ECHUS   DO   IBATÉ

INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP

No. 55  -   Ano  09 – JUNHO DE 2001

EDIÇÃO INTERNET

 

 

NO TEMPO DO PE. PASCOAL AMATO

ANTÔNIO JURANDIYR AMADI (1951-57)

 

Ele não se preocupava em crescer fisicamente, para fazê-lo em sabedoria e santidade. Era de uma piedade marcante. Foi Diretor Espiritual, professor de português e literatura nos meus tempos de Seminário. Sempre acompanhado de seu inseparável ALBALAT, Pe. Pascoal nos proporcionou, além do saber, inesquecíveis momentos de arte da composição e estilo. Orientava-nos enérgica e caridosamene nos tropeços lingüísticos e nos indicava pari passu o correto caminho nos arroubos e incursões literárias. Apesar de seu desvelo no ensinar, alguém sempre havia que, num rito sumário, imaginava ter aprendido, transformando-se pela inconseqüência em motivo de hilairedade e anedotário naqueles tempos saudosos

Lembro-me em detalhe de um deles – colega de classe – que se encantara pelo estilo de Luiz de Gôngora e por seus preciosismos vocabulares. O encanto fez-lhe do dicionário uma fonte inesgotável de extração ad nauseam de vocábulos, para desgraça do sentido e do texto produzido. Assim, num trabalho de sua lavra sobre Ruy Barbosa, nasceu esta pérola: “Ruy Barbosa, pistilo áureo de farfalhante eclosão obrava com estética”.  Naturalmente, na cabeça dos outros ouvintes apenas ficou compreensível o final de sentido óbvio, embora nada ortodoxo para a época e lugar.  Ruborizado, o piedoso Pe. Pascoal, contendo o riso, saibamos àcustga de que sacrifício, não teve como cercear o de seus alunos.

Todavia a melhor produção de nosso candidato a escritor estava ainda por vir. Após uma aula sobre versificação (métrica, rima e comitante caterva), Pe. Pascoal pediu-nos que, pelas informações recebidas, cada qual fizesse uma poesia sobre um assunto qualquer. Nosso gongórico colega não entenderá quiçá muito bem o que era méetrica e concluiu que, falando devagar, prolongando as vogais, aumentaria o número de sílabas e, falando depressa, num só fôlego, diminuiria o seu número. Armado desse sofismático conceito (que tento reproduzi-lo escrevendo), compôs e declamou a preciosidade abaixo para estupefação e gargalhada geral:

“Aaa prooociiiçããão seeeguiiia leeentoooo, leeentooo

EasvelhardoapostoladosaíramcorrendoaterásdaprossiçãodoSantíssimoSacramento”.

Pe. Pascoal, na aurora de um novo Encontro em São Roque, a que a morte um tanto prematura tolhe-lhe estar presente, Deus lhe pague pelo orientador, pelo mestre e pelo amigo que foi. Intercede por nós na casa do Pai.

 

NOSSAS ORAÇÕES

Através de nosso colega Clóvis Baroni (1953/58), tomamos conhecimento de que Dom Décio Pereira (1955-59), atual Bispo de Santo André (SP), encontra-se temporariamente afastado de sua Diocese para poder cuidar de sua saúde. A família ibateana se une em oração pedindo ao Pai Celestial seu pronto restabelecimento.

 

 

ROLANDO ZANI  (1959-63)  LANÇA SEU 9O. LIVRO

Nosso colega do Ibaté, médico, cirurgião-plástico e professor, lançou no último dia 07 de junho, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em São Paulo, seu 9o. livro, versando sobre sua especialidade, intitulado:  PLÁSTICA -  QUANDO? POR QUÊ, pela Editora Manole.

Diversos colegas do Ibaté, além de inúmeros amigos, clientes e parentes, prestigiaram o  acontecimento.

Ao Rolando, nossos parabéns !!!

