ECHUS DO IBATÉ
INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque
No. 71 - Ano 12 - JANEIRO – FEVEREIRO de 2004
EDIÇÃO INTERNET
Clássico em Itatiba – 13 de março às 9:30hr.
O amigo Rovirso (64/69) nos convida para mais um clássico do futebol ibateano, desta vez válido pelas eliminatórias – o time que perder estará fora das Olimpíadas em Atenas.
Galo de Ouro e Leão de São Marcos estarão se enfrentando em mais um clássico ibateano.
A porfia será em Itatiba, no campo do Condomínio Itaembu, mais uma vez nos cedido pelo Rovirso e família.
Providências: O primeiro jogo será às 9:30h, com a participação preferencial dos ex-seminaristas – para haver equilíbrio, probleminha de idade ..., convidados e familiares mais novos participarão preferencialmente do jogo de fundo. Como chegar: Ligar para o Rovirso ou remeter e-mail para o endereço r.boldo@uol.com.br
Importante: Levar comida e bebida que vai consumir (esquema de sempre)
Informações e confirmação: Acácio (Zezo) 3104.3141 (Coml.) Fausto – 4141-3874 (Coml.) Isidoro – 3645-4932 Mosca – 3864-8852 (Res.Noite) Rovirso – 3906-02863 (casa) Manga – 4712-6698 (casa) Simões – 6196-0896 (casa.
Caros colegas, as nossas dificuldades em montar o nosso Informativo estão mais do que nunca presentes, notadamente as de ordem financeira. Existem colegas que colaboram religiosa e substancialmente com valores para pagar as despesas e o fazem com espírito elevado – porém são poucos. Há outros que colaboram com trabalho e dedicação de tempo – porém é preciso de mais colaboradores. – Existem muitas idéias para melhorarmos o nosso Echus – mas é preciso a colaboração de mais colegas. Cada número do jornal custa R$ 1.300,00, sendo R$ 500,00 de gráfica e R$ 800,00 de correio. – Estamos, infelizmente com a expectativa presente de paralisarmos com o nosso Informativo. – Pedimos a colaboração dos colegas em sentido financeiro, fazendo seus depósitos e também para ajudar a fazer o Echus – aliás, a idéia sempre foi de que haja participação de todos quantos for possível e não ficar restrito a apenas uns poucos. – Contato para colaboração com Wilson Mosca (Tel. 3864.8852), Márcio Paçoca (Tel. 4712.4148) ou Santiago Manga (Tel.4712-6698).
E.T. Cada exemplar, inclusive despesas de correio, custa R$ 1,50 para cada colega – 7 edições por ano importa em R$ 10,50 para cada um. – Analise se vale a pena e colabore para que não só não encerremos o Echus como também para que melhoremos o mesmo
IRINEU XAVIER COTRIM (1965)
Eu mesmo estive no seminário somente por um ano, mas guardo muitas lembranças. As fotos, infelizmente, só as tenho de memória; tenho lembranças que insistem em permanecer; foram acontecimentos de grande importância na formação de minha personalidade.
Quando fui para o seminário, estava um pouco fora da idade padrão; parece que tudo que faço me percebo sempre fora dos padrões. Talvez até seja motivo para entender que sempre tenha preferido o que não é formal: entrei na escola com oito anos, além de ter ficado logo no primeiro ano letivo, retido, tendo que refazê-lo. E a vida escolar foi sempre aos trancos e barrancos; algumas vezes, truncada.
Em todo o tempo que estive no seminário, a única reclamação que ficou marcada foi a pouca preocupação, ou nenhuma, em lidar com a auto-estima dos alunos, talvez porque a maioria deles tinham os pais com boa situação financeira.
Mas esse problema sempre foi o calcanhar de Aquiles, pois só consegui terminar os estudos estando já adulto, momento em que, de certa forma, esse problema já tinha se resolvido. Qual o problema? A AUTO-ESTIMA. Se tivesse sido trabalhada, talvez tivesse permanecido mais tempo no seminário, e, quem sabe, teria me formado no tempo certo. Etc. etc. etc...
