ECHUS DO IBATÉ
INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ – S.Roque-SP
EDIÇÃO INTERNET
Pe. Cido Pereira (1959-64)
Curiosamente nós nunca passamos um Natal no seminário, não é mesmo? Os “superiores”- era assim que chamávamos a direção – tinham o bom senso de nos mandar para casa de férias e o nosso Natal era com os pais, irmãos, a parentada toda.. Nós íamos para casa, porém, muito bem preparados, na verdade mais para as férias, é claro, do que para o Natal também. Durante um mês, à tarde, na capela, ouvíamos uma preleção do diretor espiritual sobre os perigos que representavam as férias para a vocação. Entre os perigos, é claro, estavam as meninas, particularmente as primas, depois o cinema, depois a ociosidade, depois a falta de piedade. “Para a piedade não há férias” dizia o pregador olhando para a meninada silenciosa mais preocupada com o dia de pegar o velho trem de São Roque a São Paulo do que em prestar atenção aos alertas do diretor espiritual.
É claro, porém, que o Natal para nós tinha um significado muito grande. Porque durante o ano todos nós éramos incentivados a crescer no conhecimento e na vivência das verdades da fé. Vamos lembrar? De manhã, meditação e missa. Depois café da manhã com leitura espiritual – martirológio romano e vida de santo. Antes do almoço, visita ao Santíssimo. O almoço começava e terminava com oração. Depois do almoço, recreio seguido de mais visita ao Santíssimo Sacramento com os textos de Santo Afonso de Ligório. Aula nenhuma começava sem oração. À tarde, encontro com o diretor espiritual na capela. Depois da janta iniciada e terminada com preces, o terço no pátio, em grupos, num ir e vir estranho. Um grupo de seis pessoas, por exemplo, se dividia em dois que ficavam frente a frente. E caminhavam daquele jeito, isto é, três pra frente e três pra trás. Lá no final quem foi de frente voltava de costas e quem foi de costas voltava de frente.
Pois é. Todos esses exercícios de piedade fizeram de nós pessoas sensíveis aos valores espirituais. Todas aquelas experiências de Deus marcaram de tal modo nossas vidas que para nós hoje não dá para olhar o Natal e não ver nele o Cristo que nos encantou um dia a ponto de desperta em nós o desejo de ser padre. Desejo que em muitos passou logo e que em outros, como no meu caso, se concretizou. Então, irmãos queridos do Ibaté, vamos fazer do Natal a festa do encontro. Encontro de Deus conosco! Encontro nosso com Deus. E encontro entre nós. Um encontro que se prolongue por todos os dias de 2004.
MENSAGEM DE NATAL
ATTÍLIO BRUNACCI (1949-1955)
Obs. Escrevi este artigo em dezembro de 1969, em clima de Natal e no auge dos tempos de repressão da ditadura militar. Em São Paulo, as prisões estavam cheias de presos políticos sendo torturados e mortos. Entre eles, o Pe. José Eduardo Augusti – falecido há alguns anos - meu colega de turma no Seminário do Ipiranga e meu grande amigo. A ele e aos outros presos políticos escrevi esta mensagem no jornalzinho dos jovens da minha paróquia na Cidade Ademar.
Pelé fez mil gols. Que coisa espetacular! O mundo inteiro tomou conhecimento desse fato e rendeu suas homenagens ao brasileiro, “Rei do Futebol”. Tal acontecimento ofuscou até o brilho da viagem dos americanos à Lua. Mas sou capaz de apostar que, no ano que vem, ninguém mais falará dessa extraordinária façanha, assim como ninguém mais se importa com os grandes vultos da História.
Cristo nasceu faz 20 séculos e até hoje esse acontecimento marca a vida dos homens. O nascimento de Cristo é um fato que permanece bastante vivo nos nossos corações e é objeto de homenagem de todos, no mundo inteiro. E nesta época do ano, como se fosse uma primavera artificial, as ruas se enchem de colorido, de enfeites, de sonoridade, de festa.