 

 

O PÁTIO DO RECREIO DO COLÉGIO DE IBATÉ

LETTERIO SANTORO (1955-59)

 

Quando, de dois em dois anos, visitamos, nos Encontros de antigos companheiros, o velho colégio de Ibaté, e andamos pelo pátio do recreio em meio às árvores e gramados atuais, não se pode fazer idéia de como era aquele espaço nos idos de 1955 a 1959. O que hoje é um belo jardim, com verdes e sombras, era, naquele tempo, um pequeno deserto, onde uma molecada cheia de vida gastava suas energias se agitando no chão rústico e pedregoso. Cercado pelo lado da Capela e do Teatro, pelo lado do Refeitório, pelo lado da Gruta e pelo lado dos quartos dos Padres, o centro do quadrado do recreio não tinha mais do que um arbusto, uma espécie de marco zero a indicar o exato meio do pátio. Um único arbusto solitário crescendo timidamente em meio ao circunstante deserto. E tanto me impressionou a viva criatura com vergonha de brotar no inóspito ambiente que compus, em sua homenagem, nua poesia denominada “Comparação”, cujos versos, todos, são de única rima. Naquele tempo achava eu que a métrica e a rima eram partes essenciais da poesia. Começava assim o poema de 1959”

“No meio do recreio, abandonada

sem vida, sem valor e desfolhada

erguia-se da terra mal regada

árvore esquecida, descuidada ...”

No grande quadrado seco e duro, havia dois espaços para o jogo de vôlei, ambos do lado dos quartos dos Padres, discerníveis pelas traves de madeira onde se amarravam as esticadas redes. Ignoro se era um campo por Divisão, e a que Divisão pertenciam, pois me lembro de ter jogado nos dois. Do lado da Gruta de Lourdes e mais perto do ?Refeitório, havia o mastro do Espiribol, onde quatro adolescentes atiravam para os parceiros uma bola ovalada presa a uma corda no alto da haste que ficava no centro do círculo. Finalmente, no ângulo do grande salão de estudos, corria um espaço livre, onde se jogava a queimada, ou, nas frias manhãs de inverno, o Manuspila, espécie de tênis cuja raquete é a própria mão dos dois que disputavam. A bola, atirada de um lado para outro, era afeita de meia. Não seria necessário dizer que aquele espaço deserto era atravessado por nós várias vezes ao dia. Logo cedo, por exemplo, diante da Gruta de Lourdes, fazíamos a ginástica. Depois do almoço, praticávamos esportes, isto é, vôlei: gostava de levantar a bola para as cortadas do Reghin. Outros jogavam o Espiribol. Aliás, nosso companheiro José Benedito, em 1959, em plena adolescência, foi prostrado pela morte no espaço do Espiribol: uma página de meu Diário registrou o episódio. Pelo pátio do recreio também, de manhã, à tarde e à noite, duas filas indianas de crianças e jovens, vestidos de uniforme cáqui, mãos para trás, iam e vinham de uma atividade para outra. Mas não posso esquecer que, após o jantar, nós nos entretínhamos, separadas as Divisões dos pequenos, dos médios e dos grandes, com brincadeiras, ainda e sempre no chão deserto do pátio. Era a recreação da noite: nós nos movimentávamos, tínhamos de ficar atentos, espertos, e com isso, passávamos ocupados durante algum tempo. Depois, íamos para o salão de estudos, para a Capela, e para o dormitório ...

Termino afirmando que o que mais me impressionou no vasto quadrado do pátio do recreio foi aquele  arbusto a crescer, solitário, no centro do deserto. Era como se a vida brotasse do chão duro. O poema que aquela árvore me inspirou conclui da seguinte maneira”

“Assim nossa vida desgraçada

sozinha, solitária, acabrunhada

a alma, sem consolo e desgastada

recorda-se da vida já passada”

Eu me comparava à árvore do centro do recreio quase a secar (era a minha fase pessimista), quando antes havia recebido tanto cuidado nos tempos da plantação da muda, que eu comparava à minha infância. Tudo isso me lembra o pátio do recreio no colégio do Ibaté, tão longe de mim, tão dentro de mim!