Quando da tomada de consciência sobre a auto-estima, a ávida se modifica da água pro vinho. Desde que me percebi, ou seja, que passei a me entender, passei a me valorizar e, automaticamente, a valorizar e tentar fazer com que os outros tomem consciência. É preciso que eu diga que escolhi a profissão de professor – então, lido com alunos que vivem este drama, para a maioria, inconsciente, portanto, eu fazia parte da maioria. Maioria silenciosa.
Do seminário, me recordo com muita alegria dos rituais que se cumpriam em todas as atividades. Hoje gosto de acompanhar ou assistir a rituais; consigo ficar antenado, ou seja, prestar atenção no que está acontecendo.
Lá no Seminário havia várias atividades e me lembro de um colega que foi “fuçar” numa máquina de moer cana e esta acabou cortando seu dedo. Esta é uma cena muito forte que tenho ainda em minha memória. Lembro-me do tombo na piscina, quando já estava quase criando coragem para o mergulho. Depois disso, fiquei traumatizado com água, em piscina ou mar.
Uma outra cena, também não muito agradável, foi num determinado dia em que fui buscar a roupa na lavanderia - as roupas traziam todas o número do seminarista, e o meu era o n. 21. Pois bem, a irmã responsável mostrou-me uma calça, dizendo que poderia usá-la, pois o seu dono já não mais estudava no seminário. Foi-se embora, deixando-me a peça dentro de minha trouxa. Eu poderia aproveitar, já que tinha pouca roupa. Mas, para minha desgraça, estando eu no pátio, logo após o banho, vestido com aquela caça que ganhei de presente., ei que aparece um rapaz novo no seminário – que eu nem sequer conhecia – que foi logo dizendo:
- E aí, ô meu! Está vestido com a minha calça. Como é que me roubou, heim?
Olha, eu fiquei tão nervoso e com tanta vergonha, que acabei dizendo apenas que a calça era minha e que fazia muito tempo que eu a tinha, e como é que ele vinha me acusando de ladrão..... etc. A briga acabou não acontecendo por pouco. Não sei se usei a calça em outras ocasiões ou se a entreguei na lavanderia. Não lembro que fim deu esta história; só este fato é que ficou em minha memória.
Do Mons. Constantino, o Reitor, lembro-me da seguinte frase: “Faça direito tudo o que estiver fazendo”, dito solenemente em latim. E é o que sempre tento colocar em prática na minha vida diária.
Outra lembrança eram os banhos frios. Antes eu pensava que seria para não causar nenhum frisson. Hoje entendo que até poderia ser por isso, mas o motivo maior deveria ser a energia elétrica. Já pensou mais de 200 alunos, todos eles usando chuveiro elétrico, o quanto em energia não se gastaria?!?
Das visitas dos pais, lembro-me que em São Roque era muito frio e meus pais foram me visitar e perguntaram: ”aqui faz frio? E eu respondi não, aqui não faz frio. Mas eu menti para poupar meu pai de preocupação de ter que comprar outro cobertor, pois eu tinha apenas um cobertor e quatro lençóis. Usava-se dois: um para forrar a cama e outro para se cobrir juntamente com a colcha e o cobertor, enquanto os outros dois ficavam na lavanderia. Assim pude poupar meus pais de mais despesas, o que me deixa muito contente de ter esta lembrança na memória. Hoje, no entanto, as crianças quase que ordenam os pais a comprarem o que querem, sem a mínima consciência das dificuldades que possam ter.
Estou escrevendo, depois que fiquei refletindo a carta enviada pelo colega Luiz da Cunha Ferreira de Miranda (58/59). Olá, Luiz: não concordo com você quando diz: “... na maior parte do fracasso e insucesso, ateribuo-os principalmente a mim mesmo.”
Quando as crianças do Brasil tiverem pais, não mais abandonadas, tiverem escolas preocupadas com a formação.
Ah! Isso é utopia. Então ...
Discurso de despedida da 1a. turma de São Roque, que foi para o Seminário Central – Dezembro de 1952
ALFREDO BARBIERI (1949-53)
Ave Maria!
O Seminário vive hoje horas de intenso júbilo ao cantar a vitória de oito de seus filhos.