Jesus nasceu! Deus entra na História dos homens para ajudá-los a viver uma vida de felicidade, de amor. E é por isso que o Natal não perdeu ainda o seu lugar. E já faz tanto tempo ...
Para mim, neste ano, o Natal não vai ser completo. Apesar de todas as aparências de felicidades, fico pensando, lá dentro de mim, nos meus colegas padres e cristãos que estão presos, sofrendo, sendo interrogados. Eles não vão ver as estrelas da cidade. Talvez nem vejam o dia vermelho da folhinha marcando feriado nacional ... Vai ser incompleto, sim, este Natal, mas não triste, porque tenho certeza de que no coração de cada um deles se irradia a chama de felicidade por terem cumprido a missão de fazer o Cristo humilde do presépio estar no meio do povo, presença essa que não é absolutamente uma cobertura para as misérias, para as injustiças, para as guerras, para os rancores, mas uma presença portadora de amor autêntico, de justiça sincera, de paz duradoura, de fraternidade sem limites.
Essa missão não foi compreendida. Por isso estão presos. A eles dirijo as mensagens de amor do Natal, fazendo votos de que sua fé em Cristo e nos homens jamais desfaleça.
A todos que fazem parte da nossa família paroquial, a todos vocês que moram no Bairro, a todos vocês que, lá longe, recebem este jornalzinho e nos alegram, porque gostam dele, a todos vocês, UM NATAL ESPETACULAR, que seja fruto de muito AMOR!
É o título do livro que nosso colega, Attílio Brunacci (49-55), acaba de publicar, considerando o lado humano do combate ao desemprego. Os interessados em conhecer tal obra entreM em contato com o Attílio, para maiores informações.
Chaveiros
Foi produzido um chaveiro comemorativo ao VI Encontro. Quem ainda não o adquiriu e o desejar, favor entrarem em contato com alguém da coordenação. O preço é de R$ 5,00 cada.
MISTÉRIO
Letterio Santoro (55-59)
I
De repente,
no silêncio da noite,
a MAJESTADE se torna OBEDIÊNCIA
a GLÓRIA se esconde na POBREZA,
a ETERNIDADE limita-se no TEMPO
um menino entre as palhas
do presépio.
II
Reverentes,
com os anjos e magos,
no meio dos pastores e dos bichos,
em BELÉM adoramos a Criança.
mas, no palácio de JERUSALÉM,
os cortesãos e Herodes
se interrogam!
ECOS DO IBATÉ
PAULO RABELO CORRÊA (57-58)
TRANSCRITO DO JORNAL TRIBUNA PAULISTA DE 08 DE AGOSTO DE 2003 – EDIÇÃO NO.2.399
Tenho afirmado neste espaço que o ser humano, na busca da própria felicidade, deve tornar sua vida significativa. Assim classifico a vida dos homens capazes de estruturarem-se dentro de uma linha coerente de convicções pessoais, e procurar o significado implícito em cada momento que enriquece sua existência.. O homem difere dos demais seres existentes sobre nosso planeta, porque é capaz de entender os fenômenos naturais, intelectuais, sociais, emocionais ou comportamentais, investigando-lhes as causas e a relação com os respectivos efeitos.
Fui seminarista de 1953 a 1958. Foram dois anos no Seminário Preparatório de São Paulo, dois em Aparecida do Norte e dois em São Roque, no Seminário do Ibaté. Durante esse tempo, recebi formação humanista, marcada pela linha filosófica da Igreja Católica. Dizem seus doutrinadores que o universo, incluindo o homem, é obra da Divina Providência, e as relações da comunidade humana são regidas pelas normas do direito natural estabelecidas por Deus, a saber, “viver honestamente”, “não lesar o próximo” e “dar a cada um o que é seu”. Essas normas estão presentes nos mandamentos fundamentais das diversas religiões existentes.
