos de Waldemar Waldir. E-mails são recebidos, promoções são preparadas e o nosso Echus vai registrando tudo, com carinho. Não se esqueça de agendar o nosso cinqüentenário, dia 21 de agosto de 1999.

 

POLÍTICA

Ex-alunos do Ibaté são Candidatos à Câmara Federal

Dois ex-alunos do Seminário do Ibaté são candidatos a Deputado Federal nas eleições do dia 04 de outubro próximo:

WALTER BARELLI – PSDB – no. 4513

·         Estudou em São Roque, de 1951 a 1956

·         Formado em Economia pela FEAUSP

·         Ministro do Trabalho (Governo Itamar Franco)

·         Secretário do Emprego e Relações do Trabalho (Governo Mário Covas)

·         Diretor Técnico do DIEESE por mais de 20 anos

·         Professor de Economia na UNICAM

MANOEL DE LIMA JÚNIOR – PSN  - no. 2121

·         Estudou em São Roque, de 1958 a 1959

·         Bacharel em Ciências Jurídicas pela USP – Largo São Francisco

·         Juiz de Direito

·         Funcionário da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo

·         Secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de São José dos Campos

Boas Sorte!   São os votos de todos os Ibateanos.

 

CIRCOLO – BOI NA BRASA

Queremos lembra-lo e convida-lo para as primeiras sextas-feiras. Novos colegas estão aderindo e os encontros têm sido momentos preciosos. Venha e sinta você mesmo a alegria de estearmos juntos. Boi na Brasa, agora na Rua Marquês de Itu, 188.

 

ALCACHOFRADA

Será realizada no dia 17 de outubro próximo no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora do Carmo, da Aclimação, Rua Brás Cubas, 163 – Bairro da Aclimação, gentilmente cedido pelo Cônego Laerte Vieira da Cunha, organizada pelo nosso colega Pedro Sansone.

Menu: Aperitivos, entradas, três alcachofras por pessoa, risoto de alcachofra, carne assada, maionese e sobremesa.

Preço: R$ 15,00, com direito a três latas de cerveja e um refrigerante por pessoa adulta. R$ 10,00 com direto a três refrigerantes por criança até 12 anos.

Adesão: Impreterivelmente até o dia 09 e Outubro próximo, mediante confirmação e depósito do valor correspondente na conta corrente 226990-2, ag. 95-7 (Nova Central-SP)  Depósito Instantâneo Bradesco. Envie-nos cópia do comprovante de depósito com seu nome no verso e número de pessoas (adultos/crianças). Remeta-nos para o Echus do Ibaté, Cx. Postal 61 – 13320-970 ou via fax: (11) 864.8852.

Confirmação: Através dos telefones: Pedro Sansone – 570.4473, Wilson Mosca – 864.8852, Márcio P. Silva – 543.7861, Antônio José de Almeida, 876.2931 e Antônio Carlos Correa 575.5013.

 

POESIA

Do livro HABITANTE DO SILÊNCIO, do nosso colega WALDEMAR WALDIR DE FARIA – 1955-58

simplesmente.

 

a noite fica

fora do meu peito.

que se diga de mim

que fui um poeta

das emoções mal vividas

 

que se diga de mim

que fui um trovador

cauteloso de algum

castelo fascinante.

 

que se diga de mim

que fui uma palavra

deixada ao vento, sem caminho,

sem vez.

 

que se diga de mim

que fui andarilho,

após aqueles

que me precederam.

que se diga de mim

 

que não trago mais em meus olhos

o heroísmo, nem a paixão ...

 

mas, que se diga de mim

que fui simplesmente

um coração só.

 

IRMÃ AURORA

O Márcio Paçoca esteve na cidade de Campos do Jordão e encontrou, na Casa de São José, a Irmã Aurora Domingos dos Santos, que trabalhou no Seminário de São Roque, entre os anos de 1968 e 1972.

 

MISSA DE ENCERRAMENTO

            Dia 04 de Dezembro, 1a. sexta-feira do mês na Igreja Nossa Senhora do Carmo, na Aclimação, Missa de Encerramento do Ano Ibateano

 

COMO CURAR DOR DE DENTE

ALFREDO BARBIERI (1949-53)

 

Nesta primeira sexta-feira, o Iô (João Batista da Silva – 1951057)  nos relatou o seguinte:

Estava ele no Seminário, à noite, quando todos dormiam, sentiu forte dor de dente. Não conseguindo dormir, levantou-se e, não querendo incomodar ninguém, foi à enfermaria, arrombou a porta e começou a vasculhar os medicamentos à procura de um sedativo. Encontro uma cera “Cinco minutos”, para dor de dente. Pegou um pedaço de gaze, colocou o remédio tapando a panela dentária e foi deitar-se. A dor não passa e volta à procura de novo lenimento. Após longa pesquisa, encontrou um comprimido de Alka Seltzer (nem sei se ainda existe; corresponde ao Sonrisal). Pensou: “para grandes dores, grandes remédios”. Enfiou um comprimido na boca e bebeu água. Resultado: o efervecente enfervesceu e o nosso iô, com a boca espumando, enfiou a cabeça no vitrô e Fuó ... Fuó ... era uma espuma só pela boca e pelo nariz. Pois não é que a dor sumiu?!

Ainda hoje, quando alguém de sua casa se queixa de dor de dente, ele logo receita: Alka Seltzer!

 

 

A GRIPE ASIÁTICA

LETTERIO SANTORO (1955-59)

 

Foi nos tempos da gripe asiática que constatei, no colégio do Ibaté, a maliciosa conjuração dos adolescentes contra a censura dos superiores.