É a primeira turma que deixa o Seminário de São Roque. São os primeiros frutos de quatro anos de formação sólida e profunda. É o primeiro ramalhete de perfumadas flores que o Seminário deposita com carinho aos pés da Virgem Imaculada. E aqui estamos unidos num só coração e numa só alma para cantar o TE DEUM de ação de graças a Deus nosso Senhor.
Sim, queridos sextoanistas. Todos nós, superiores, alunos, nos congratulamos , vos saudamos. Mas este concerto de alegres vozes tem o seu sustenido: é a vossa despedida.
Quando aqui chegastes, há quatro anos, o Seminário era pequeno e, tanto crescia o Seminário em suas possantes alas, tanto crescia em vós o amor a este lar bendito.
Partireis, mas certos estamos de que levareis gravados com letras de ouro em vossos corações os sábios conselhos de vossos mestres queridos. Nunca esquecereis este Templo Bendito, à sombra do qual vos formastes. Levareis em vossas almas a figura meiga e suave desta Mãe carinhosa, o Imaculado Coração de Maria. Tereis sempre em vossos lábios o seu Nome Bendito.
Partireis, mas nos encontraremos todos os dias na Santa Comunhão e em nossas orações; estaremos todos unidos no Coração de Nossa Mãe Imaculada.
Receberei, pois, queridos sextoanistas, esta festa que quer significar muito: é o adeus sincero dos vossos estimados mestres e queridos colegas, pleno de votos de felicidades, regado com as lágrimas de nossas orações.
Que o Imaculado Coração de Maria vos acompanhe e seja sempre o vosso guia e arrimo, para que, num dia, guiados por esta Mãe da Santa Perseverança, possais subir os degraus do santo altar e depositar sob os pés de Jesus Sacramentado os vossos corações de sacerdotes do Altíssimo.
DO FUNDO DO BAÚ
CID RODRIGUES DE MELLO (1951-1953)
Foi num desses domingos de inverno que obrigam a gente a ficar no aconchego do lar, como que obrigando-nos a remexer aquelas gavetas cheias de papéis envelhecidos pelo tempo e sem serventia, misturados com objetos que só servem para ir pro lixo depois que a gente morro ...
É isso mesmo. Num desses dias friorentos e chuvisquentos, resolvi vasculhar minhas tranqueiras e dei de cara com uma pequena agenda de bolso do ano de 1952. Portanto, de 41 anos atrás, ano em que eu estava na primeira série do Seminário Menor Metropolitano do Imaculado Coração de Maria, o meu saudoso Seminário do Ibaté.
Era uma daquelas agendinhas que cabiam no bolso externo do paletó, bolso onde antigamente os homens colocavam um pequeno lenço branco que dava um toque de elegância e distinção ao se vestir.
Nessa mini-agenda eu tinha registrado algumas anotações pessoais que já não mais povoavam a minha lembrança. Tinha registrado também uma série de fatos curiosos relacionados com o meu dia-a-dia vivido no Ibaté.
Um misto de saudosismo e vontade de resgatar um átomo da história do nosso Seminário, me “obrigou” a publicar esses fatos do passado que servirão para os leitores do nosso Echus do Ibaté. Eis alguns desses fatos registrados na agendinha:
Na página de 21 de junho:
Feriado. São Luiz Gonzaga. Festa do Pe. Reitor. Aniversário do Gianinni. Torneio de Futebol: Médios 2 X Menores 1; Médios 2 X Grandes 1”.
Na página de 06 de julho: “Palmeiras 1 X Corínthians 1”.
Na página de 08 de julho: “
1. Farmácia – no recreio, depois do almoço. Médios-Menores – injeções depois do lanche. Não pode ir a farmácia hoje à noite, sem permição.
2. Não sair do recreio. Não querer ser sempre exceção”.
Na página de 15 de agosto:
“Assunção. Vestição de batina da 6a. série, pelo Revmo. Exmo. Sr. Cardeal de São Paulo”.
Na página de 31 de agosto:
Passeio geral a Alumínio (futebol) Médios 1 X Grandes 0. Goal de Gianinni-centro avante”.
Na página de 18 de setembro: “Carecas 0 x Cabeludos 2”.