Durante o tempo de seminarista, o ensino e a formação foram ministrados por competentes professores, todos padres. Porém, o Seminário do Ibaté foi aquele que marcou mais significativamente a vida de muitos que lá estiveram, entre os quais me incluo. Tanto assim é que, não obstante o Seminário não mais exista desde meados da década de 70, a partir da década de 90 ex-alunos vêm regularmente se reunindo, para resgatar um momento significativo de suas vidas.
Há pouco me perguntei o que diferenciou o Ibaté dos demais Seminários, e cheguei à seguinte conclusão. O Seminário Preparatório ficava em pleno coração de São Paulo. O Seminário de Aparecida do Norte também se situava dentro da cidade. Portanto, em ambos, estavam os alunos muito próximos da civilização. O Ibaté, porém, estava distante de São Roque. Lá, os alunos tinham contato direto com a natureza. Lá, podiam apreciar a flora local, a interação ecológica da fauna. Era possível ver as noites estreladas, identificar estrelas e constelações, sem a interferência da luz artificial. O convívio com a natureza produzia um estado de graça e prazer difícil de se experimentar no interior das cidades. Acho explicável. O homem primitivo vivia em ambiente natural, integrava-se à natureza e submetia-se às suas normas. A caça e a pesca limitavam-se ao estritamente necessário para saciar sua fome, como, de resto, o fazem os animais. Essa convivência com a natureza faz parte do patrimônio cultural dos seres humanos. Contudo, a partir do momento em que dominou a técnica da produção, passou a agir de forma contrária às regras da natureza. A produção agrícola deixou de ser cultura de subsistência para se tornar atividade negociável.. O pecuarista e o pescador passaram a abater ou apanhar os animais em quantidade maior do que o imprescindível para atender suas necessidades pessoais. Essas mudanças de foco acarretaram, a meu ver, conseqüências inevitáveis. O estresse da vida moderna é uma delas. Vivendo na selva de alvenaria sem a pujança da beleza natural, produzindo acima do que determinam as leis naturais para atender imperativo social, o homem acaba tendo uma qualidade de vida inferior.
Essa é a lição de vida do Ibaté, que ainda ecoa no meu íntimo. Preciso sentir, de tempos em tempos, o afago da mãe natureza, no meio dos campos ou das matas, longe do barulho, das construções suntuosas e da luz artificial da cidade. É a maneira própria para desarmar a agressividade que vai se acumulando no espírito, por estar distante daquela que foi a morada do homem primitivo.
Na casa do Pai
O Echus informa, com pesar, o falecimento de nosso colega
· MAURO DE MACEDO 1949-53
ocorrido em 18 de abril de 2003. À família, nossos sentimentos.
Colegas localizados
O Simões (67-68) informa que localizou os seguintes colegas:
· ARIOVALDO SÉRGIO HERNANDO - 1965
· JOÃO BOSCO DE SOUZA – 1951-52
· JORGE FRANCISCO MALUF AMARÍLIA - 1965
· JOSÉ ESTEVAM SALGUEIRO - 1965
· JOSÉ ROBERTO DE OLIVEIRA - 1965
· LUIZ DA CUNHA FERREIRA DE MIRANDA – 1958-59
· MARCOS ANTÔNIO DE ARAÚJO - 1966
· ODAIR SANS HERNANDES - 1969-70
· OSWALDO BAPTISTA DE OLIVEIRA - 1966
· SEVERINO RAMOS DE SANTANA - 1966-67
· WAGNER FRANCISCO GOMES - 1971
LOCALIZADOS “IN MEMORIAM”:
· ANTÔNIO HEITOR LOPES - 1959 - falecido em 1987,