 

 

ECOS DA TRIBUNA

LITTERAS DISCERE IN SINU MATRIS

Transcrição da Edição no. 17, de abril/maio de 1958

  ANSEIOS

EUFRÁSIO MARTINS – 6A SÉRIE

Quisera, Virgem Bondosa

contemplar treu coração

e qual alma dadivosa

enchê-lo de gratidão.

 

Depois, num êxtase infindo,

de transparente doçura,

em célico amor fremido

celebrar teua candura

 

Mãe, peço muito, talvez

pouco amor meu peito encerra

para amar-te um só vez.

 

Morto, tudo se desterra,

mas o amor não se desfez.

Pulsará por ti na terra! ...

 

 

CORRESPONDÊNCIAS E E-MAILS RECEBIDOS

 

JOSÉ MAYER PAINE, CÔN. (Professor) – À Coordenação do Echus do Ibaté, Cordiais Saudações !  Tnho recebido regularmente o Informativo dos ex-alunos do Seminário de São Roque e quero agradecer muito de coração a lembrança que ainda têm de um antigo professor e fundador desse benemérito Seminário e oferecer um pequenino donativo para que o órgão informativo continue vivo e, ao mesmo tempo, oferecer também um informativo de minha Paróquia, como prova de troca de amizades. Fazendo votos de felicidades a todos os ex-alunos, sobretudo, os que passaram pelas minhas mãos, envio a todos a minha bênção sacerdotal.

 

VERA LEANDRO DA SILVA  (Professora) – 1961-62 – Agradeço a vocês de terem me localizado. Eu não sabia desse informativo mensal. Agradeço também a remessa dos informativos out., nov., dez.2000, jan, fev. março e abril de 2001. Peço desculpas por não ter escrito antes, foi uma grande falha, mas eu tive alguns problemas e não pedi o acerto do meu nome. Fiquei muito contente ao ler meu nome nos colegas localizados no Informativo de abril de 2001. Vera Leandro da Silva; não tem Lúcia.

 

JOSÉ DOS SANTOS – Sampaulino – 1961-62 – Caros Coordenadores do Echus do Ibaté. Agradeço por ter recebido o Echus de abril. Vi que vários colegas de 61-62 são aniversariantes em maio. Gostaria de enviar e-mail para eles mas não tenho seus endereços. Por isso, peço para vocês a gentileza de reenviarem meus votos de felicidades para todos os aniversariantes, sobretudo para aqueles com quem convivi em 1961 e 1962. São eles: (...)  Grande abraço e felicidades  para todos.

ECHUS INFORMA: Os dados cadastrais de colegas do ibaté já localizados podem ser obtidos na nossa página na internet, no endereço .... que se encontra atualizada com informações que nos foram remetidas até o mês de maio p.p.

 

ANTÔNIO JURANDYR AMADI – 1951-57 – Prezado Wilson, Paz e bem!  Obrigado pela gentileza com que o Echus tem veiculado o convite para o próximo Encontro de Pirapora. São inúmeros os ex-alunos transferidos para o Ibaté em 1949, cujos endereços não possuímos. Agradeço, também ao Andrietta, de quem me recordo com especial carinho, pela generosidade com que se refere a mim, e pelos lapidares e deliciosos textos com que nos brindou no Echus de abril. Há um acervo de lembranças agradáveis e pitorescas do tempo de Seminário que não se pode perder. Lanço um repto aos colegas para que as escrevam e enviem aos responsáveis pelo Echus. Aproveito para anexar recordações um tanto pitorescas acontecidas em aulas do saudoso Pe. Pascoal Amato, cujo aproveitamento deixo-lhe a critério. Renovo, na oportunidade, a minha amizade e saudação fraterna a todos os colegas ibateanos. Até 1o. de setembro, se Deus assim o permitir.

EM TEMPO: O aluno falecido antes de 1953, aliás 21.02.1951, a que se refere o Andrietta, foi Jesus Canela Gotardello. Nós o chamávamos de Jésus (com acento).