Cabeludos: Miranda Poty Holien Nascimento Caldin Marcos Pedrinho Rodolgo Júlio Cid Bastião.
Goals: Pedrino, aos 5’ do 2o. tempo; Júlio, aos 7’do 2o. tempo.
Carecas: Atílio Joaquim Lui Adair Santini (...)”
Na página de 03 de outubro: Futebol: Brancos 4 X Pretos 3.
Atílio Lui Caldin Nascimento Marcos Giuntini
Joaquim Cid Rodolfo Adair Bastião
Goals: Brancos = Joaquim I, Adair 1, Cid 1.
Pretos = Bastião 2, Júlio 1”
Na página de 12 de outubro: “São Paulo 2 x Palmeiras 1”
Na página de 22 de dezembro
(time do Corínthians em 1952): Gilmar Homero (Murilo está machucado) Olavo Idário Julião Roberto Cláudio Luizinho Baltazar Gatão Carbone
Nas páginas finais de dezembro:
“Estamos em épocas de exames finais. Já acabamos os escritos. Começaremos os orais, portanto agora é só estudar. Não há tempo de pensar em brincadeiras.”.
Alguns comentários por conta da Redação do ‘Echus do Ibaté”:
21 de junho:
Festa do Pe. Reitor: tratava-se do nosso saudoso Mons. Luiz Gonzaga de Almeida. Aniversário do Gianinni: era o colega Luiz de Gonzaga Gianini.
15 de agosto:
Assunção: uma referência à festa da Assunção de Nossa Senhora, antigamente considerado “Dia Santo” e feriado nacional.
Vestição de batina:
Eram os primeiros seminaristas que estavam concluindo os estudos no Seminário Menor e que, nesse dia, trocavam a “veste secular” pela batina, de uso sagrado e obrigatório, preparando-se para estudar Filosofia e Teologia no Seminário Maior, isto é, no Seminário Central do Ipiranga. Eram eles: Darcy Corazza, Walmir Luiz Gomes da Silva, Francisco Tarcísio da Silva, José Maria Perez, Leônidas Moreira Neto, Laerte Vieira da Cunha e Almir pessoa César. O Cardeal em questão era Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta.
18 de setembro:
Nomes completos dos jogadores “Cabeludos”: Alberto Miranda, Aníbal Poty de Souza, Holien Gonçalves Bezerra, Walter Nascimento, Waldemar Caldin, Marcos Tarcísio Masetto, Pedro (Pedrinho) Siqueira, Rodolfo Dufner, Júlio Miranta, Cid Rodrigues de Mello e Sebastião (Bastião) Darci Belinelli Prado.
Nomes completos dos poucos jogadores “Carecas” registrados na agenda: Attílio Brunacci, Joaquim Benedito de Oliveira, José Lui, Adair Guarnieri e Antônio Carlos Santini.
03 de outubro:
Nomes completos dos jogadores “Brancos”: Attilio Brunacci, José Lui, Waldemar Caldin, Walter Nascimento, Marcos Tarcísio Masetto, Oswaldo Giuntini (hoje, Dom Oswaldo, bispo da diocese de Marília), Joaquim Benedito de Oliveira, Cid Rodrigues de Mello, Rodolfo Dufner, Adair Guarnieri e Sebastião (Bastião) Darci Belinelli Prado.
Pe. Barone, Sidney José Barone estudou no Seminário do Ibaté no ano de 1959. Hoje é pároco da Igreja do Divino Salvador, no bairro paulistano da Vila Olímpia, arquidiocese de São Paulo.
Ordenado sacerdote no dia 12 de dezembro de 1978, seus paroquianos prestaram-lhe magnífica homenagem no dia 20 de dezembro de 2003 para celebrar os 25 anos de ordenação, dos quais 20 anos de dedicação àquela paróquia.
Vários ex-alunos do Ibaté foram também homenageá-lo participando da missa solene presidida por Dom Manoel Parrado Cabral, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, e acompanhada por um significativo número de presbíteros.