· JOSÉ DUARTE LEOPOLDO E SILVA FERRÃO - 1951-53 – falecido em 2001
· JOSÉ ROBERTO DE SOUZA – 1959-61 – falecido em 2000,
· ANTÔNIO CARLOS MINGUES LOPES - 1959 – falecido em 1999,
· FÉLIX ZEBINO DE ARAÚJO – 1949-51 – falecido em 1999
· VALDIR DOMINGOS LEAL – 1957 - falecido em junho de 1970
O Antônio Carlos Correa (64-67) informa que localizou os seguintes colegas:
· JOSÉ ROBERTO REZENDE DE MENEZES - 1965
· PAULO JULIÃO DOS SANTOS – 1966-67
AOS COLEGAS LATINISTAS, NOVO DESAFIO
CÔNEGO LAERTE VIEIRA DA CUNHA (49-52)
No tempo saudoso dos meus estudos filosóficos e teológicos, o Latim era uma língua “viva”, escrita e falada na liturgia, nas salas de aula e, até, nos recreios. Estudávamos em Latim, fazíamos exames (escrito e oral) em Latim, os avisos para a comunidade eram em Latim e, nas horas de folguedo, brincávamos com os tempos primitivos dos verbos irregulares e tentávamos verter para o Latim alguns cantos da época ou bem mais antigos. Foi assim que nasceu a versão que passo a transcrever. A música é muito antiga, mas não há quem não a conheça. Você seria capaz de cantar? Vamos lá:
O Hortulana, quare tristis es?.
Sed, quid tibi accidit?
- Camelia, autem, cecidit a fronde
Suspiravit, et mortura est. (bis)
Veni, Hortulana.
Veni, amor mi.
Moli tristari, quia mundus tibi est.
Tu pulcherrima es
Quam Camelia quae experavit.
FESTA NA TERRA DO VINHO
JOEL HIRENALDO BARBIERI 1951-58
TRANSCRITO DO JORNAL “A GAZETA DE ESTIVA” No. 1959 DE 10 DE OUTUBRO DE 2003.
No dia 22 de agosto, Sexta-feira, rumamos para a simpática, graciosa e tranqüila cidade de São Roque, distante apenas 60 quilômetros da Capital, a fim de participar de uma grandiosa festa: O Sexto Encontro dos Ex-Alunos do Seminário Médio Metropolitano do Imaculado Coração de Maria, situado nas colinas do Ibaté. Desde os primórdios de 1949 até os últimos meses de 1973, centenas de jovens, como nós, passaram por aquele recinto eclesiástico. Daqueles tempos, e insensível a tudo, resta hoje apenas o majestoso e sisudo prédio, discreta testemunha de tantos acontecimentos – alegres e tristes – vividos por nós que lá fomos buscar um ideal que mais nos aproximasse de Deus e dos homens.
As emoções vividas e sentidas ficarão indelevelmente gravadas em nossas almas, celebrando a amizade, a vida, os valores humanos, a gratidão, a esperança e a alegria. Mas, quando se fala de São Roque, todos recordam o bom vinho, porque não é por acaso que a cidade também é, como tantas outras, a Terra do Vinho. As vinícolas sanroquenses ainda são conhecidas em todo o país.
O vinho é a bebida mais nobre e antiga que conhecemos. Seus registros confundem-se com a própria história e faz parte da vida dos brasileiros. O vinho aproxima a família e os amigos; quando ele está presente provoca emoções de harmonia, alegria, descontração, carinho, verdade, sinceridade.
Em nosso artigo “O PODER DO VINHO”, destacamos uma nova peculiaridade ou virtude do vinho, ou seja, a saúde. Porque os cientistas descobriram que ele pode ser a chave de uma vida mais longa e mais saudável, graças a uma substância chamada resveratrol que seria capaz de evitar o envelhecimento, as doenças cardíacas e, até mesmo, o câncer e que está presente nos vinhos brasileiros.