A gripe havia prostrado em cama quase metade dos estudantes do internato. Uma calamidade! Mas o espírito dos alunos em nada fora abatido. Ao contrário. O convívio obrigatório dos doentes, as longas horas de convalescença e o distanciamento da comunidade permitiram uma troca inesperada de confidências, de outro modo, proibidas. E muito jovem, depois da epidemia, saiu do dormitório reservado com a alma por demais modificada.

Robson, por exemplo. O inocente, o ingênuo, o pacato Robson tornou-se insuportável quando retornou às atividades normais.  Havia sido colocado no meio da turma do Toledo que, por incrível coincidência, se juntara num canto só. O Toledo e seu bando eram conhecidos no Seminário por seu espírito de contestação. Se os superiores desaconselhavam um filme, eles eram os primeiros a assisti-lo.  Se uma revista parecia duvidosa, lá se iam eles folheá-la com vagar. Dentro do colégio, porém, a contestação era mais difícil. Não se conseguia tudo. E aproveitara-se então do ajuntamento dos colegas e do afastamento da vigilância para simplesmente se vingar. Quem os veria? Quem os ouviria?

De qualquer modo, a fim de prevenir possíveis surpresas, imaginaram um modo de atrapalhar a censura. Foi no ponto mais alto da gripe, quando o Toledo e seus companheiros já se restabeleciam, e muitos estudantes os cercavam. Tinham de aproveitar a hora. Às escondidas, conseguiram interligar, com engenhos especiais, uma cama com a maçaneta da distante porta. Porque o grande dormitório, inteirinho, se havia transformado em enfermaria. A aparelhagem quase invisível permitir-lhes-ia calar a boca a tempo, e a tempo recompor-se nas camas, se porventura um padre apontasse na porta. E riam-se a valer da peripécia que lhes permitia, sob as barbas da censura, ousar dentro do seminário o que nunca se havia ousado. Alívio do Toledo e seus camaradas. Consolação para os curiosos mal saídos ainda da febre arrasadora. E contavam as piadas mais sujas, mais escabrosas. Os pobre ouvidos do Robson estrilavam a princípio diante de tanta barbaridade. Depois acostumaram-se às descrições de cenas sensuais de revistas e de casos acontecidos. Dizia-se de jovens que, dentro do colégio, apresentavam-se castamente, mas que lá fora aprontavam das suas. O que mais proibido fosse para os alunos, mais era tentado ali. A grande segurança contra a expulsão certa estava-lhes à mão. Um dia testaram sua aparelhagem com um suspiro de alívio. Porque ao ouvir tantas gargalhadas, uma tarde, um superior cismou em pegá-los em flagrante. Foi abrindo a porta bem devagarinho, e foi entrando à socapa. Só que iam morrendo também as gargalhadas, e mal percebeu ao longe o eco do último psit de quem se deitava às pressas. O fiozinho salvador funcionara.

Depois que a pessoa do censor passara por ali e se fora, risadinhas maliciosas indicavam o sucesso completo da operação que marcou época na história do colégio durante a gripe asiática.

 

 

NOSSA CORRESPONDÊNCIA

 

WALTER BARELLIQuem é quem na foto?   Prezados amigos do Echus, O retrato reproduzido na página 3 do último Echus (no. 22, ago/98) é do ano de 1955, penso eu. Porém, vocês fizeram uma malandragem para confundir os leitores: esse retrato saiu invertido! Eu, por exemplo, deveria estar no lado esquerdo de quem vê a foto original; saí no lado direito. Echus inverteu tudo! Assim mesmo, deu pra reconhecer quase toda a turma da Banda Musical “Santa Cecília”, a “Furiosa”. 

João Barizon e João Batista de Oliveira (Iô), no baixo tuba; Antônio Andrietta, Darcy Carnelutti e José Lui, na clarineta; Holien Bezerra, João Batista dos Santos e José Geraldo (o Itapecirica) no piston; Antônio Milan e Nelcindo Mosca, no bombardino; Luiz Pedro de Araújo (o Vó), na caixa; Attílio Brunacci (o Tatu), nos pratos; Walter Barelli, quem subscreve estas linhas, no bumbo. Ainda têm as autoridades que estão sentadas (da esquerda para a direita): Pe. Waldemar Conceição no bombardino; Seu Juquinha, o Maestro, nessa época, com 80 anos de idade; Mons. Luiz Gonzaga da Silva, o reitor do Ibaté; Dom Antônio Maria Siqueira, bispo-auxiliar; Pe. Expedito Marcondes no piston; Pe.Francisco Vieira, hoje bispo de Osasco, na clarinete.

O tempora! O mores!

Um abraço do amigo de sempre,

Walter Barelli.

ECHUS RESPONDE: realmente, por falha na composição do informativo, a fotografia saiu invertida

 

COLEGA  LOCALIZADO: SEJA BENVINDO!!!

O Antônio Simões nos anuncia que localizou o colega:

·         SÉRGIO SANTANA – 1968-69

 

 

EXPEDIENTE

Colaboradores:

·         Wilson Mosca

·         Waldemar Waldir

·         Letterio Santoro

·         Pedro Sansoni

·         Carlos Domingues Cosso

·         Gilberto Cianflone Lucarts

·         Alfredo Barbieri

·         Antônio José de Almeida

·         Walter Barelli

Artigos e colaborações:

Echus do Ibaté

Caixa Postal 61

13320-970 Salto-SP

Internet:  http://www.geocities.com/Athens/Delphi/8915

Emails: ibate@base.com.br    ibate@hotmail.com

Obs.: se possível, enviar material em disquete (texto em word e fotos em formato jpg)

 

os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores,

não expressando necessariamente a opinião da equipe de coordenação.

 

 

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