Essa celebração jubilar, nas vésperas da celebração do natal, foi com certeza uma significativa expressão do tempo litúrgico do Advento. Pe. Barone na caminhada de sua missão ao longo desses 25 anos de padre se identificou com a missão das três grandes figuras do Advento: Isaías, João Batista e Maria. Como Isaías, ele pregou a esperança de dias melhores por causa da vinda do Salvador que estava próxima. A exemplo de Batista, ele testemunhou a presença de Cristo na sociedade. Como Maria, ele também fez nascer Jesus para o mundo e a humanidade.
Ao Pe. Barone, os cumprimentos do Echus do Ibaté e de todos que estudamos no mesmo Seminário0.
Ad multos annos, vivas!!!
A dezessete de setembro, é um dever de justiça e de homenagem de gratidão lembrar-se do centenário de nascimento de Monsenhor João Kulay, sacerdote que serviu nossa Paróquia desde 1948, até sua morte.
Descendente de imigrantes húngaros, teve seu berço natal no bairro da Mooca a 17 de setembro de 1903. Seu pai era ferroviário, da São Paulo Railway (SPR), e sua mãe, balbuciando preces a Deus, pôs no mundo o primeiro filho que, como obrorea o Menino Jesus, seria consagrado ao Senhor, pois, bem cedo, manifestou seu desejo de ser padre, matriculando-se no Seminário Menor Metropolitano de Pirapora, tão logo concluiu os estudos primários.
No dia 15 de agosto – Assunção de Nossa Senhora – na igreja ade Santa Ifigênia, era ordenado sacerdote, juntamente com seu colega de turma, Antônio Alves de Siqueira, posteriormente, o piedoso e inesquecível Bispo Auxiliar. Na sua lembrança de ordenação, escreveu como dístico : “Bonum est sperare in Domino”- é bom esperar só no Senhor (Sl. 117,9), lema que viveu em toda a sua vida sacerdotal. Permitia que o chamássemos de Monsenhor, porque de fato o era, mas nunca modificou sua assinatura de padre, taí sua constante simplicidade.
Conheci Monsenhor logo após sua ordenação, quando de sua primeira provisão como Coadjutor da Paróquia de São João Batista, no Belenzinho, onde, com outros meninos, éramos uns travessos coroinhas. Encontrávamos no moço sacerdote alguém que nos compreendia e dedicava uma terna amizade, enquanto o bondoso Vigário, alisando o topete, manifestava suas impaciências, ainda que precisasse de nós para responder as missas em latim. Naqueles tempos, brincávamos dizendo que “a sacristia era o inferno do vigário, o purgatório do sacristão e o paraíso dos coroinhas”, e era bem verdade. Para fraseando Gonçalves Dias, eu diria: “Se alguém duvidar do que estou a contar, eu torno a falar; minha gente, eu vi” (I Juca Pirama).
Manifestando eu o desejo de ser padre, Monsenhor não duvidou de minha vocação; apesar das peraltices de coroinha, colocou-me no bonde e levou-me à Cúria Metropolitana a fim de ser apresentado ao santo abade premonstratense, Dom Alderico, reitor do Seminário, e ao mestre de disciplina, Cônego Marcelo, sendo matriculado com o numero 189.
Por ocasião de minha primeira missa solene, a 15 de dezembro de 1946, na mesma igreja de onde saíra para ir para ao seminário, como preito de agradecimento, convidei o padre Kulay para participar no ofício de subdiácono; era minha gratidão ao sacerdote que despertara em mim a vocação sacerdotal.
Meu ministério teve início na igreja Bom Jesus do Brás como vigário cooperador de Monsenhor Jesuíno Santili, e é aí que vou novamente encontrar o Padre João que, tendo sido nomeado arquivista e diretor do Museu da Cúria, teve que deixar a Paróquia de São João Batista passando a celebrar diariamente sua santa missa também na igreja do Brás.
Um fortuito desencontro: o Arcebispo, em 1949, muda o seminário de Pirapora para a cidade de São Roque e para lá fui eu como professor, mas não durou muito o meu magistério, pois uma nova ordem de meu superior destaca-me para vigário cooperador de Santa Cecília. Para substituir-me, envia o Padre Kulay.