Recentemente, de acordo com um estudo publicado na edição de 12 de novembro de 2002 da Neurology, pessoas que bebem vinho de vez em quando, podem ter risco menor de desenvolverem demência incluindo a doença de Alzheimer. O autor do estudo Thomas Truelsen, do Institute of Preventive Medicine at Kommunehospitalet em Copenhagen, Dinamarca, afirma que os resultados são estimulantes, porque eles podem significar que substâncias existentes no vinho reduzem a ocorrência de demência. É uma hipótese dos pesquisadores que os flavanóides, compostos naturais que têm efeito antioxidante, podem ser a substância responsável pelo efeito benéfico. O vinho tinto é rico em flavanóides. Outros estudos sugeriram que os flavanóides podem diminuir a ocorrência de derrame e outras doenças cardiovasculares entre pessoas que bebem vinho.
São notícias interessantes fornecendo evidência que existe, de fato, alguma coisa especificamente benéfica sobre o vinho.
Já dizia Fernando Pessoa: “Boa é a vida, mas melhor é o vinho”. Fleming nos deixou esta assertiva: “A penicilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes”.
“Abençoada seja a terra que o tem produzido, abençoada seja a mulher que o tem enviado, abençoado sou eu quem o bebo”, agradeceu o Papa Benedito XIV com essas palavras a Maria Theresa, arquiduquesa da Áustria e rainha da Hungria e da Boêmia, por um presente de Tokaj Aszú, vinho produzido no nordeste da Hungria.
Portanto, vamos beber o nosso vinho, com moderação, porque é a bebida que faz bem ao espírito e à saúde. “In vino”, vale tudo.
Correspondências e e-mails recebidos
· SEVERINO RAMOS DE SANTANA 1966-67 – Caro Simões, No dia 11.10.2003, recebi com surpresa, seu telefonema. Tive a alegria e sensação de volta no tempo, mais de trinta anos. Em nenhum momento me passou pela mente que um grupo pudesse resgatar este passado tão distante. Surpresa, no dia 15.10.2003, quando recebi boletins informativos e, aí sim, viajei no tempo real: fotos, passeios, comemorações, notícias boas e ruins, falecimento de colega da turma de 1966. Espero nos próximos meses ter maior contato com todos e poder participar desse movimento fantástico “ECHUS DO IBATÉ” . Um abraço a todos.
· MARCOS ANTÔNIO DE ARAÚJO 1966 – Olá, amigo Simões: quero agradecer a você o esforço em encontrar-me. Obrigado pelo seu telefonema do sábado. Você não imagina como fiquei feliz em saber que você está bem e na paz do nosso Senhor Jesus Cristo. Até aquele momento, eu não sabia da existência do ECHUS DO IBATÉ. As atribuições do dia a dia nos remetem aos problemas do cotidiano fazendo com que belas lembranças do passado se percam no labirinto da memória. Por isso é tão importante que pessoas como você dediquem seu tempo disponível a encontrar pessoas que foram muito importantes na nossa formação cristã e cívica. Nas próximas duas semanas, eu não poderei participar das atividades da Turma do Ibaté por compromissos já assumidos anteriormente, mas já estou re-programando meus compromissos para dedicar-me a esse projeto social, e ter a oportunidade de, quem sabe, rever velhos amigos e companheiros. Um grande abraço.
· ÂNGELO HYPÓLITO CORRÊA – Sou filho do colega de vocês: José Hypólito Corrêa (1955-59 )e fiquei responsável pelo recebimento dos e-mails do ECHUS DO IBATÉ. E, por falar no Ibaté, a última confraternização no colégio foi pra lá de boa, foi perfeita, realmente pude passar um dos melhores dias ao lado de meu pai. Senti que ele reviveu uma época muito importante e ficou feliz em poder compartilhar, com vocês e a família, aqueles momentos. Parabéns, o ECHUS DO IBATÉ agora faz parte, não só da vida de meu pai, mas de todos nós.
