ECHUS   DO   IBATÉ

INFORMATIVO DOS EX-ALUNOS DO SEMINÁRIO DO IBATÉ - São Roque-SP

no. 76  -   Ano  12  - NOVEMBRO-DEZEMBRO de 2004

EDIÇÃO INTERNET

 

 

 

É   NATAL

 

O tempo de Natal nos aguarda como momento propício para reflexão e renovação de esperanças utópicas.

O Natal é sempre um tempo mágico que nos comove ao ver a criança nos braços da mãe. Mãe e filho sinalizam ao que de mais sagrado o ser humano possui: A VIDA.

A vida humana encontra acolhida no interior da vida da natureza. Neste sentido, aqui no hemisfério sul, somos privilegiados, porque o Natal situa-se no final da primavera, momento em que a vida na natureza encontra seu esplendor nos ninhos dos pássaros e aves, nas flores que recobrem os campos e os jardins.

Este recomeçar da vida encontra sua plenitude e sentido no humano que se sacraliza na manjedoura de Belém. É o Deus que se apresenta ao homem como Caminho, Verdade e Vida, para que ele a tenha em abundância e plena de amor.

Formulamos nossos votos para que, pela criança de Belém, sejamos capazes de nos movimentarmos em favor da vida, hoje tão banalizada pelo consumismo, pelo desemprego, pelas descrenças, pelos salários aviltantes, pela miséria grotesca que construímos e mantemos como frutos do egoísmo.

Como bem disse Fernando Sabino:

De tudo, ficam três coisas:

·         a certeza de que estamos sempre começando …

·         a certeza de que precisamos continuar …

·         a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar …

Portanto, devemos fazer

·         da interrupção, um caminho novo …

·         da queda, um passo de dança …

·         do medo, uma escada …

·         do sonho, uma ponte …

·         da procura … um encontro.

NINGUÉM AMA TANTO COMO AQUELE QUE DESPERTA O OUTRO PARA VIVER.

 

 

ATREVIMENTO DE UM LEIGO

LUIZ FURLANETTO (49/53)

“O tempo já se cumpriu e  o Reino de Deus está próximo; convertam-se e acreditem na boa notícia”

 

Jesus não disse jamais em que consiste esse reino; nunca deu uma definição, somente disse que o reino estava próximo, perto, vizinho. Sua postura, seu comportamento, suas atitudes, suas palavras, seu modo de viver são indícios desse reino.

O Deus que Jesus revela é um Deus vizinho, próximo que cuida da erva do campo (Mt 6,30) e alimenta os pássaros (Mt 10,31), os afazeres domésticos, tais como: a semeadura do campo, a cozedura do pão, o pastoreio, a vinha, tornam-se comparações para ilustrar a vinda do reino. A idéia de Deus vizinho, próximo adquire na palavra de Jesus, uma dimensão que não se vê no Antigo Testamento no qual Deus é soberano pela criação. Não se pode pronunciar o seu nome!

A proposta de Jesus é uma reinterpretação do domínio, da soberania de Deus. A sua vinda, a vizinhança do reino significa a presença de Deus próximo pelo seu amor e no seu amor. Vinda do reino de amor. Essa dimensão é percebida pelo jeito de Jesus falar de Deus, como seu pai: Abba (papai, paizinho, painho) e no modo como se entretem em diálogo com Ele. O conceito de Pai condensa de modo singular, a concepção que Jesus tinha do reino de Deus, não dominação pelo poder, mas soberania de Deus no amor e pelo amor.

Se Jesus ensinou a chamar a Deus de Pai é porque ele anunciava de modo especial a vizinhança, a proximidade de Deus, sob um aspecto em que homem pode se sentir confiante e seguro, Deus é Pai; como pai sabe das necessidades de seu filho.

A filiação divina não é um dom inserido na criação, mas um dom de salvação. Não se trata de uma familiaridade banal, superficial, não se trata de um anúncio (intimista) da paternidade de Deus. Jesus em suas palavras não elimina a distância existente entre o Pai e o homem: “Seja santificado o teu nome. Venha a nós o teu reino. Seja feito a tua vontade”. Essa soberania, essa sublimidade, essa glória de Deus são compreendidas somente se forem aprofundadas dentro de um novo modo de ver a Deus; Deus é vizinho, Deus próximo ao homem, no amor. A soberania divina é a soberania de amar e perdoar. Nisto reconhecemos que ele é Deus e não homem.

A sua bondade não é uma moral elevada ao grau máximo, mas uma bondade criativa que justifica o homem, é amor que se comunica. Quando Deus Pai exerce seu poder surge uma nova criação, tudo se torna novo na grandeza do seu amor.