Anos mais tarde, o seminário toma outro rumo: cada região episcopal teve a sua casa de formação para seminaristas, escolhendo seus respectivos professores. Monsenhor deixa o magistério e, não tendo para onde ir, um dia aparece repentinamente em Santa Generosa. Adivinhando sua visita, ainda na soleira da porta, perguntei-lhe: trouxe também as malas? Na verdade, ele procurava-me para abrigar-se à sombra de Santa Generosa, junto a seu antigo coroinha e junto daquele que a Providência havia posto no mesmo caminho por diversas vezes.
Mirabilis Deus, in viis suis! Deus é admirável em seus desígnios. E aqui o Monsenhor ficou pelo espaço de cinco anos, edificandoa atodos com sua modéstia, seu zelo apostólico, sua piedade séria e sua jovialidade transparente, até o dia em que o levei para o hjospital, vítima de uma moléstia que vinha ocultando, para não dar trabalho a ninguém, mas que o corroia por dentro.
A caminho da Beneficência Portuguesa, pediu-me uma Ave-Maria, para que tudo corresse bem e pudesse voltar o quanto antes à sua Santa Generosa. Esquecia ele que a prece pedida tinha por epílogo: “Santa Maria ... rogai por nós ... na hora de nossa morte.” O santo sacerdote, que viu nascer e cultivou minha vocação, morreu em minhas mãos no dia 5 de maio de 1976 ...
Monsenhor João Kulay, enquanto atua paróquia lembra o centenário de teu nascimento, intercede por nós junto de Jesus, Maria e Santa Generosa. Amén.
[Texto extraído do Boletim Paroquial da Igreja Santa Generosa, de autoria do Cônego José Mauer Paine, escrito por ocasião do centenário de nascimento do Mons.João Kulay, ao qual tivemos acesso através do colega Sr. Rubens Heitzmann]
COLEGAS LOCALIZADOS – SEJAM BENVINDOS !!!
O Antônio da Aparecida Simões Cucio (1967/68) anuncia a localização dos seguintes colegas:
· ALBERTO AGUILAR - 1949-51
· JOÃO BOSCO PRADO DE ABREU – 1958
IN MEMORIAM
ALFREDO BARBIERI (1949/53)
O colega Francisco Fierro ligou para cumprimentar o Mauro pelo seu natalício e ficou sabendo que o mesmo havia partido para a Casa do Pai, em abril, e, consternado, na Missa do 42o. aniversário de sacerdócio do nosso Cônego Laerte, nos comunicou para a nossa ciência e preces.
Companheiro de São Roque, onde esteve de 1949 até 1953, era conhecido como Abóbora, apelido que recebeu em Pirapora, não sei por que cargas d’água, para usar uma expressão “bem atual”. O fato é que a leitura espiritual foi por muito tempo, em Pirapora, um livro sobre os pastorzinhos de Fátima e entre os personagens citados, havia um senhor chamado seu Abóbora.
O nosso caro Mauro ficava furioso quando era assim chamado e os colegas para driblar a expressão, falavam em Cambuquira (a flor da aboboreira), com no testamento do Judas, lido no famoso tribunal e que sempre deixava, em seu testamento, alguns de seus pertences aos colegas e não se esquecia do Mauro.
Com o tempo, assimilou o epíteto e até se divertia com ele.
O Mauro era ligado à música e quando um de nós queria tirar uma melodia, cantava para ele que, no Harmônio, ia descobrindo as notas e as punha na pauta, dividia os compassos e estava pronta para ser tocada e cantada.
Pertenceu à nossa Banda de Música. Nos nossos primeiros encontros, chegou de improviso a reger nosso “coral” formado na hora.
No Seminário Central, ao lado do Sacheto, formava uma dupla famosa, escapando da vigilância, guardando suas batinas e assistindo espetáculo de circo.
Viveu conosco os primórdios do Ibaté, sempre alegre, companheiro, minucioso. Participava de tudo: palco, banda, coral, festas ...
Ao deixar o Seminário fez o curso de Direito e foi um profissional de sucesso em Avaré.
Ao relembrar estes fatos queremos prestar nossa homenagem de saudade ao colega, rogar a Deus por ele e transmitir a sua família nossos sentimentos.
Cada companheiro que parte, leva um pouquinho de nós. A família do Ibaté Celeste está enriquecida.