· LUIZ DA CUNHA FERREIRA DE MIRANDA 1958-59 - Caro amigo Lui, cordiais saudações! Recebi os boletins informativos, o ECHUS DO IBATÉ, que devorei, lendo e relendo, duas, três e mais vezes, até me saciar, matando assim as saudades, ao mesmo tempo que tentava relembrar meus colegas da época, mas devo dizer que me foi totalmente impossível reconhecer quem quer que fosse pelas fisionomias. Também pudera! Após 45 anos, qual a memória, assim tão prodigiosa, capaz de vislumbrar essas fisionomias e corpulência tão modificadas pelas décadas, daqueles pouco mais de adolescentes, não é verdade? Gostei, também, de rever certos ângulos do velho seminário, da piscina, do campo “Vacaranã”, etc., etc. Eu fui para São Roque no início de 58 onde permaneci por apenas esse ano. Fiquei antes, em Aparecida, de 54 até 57. Ainda me lembro de quase todos os superiores dessa época e de alguns colegas. No final de 58, como não estivesse obtendo resultado algum, principalmente nos estudos, que iam muito mal, especialmente o Latim e a Matemática e por estar em dúvida quanto à vocação, fui à sala do reitor, Pe. Constantino, e disse-lhe das minhas dúvidas e dificuldades e simplesmente pedi-lhe dispensa. Ele olhou-me bem, questionou-me sobre minha idéia de sair, sobre os estudos, vocação e, como era fim de ano, disse-me que fosse de férias primeiro, pensasse melhor, rezasse muito e voltasse para conversarmos novamente sobre o assunto. Foi o que fiz. Fui de férias e penso que não segui os conselhos do reitor, ou seja, não rezei, nem refleti melhor sobre a idéia de sair do Seminário, pois, estava decidido. Quando voltei, conversamos novamente, e como ele visse que eu estava mesmo resolvido a sair, após uma longa orientação e aconselhamento sobre a vida fora do Seminário, sobre a continuação dos estudos e outras coisas mais, enviou-me de volta para casa. Até hoje não sei exatamente se o que fiz foi o melhor. Penso que não. Por estar em crise, própria daquela idade (18 anos), não me dei o tempo necessário e a oportunidade de repensar melhor minha atitude imatura e irrefletida. Deixei-me muito mais levar pelo impulso e as emoções da idade. Tendo saído, como, infelizmente, os estudos do Seminário, naquela época, não eram reconhecidos cá fora, e sobretudo por não gostar de estudar ou, quem sabe, por encontrar dificuldades em aprender ou, ainda, pelo pouco empenho e dedicação, acabei por deixar, para minha ruína, totalmente de lado os estudos, havendo, só bem mais tarde, terminado o 2º grau, naquele tempo, o colegial. Hoje, tardiamente, e um pouco mais amadurecido, é que posso ver a grande asneira que fiz naquela época. Não me formei, não me profissionalizei em nada e só perdi o precioso tempo em minha vida. Trabalhei em banco, em dois, por uns nove anos, acabando por sair também no final de 71. Dali para cá, tenho trabalhado sempre como autônomo em vendas de enciclopédias (Barsa), revistas, colchões magnéticos, etc. Não ganhei o suficiente para adquirir minha própria casa, a fim de não ter de pagar aluguel e poder ter um pouco de segurança e um mínimo de conforto. Enfim, só fiz besteira e perdi o precioso tempo, para o mal de meus pecados. Após ter sempre descontado para a Previdência Social, talvez a única coisa boa que tenha feito, em meu próprio proveito, acabo de aposentar-me, há cerca de um mês, com dois salários e meio, o que dá apenas para sobreviver. Como pago aluguel, o que me sobra dá apenas para a alimentação e quase mais nada. Como minha saúde ainda vai dando para fazer alguma coisa, vendo, também, umas coisinhas, para melhorar um pouquinho e minha renda, mas, com tudo isso, não tenho mais a esperança de adquirir minha tão desejada casinha. Ah! Até já me ia esquecendo: para um mal maior, nem sei se é, não casei.. Sinto por isso imensa frustração em não ter constituído