 

DONIZETE APARECIDO MARTINS - 1970-73 – Queridos amigos, saudações em Cristo. Venho através desta, exteriorizar a alegria de reviver constantemente as inúmeras lembranças que nos unem e trazem à tona o ideal maior que embalava a nossa comunidade: a edificação de um mundo melhor, centrado nos ensinamentos de Jesus Cristo. Não abracei o sacerdócio, mas sendo educador e Conselheiro na Rede Municipal de Educação de Campinas, que atualmente é administrada pelo Partido dos Trabalhadores, que tem uma proposta de governo popular, democrática e participativa, me valho do conhecimento e sabedoria que adquiri durante a permanência no Seminário (São Roque e Penha), para contribuir eficazmente com a construção de uma história mais humana, mais justa e mais cristã. A luta continua!  A foto que mando, depois de publicada, gostaria, se possível, que fosse devolvida.

 

JOSÉ LAÉRCIO GHIDINI – 1960-61 - Olá, Simões. Espero que esteja tudo bem contigo. Aqui, graças a Deus, estamos todos bons. Já está fazendo calor, as árvores estão floridas, os passarinhos já estão cantando nos jardins. Incrível, como a natureza reage, há menos de 40 dias, era só neve, e, bastante. As árvores sem nenhuma folha, pássaros não se viam nem ouviam. É mesmo, um milagre divino. Estou fazendo minhas caminhadas diárias, agora, reconhecendo outros pontos na cidadezinha típica interiorana, com belas casas estilo vitoriano, na maioria, construídas de madeira. Penso que antigamente os construtores tinham mais bom gosto dos que de agora. As casinhas têm muito estilo, e olha, que na maioria já passa dos 100 anos. A que meu filho comprou, é de 1860. Ah, tenho uma novidade, estou fazendo um part time num asilo, só de sábado e domingo, das 7 as 7 pm. O asilo é como se fosse um hotel de luxo, os residentes tem todo o conforto e acomodações incríveis, com salas de jogos, entretenimentos, fisioterapia, restaurante, enfermeiras 24 hr. Bem, é melhor parar, porque senão eu vou rebaixar muito os asilos que conheço aí. Simões, um grande abraço, obrigado por você responder. Meu novo endereço: 18 Mechanic St. 01420 Fitchburg (MA) Usa.

 

COLEGAS LOCALIZADOS – SEJAM BENVINDOS !!!

 

O Antônio da Aparecida Simões Cuccio – 1967-68 – informa que localizou os seguintes colegas:

·         ROBINSON WACIL AUGUSTO DO NASCIMENTO (PARDAL) 1971-73

·         JOSÉ AMARO DE FARIA FILHO – 1969 –

·         MIGUEL CARLOS DA GAMA – 1967

·         DJALMA TADEU MOURA DE CARVALHO – 1967-69 e

·         GERALDO GONÇALVES PINTO  - 1955- 56

E também os falecidos:

·         CLÁUDIO RODRIGUES BITTENCOURT – 1950 – Falecido em 1986

·         DAGOBERTO PEDRO DA SILVA – 1963 – Falecido em 1990

·         MARCO ANTÔNIO SOARES DA SILVA – 1951 – Falecido em 1996

 

 

EXPEDIENTE

Equipe de Coordenação

·         WILSON MOSCA – 1955-57

·         JOSÉ CARLOS MARTUCCI – 1970-71

·         ANTÔNIO JOSÉ DE ALMEIDA – 1963-66

·         ATTÍLIO BRUNACCI – 1949-55

·         JOSÉ JUSTO DA SILVA – 1951-57

·         PAULO TOSCHI – 1949-53

·         MÁRCIO PEREIRA DA SILVA – 1967-70

·         ANTÔNIO CARLOS CORREA – 1964-67

·         ANTÔNIO DA APARECIDA SIMÕES CUCIO – 1967-68

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Echus do Ibaté

Caixa postal 71509

050020-970 São Paulo-SP

Se possível, enviar material em disquete (texto em Word e fotos em jpg)

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores, não expressando necessariamente a opinião da equipe de coordenação

            Internet:

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