Para nós ele partiu e deixou saudades, para o outro lado é a alegria da chegada.
Valeu, Mauro. Roga por nós.
MANOEL PEDRO ROSA (63/64)
Era a Páscoa. Curiosamente, na Semana Sant4a, fomos liberados para passar os feriados em casa. Depois de quatro dias de férias, tendo que cumprir todo o ritual litúrgico na Paróquia mais próxima de nossas residências, estávamos felizes por rever nossos pais, parentes e amigos, mas, enfim, chegara a hora de retornar ao Seminário. Cá entre nós, por mais que gostássemos de ir pra casa, não víamos a hora de retornar às colinas do Ibaté.
Mamãe ajudou a arrumar as malas, agora com algumas roupas novas, colocou num pacote potes de maionese, doces em lata, algumas frutas e foi comigo até a Av. Pinheiro Machado, em Santos, onde morava o Antônio Aparecido. Esse rapaz já era um seminarista maior (já estava no último ano, tinha uma voz grave, tocava baixo na banda e era o vozeirão no coral do Pe. Laerte) e, por isso, assumira a responsabilidade de acompanhar os garotos: eu, de São Vicente, o português, Fernando Jorge Grave, que morava no Guarujá e mais o Gileno, se não me engano. Despedidas na casa do Antônio Aparecido, muitas recomendações e, lá fomos nós para a Rodoviária de Santos a fim de embarcar num ônibus par São Paulo, de onde pegaríamos o trem para São Roque.
Chegamos à rodoviária e o Cidão nos aninhou em volta dele com cuidado, pois um estranho movimento estava ocorrendo. Soldados, muitos soldados com fuzis nas mãos em posição de alerta. Os ônibus, raros, permaneceram estacionados, inertes, durante aquele breve período em que lá ficamos, enquanto os motoristas e funcionários da estação andavam de um lado para outro, sem saber o que fazer. Antônio Aparecido foi então abordado por um soldado que o interpelou sobre nosso paradeiro e, ao responder, expôs a razão de nossa pretensa viagem. Seguiu-se, apenas, uma ordem:
- Voltem pra casa. Hoje ninguém viaja!
E os feriados continuaram por mais alguns dias!
Era 31 de março de 1964. Era a Revolução.
Antônio Aparecido: hoje Pe. Cido Pereira. Grandes recordações.
Fiquei feliz em ler sua preleção sobre o Natal.
Muitas saudades
ET: Eu era um dos poucos “santistas” no seminário, felizardos torcedores do maior time do mundo.
JOSÉ LUI (1949/56)
Perguntaram ao mineiro:
- Diz aí um verbo!
Ele pensou, pensou e respondeu indeciso:
- Bicicreta.
- Não é bicicreta, seu mineiro burro; é bicicleta. E bicicleta não é verbo!
Perguntaram a outro mineiro:
- Diz você aí um verbo!
Ele também pensou, pensou e arriscou ressabiado:
- Prastico.
- Não é prastico, ô mineiro burro, é plástico. E plástico não é verbo!
Perguntaram a um terceiro mineiro:
- Diz aí um verbo!
Esse aí nem pensou:
- Hospedar.
- Muito bem! Até que enfim um mineiro inteligente! Agora, me diz uma frase inteira com esse verbo.
O mineiro encheu o peito de coragem e mandou bala:
- Hospedar da bicicreta são de prastico!
ANTÔNIO EXPEDITO MARCONDES, MONS. – Prezado José Lui, venho agradecer-lhe o Informativo Echus do Ibaté no qual é relatado o último Encontro (6o.) dos ex-alunos do nosso querido Seminário do Ibaté. Vivi momentos de “saudades” e de muitas recordações dos nossos bons tempos, o que despertou muita alegria por ver que a semente lançada está produzindo bons frutos em todos aqueles que continuam a batalha do dia a dia por levar avante a própria vocação. Deus seja louvado! E que Nossa Senhora nos ajude a todos nessa correspondência fiel. Infelizmente, mais uma vez, não pude participar pessoalmente, mas acabo de viver esse último Encontro, recordando através do nosso Informativo tudo o que aconteceu. Muito obrigado pela sua gentileza e prometo rezar sempre por todos.