família. Meus pais casaram muito tarde, com cerca de 40 anos cada um, e lamentavelmente, não foram felizes o que, não querendo com isso justificar meus insucessos, certamente e pelo menos em parte, acabou também por influir um pouco em minha vida. Contudo, na maior parte o fracasso e insucesso atribuo-os, principalmente, a mim mesmo. Bem, caro Lui, acabei aqui, ao correr da pena, e seguindo os impulsos do coração, abrindo-me um pouco contigo, que não conheço, mas que, estou certo, como ex-colega de Seminário, podes de alguma forma, não diria entender-me, mas, ao menos, como amigo que acredito seres, aceitar como algo próprio das fraquezas humanas e até ajudar-me com tua experiência e orações e é isso que te peço, OK? Também quero que os colegas que me conheceram, ou não, ao lerem este triste relato, não se penalizem por mim, mas antes façam algo bem mais útil: rezem fervorosamente a Deus e à Virgem para que me dêem forças, ânimo, e, sobretudo, um pouco mais de F;e e Confiança em Deus e em mim mesmo, para seguir em frente, até que o bom Pai assim o permita e que, ao menos, Ele, não seja duro demais comigo no dia do julgamento e tenha lá seus atenuantes, para além da sua infinita misericórdia, para meus pecados e fracassos e cheio de bondade me receba na sua mansão eterna. E que assim seja! Como vês Lui, não é preciso dizer mais nada, não é mesmo? Como penso visitar meus dois irmãos em São Paulo neste Natal e ficar com eles por uma semana ou um pouco mais, gostaria, também, de rever alguns de vocês, principalmente, da turma de 58. Quando morava em São Paulo cheguei a ver algumas vezes o “Izabé”, o nosso Dr. Milton. Gostava muito dele e do irmão João Bosco, que fiquei sabendo pelo Simões, já partiu pra casa do Pai. Que Deus o tenha. Quanto a ir aos encontros ao Seminário, não sei se poderei e por dois motivos: a distância, pois moro em Colombo-PR e as fracas condições financeiras. Além do mais, sinto-me um pouco envergonhado perante todos os colegas por não ter feito o que era meu dever e que a maioria dos colegas fez e às vezes de maneira brilhante, ou seja, singrando a vida. Ter aproveitado o tempo que Deus me deu. Lui, não te pedi no início, peço-te agora, que ainda dá, ou seja, desculpa pela demora em responder para agradecer pelo teu interesse e pelos ECHUS DO IBATÉ que me enviaste e que gostaria, se possível, de continuar recebendo. Que Deus recompense e abençoe a todos vós, por tudo. Envio a ti, caro amigo e colega, ao Simões e a toda fraternidade ibateana, um abraço de muita cordialidade.
Obs.: Se achares que é bom para todos e não vai causar escândalo, podes divulgar esta minha carta.
· JOSÉ WOLFF 1950-58 – Caros amigos, acabei de receber o ECHUS no. 69. Cada vez que recebo o boletim, sinto uma energia especial que vem lá do fundo, de um tempo que passou, mas que nos marcou. Entre as notícias, a alegria pela nomeação de Dom José Maria Pinheiro como bispo-auxiliar de São Paulo. Pinheiro foi, para mim, um anjo nos tempos da Filosofia, no Seminário de Aparecida. Ou outra notícia (triste): a morte do Pe. João Bosco, que também nos marcou com seu jeitão especial. Um abraço a todos.
RECORDAR É VIVER...
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S E S S Ã O C Ê N I C O – M U S I C A L DÉCIMO ANIVERSÁRIO DO SEMINÁRIO HOMENAGEM AO EMINENTÍSSIMO SR. CARDEAL DOM CARLOS CARMELO DE VASCONCELOS MOTTA. Ave-Maria! - Programa -
I – O Diário - pela Banda Santa Cecília II – 1º ato do drama: “Pela Vida de um Vigário”. III – La Speranza – pela Banda. IV – 2º ato do drama. V – Oh! Terras feiticeiras – Canto. VI – 3º ato do drama. VII – Rapsódia Húngara no. 2 – Piano, por Sebastião Campanari. VIII – 4º ato do drama. IX – Barcarola – Canto. X – 5º ato do drama. XI – La Dame du Coeur - pela Banda. XII – 6º ato do drama. XIII – Souza Pinto – pela Banda.
- Personagens - Marquês de Bonchamps .............................................. Renato Artamendi. Heriberto (seu filho) ................................................... Ricardo Paiva. Benoit (seu filho) ................................................... José Regino Gregório. Vigário .......................................................... .............Darcy Pupo. Cathelinoau – Castelão .................................................Geraldo Barbosa. Simon (seu filho) .........................................................Aníbal Martinelli. Jacques – criado de Bonchamps ...................................Hermes Pimenta. Grignon – chefe dos revolucionários ...............................José Moreira. Charles Joly – chefe de um corpo provisório ..................Paulo Acácio Martins. Delbée – coronel francês ..............................................Ivo Mazieiro. Collet – guarda .............................................................Nazareth dos Reis. Henri – voluntário .........................................................Sérgio Conrado. Jupot – voluntário ..........................................................José P. Bruna. Diversos soldados e voluntários.
Lugar – Zendéia – Província francesa. Tempo – Na grande revolução francesa. Ponto: Letterino M. Santoro.
Seminário Metropolitano São Roque, 20 de maio de 1959.
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Echus parabeniza
O nosso colega Rovirso Aparecido Boldo 1964-69, que acaba de ser nomeado Juiz Togado para o Tribunal Regional do Trabalho. Carreira bonita e de muita responsabilidade, que seja sempre testemunha da justiça!
CASO EDIFICANTE
JOSÉ LUI (1949-56)
Enterrado em dívidas, aquele advogado resolve se suicidar.
Vai ao meio da rua, joga um litro de gasolina sobre o corpo e quando vai atear fogo, uma mulher o segura pelo braço.
- Não faça isso não, seu moço – diz ela, comovida com a dramática situação. Se o problema é dinheiro, a gente vai dar um jeito.
Ela pega uma sacolinha e começa a abordar os carros pedindo auxílio.
Vinte minutos depois ela volta com a sacolinha quase cheia.
- Quanto você conseguiu? - pergunta o advogado ansioso.
- Não muita coisa! Uns 15 isqueiros e 6 caixas de fósforo!
Pe.Baroni celebra 25 anos de ordenação sacerdotal
O nosso amigo ibateano, Pe. Sidney Barone (59) está completando 25 anos de Ordenação Sacerdotal – uma vida a serviço do povo de Deus - e está convidando todos nós para celebrarmos juntos, participando da Missa de seu Jubileu, no dia 20 de dezembro (Sábado), às 17 h, na Paróquia Divino Salvador, à Rua Casa do Ator no. 450 (altura do no. 2.000 da Av. Sto. Amaro – S.Paulo-SP).
Contando com a presença dos colegas, será uma oportunidade para estarmos juntos e festejarmos a caminhada do Pe. Baroni.
- - - - - - EXPEDIENTE - - - - - -
· Equipe responsável: José Lui, José Justo da Silva, Licheri, Márcio Pereira da Silva (Paçoca), Martucci, Luiz Monteiro, Wilson Mosca, Paulo Toschi, Eduardo Santiago e Antônio Simões
· Telefone para contato (11) 3864.8852
· Artigos e colaborações: Echus do Ibaté. Cx. Postal 71509 – 05020-970 S.Paulo-SP
Obs. Se possível, enviar material em disquete (texto em Word e fotos em jpg).
· Responsabilidade: Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores, não expressando necessariamente a opinião da equipe de coordenação.
· Internet: http://www.geocities.com/Athens/Delphi/8915
· Email: echus@zipmail.com.br