ADAIR GUARNIERI – 1950-55 – Caro amigo Cosso, depois de um “tenebroso inverno” entro em contato com você. Essa demora não foi por má vontade, e sim por circunstância de saúde, pois fui operado duas vezes da coluna e só agora lentamente estou me recuperando. Por isso não atenho comparecido aos encontros dos nossos inesquecíveis companheiros do Seminário. Contudo, estou sempre “ao par” de todas as notícias da gentil remessa do Echus do Ibaté. Aliás, como sempre, lendo minuciosamente o nosso “jornal” ibateano, fiquei deveras mais emocionado ainda com a ótima crônica do colega Paulo Toschi, de set/out-2003, no. 96 e realmente me tocou o coração, principalmente relembrando os nossos anjos orientadores quando chegávamos ao Seminário: do meu inesquecível e grande amigo Nélson Sampaio, que foi meu “anjo”, guardo grande recordação de seus ensinamentos, pois foram de grande valia para mim: muito obrigado meu “anjo” Nélson Sampaio, e hoje meu grande amigo. Salve Imaculado Coração de Maria! Cosso, estou mandando minha pequena colaboração; gostaria, se pudesse, tirando dessa importância, receber o chaveiro e o CD. Certa vez, mandei a vocês uma foto do time de futebol, tendo como “jogadores” o Segu, D. Oswaldo Giuntini e eu; se fosse possível, gostaria de vê-la estampada no nosso jornal Echus do Ibaté. Ficaria agradecido e contente. Novamente, muito obrigado por estar em contato com vocês; é uma graça de nossa Mãe do Céu, cujo Coração está sempre voltado a nós. Um feliz Natal a todos.
VIRIATO ANTÃO GONÇALVES TRANCOSO – 1960-65 – Aos amigos que organizam e elaboram com tanto amor e dedicação o Echus do Ibaté desejo um Natal cheio de muitas realizações e felicidades.
FABIANO VILLELA DE FIGUEIREDO, PE. – 1957-58 – Querido José Justo, Deus nasce e renasce no coração de quem ama e você vai recebê-Lo com grande alegria no seu coração e na sua vida de apóstolo plenamente dedicado ao Reino de Jesus Cristo. Feliz ano novo de 2004.
LUIZ DA CUNHA FERREIRA DE MIRANDA – 1958-59 – Aos caros colegas do Ibaté, envio os sinceros e cordiais votos de Feliz Natal, junto a suas famílias e um ano de 2004 pleno de grandes realizações, com muita saúde, paz e fé, nunca nos esquecendo dos ensinamentos do Seminário e daqueles colegas e superiores que já partiram para a eternidade. Do amigo ”portuga” que não os esquece jamais.
IRMÃO TÚLIA PASCALE (Missionária de Jesus Crucificado) – Aos amigos do Seminário do Ibaté: amigo é aquele que reza pelo outro. A todos os melhores votos de um abençoado Natal. Jesus é a nossa certeza a cada dia de nossa vida. Sejam felizes em 2004.
LAERTE ZACARIAS – 1958-60 – Não sei se por lapso ou por extravio, não recebi o Informativo Echus do Ibaté n.69 de Set/Out.-2003. Faço questão de recebê-lo. Na impossibilidade, por falta desse exemplar, solicito xerox de cujas despesas me responsabilizarei. Um Feliz Natal e Ano Novo a todos os ex-alunos ibateanos.
FERNANDO JOSÉ PENTEADO, D. – 1949-53 – Caro Simões, agradeço-lhe sua amizade. “Hoje nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é Cristo, o Senhor!” Ei-lo criança pequenina, revestida da pobreza humana, possuída de toda riqueza divina. Mistério que a mente não penetra, amor que chega ao infinito, graça que gera vida nova e nova humanidade. Que tudo isto lhe traga muitas esperanças para 2004. Vale muito receber o Echus do Ibaté.
EXPEDIENTE
Equipe responsável: José Lui, Justo, Licheri, Marcio Paçoca, Martucci, Monteiro, Mosca, Paulo Toschi, Santiago, Simões.
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