Reino de Deus! Não podemos planeja-lo, organiza-lo, construí-lo, reconhece-lo. Ele nos vem como dom (Lc 22,29), essa revelação não é um convite à passividade, ao quietismo, apenas mostra que os homens sozinhos não estão capacitados a construí-lo. Nem os conservadores, nem os progressistas, nem os pacifistas, nem os revolucionários.

Esse reino exige que nos convertamos e creiamos. “Se não se converterem e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no reino” (Mt 18,3). Conversão não significa rigor ascético, nem a fé, comporta o sacrifício da inteligência. É esse tipo de conversão que Jesus quer destruir.

A fé significa reconhecer a própria limitação, confessar a impotência humana, reconhecer que o homem não pode justificar-se pelas próprias forças nem motivar sua própria existência e salvação. Como não tem forças para conseguir por si, espera tudo de Deus a quem tudo é possível. Como o filho espera tudo do pai. Quando o homem abre esse espaço para a intervenção de Deus, ele sabe que tudo é possível para quem tem fé. Fé é poder; melhor, é participação na onipotência de Deus.

Crer, ter fé significa deixar que Deus aja. Significa deixar que Deus entre em ação, consentir que Deus seja Deus, reconhecer a soberania de Deus. Neste contexto de fé, o reino de Deus se torna realidade na história. A fé é o lugar em que se atualiza o ser da soberania de Deus. A fé é uma resposta à palavra de Deus que vem e com ele o seu reino na pessoa de Jesus. É uma resposta ao amor de Deus, que está vizinho, próximo. (Mc 12,29-31);

A palavra “PAI NOSSO” se tornou vulgar e se pronuncia em todos os lugares e ocasiões. Tornou-se um clichê de tal modo que não sentimos o quanto de revolucionário nela se encontra.

Em vez de desenvolver a concepção cristã de Deus, no contexto da mensagem do reino anunciado por Jesus, usamos quase que exclusivamente os esquemas aristotélicos-tomistas da filosofia grega: Deus perfeito, imutável, eterno, razão última de toda existência e de todo existente que encontra em Deus a sua unidade, sentido e sustento.

Para Jesus, Deus não é motor imóvel, razão imutável, mas um Deus vivente no amor e pelo amor. É um Deus na história e da história. É um Deus envolto no tempo sem que acrescente, agregue a si mesmo o tempo. É o Senhor do tempo e do futuro.

Esta é a liberdade de Deus que toma a iniciativa, espontaneamente e por si mesmo. Essa liberdade de Deus é a sua transcendência porque atesta sua inconfiabilidade e sua incontrolabilidade.

A liberdade de Deus é liberdade no amor. Amor é liberdade e fidelidade. Significa para nós humildade, aproximação, motivo de confiança, estar de frente para Deus.

A divindade de Deus consiste na soberania do seu amor. Ele pode dar-se sem se consumir, sem se suprimir.

Percebe-se como esta idéia de Deus pode tomar-se revolucionária. Crer que o mundo seja criado por Deus significa crer que não tem em si a razão suficiente do próprio existir e do próprio modo de ser. Devedor em tudo e por tudo no amor de Deus que se doa. O amor não é só o sentido último, mas o fundamento de toda a realidade.

Não se trata de um amor dado de uma só vez, definitivamente, simplesmente. O amor não é, mas se mostra em modo sempre novo, está sempre por vir e se afirma constantemente contra o egoísmo.

O reino de Deus consiste no fato de que agora se afirma soberano no homem e por meio do homem, o amor de Deus que se comunica. O amor se manifesta como sentido do ser. Somente no amor o mundo e o homem encontram a sua realização e o seu complemento.

 

 

AS MUITAS FACES DO PADRE PASCOAL AMATO

LETTERIO SANTORO (55/59)

 

Depois de ler com alegria, na edição nº 73 do informativo ECHUS DO IBATÉ, a gentil apresentação de minha coletânea ARPEJOS DA AURORA, com poemas de companheiros de São Roque, que o boletim já começou a publicar, não sei porque ilações interiores, surpreendi-me com o forte desejo de escrever algo sobre o inolvidável Pe.Pascoal Amato, nosso professor de literatura nos idos de 1958. Porque, de repente, descobri, na lembrança daquele rosto redondo e gordo com óculos de miopia, as muitas faces de alguém que marcou a minha vida.

Conheci por primeiro, na figura do Pe.Pascoal, o Diretor Espiritual que, de forma sistemática, nos chamava todo mês para uma conversa sossegada, a caminhar peripateticamente ou pelo pátio silencioso, ou nos arredores do Seminário, ou ainda sentado em seu escritório diante de uma estante cheia de livros.

Nesses encontros, o Orientador oferecia a mão experiente para o jovem atordoado com as tentações da carne. Em meu conto INICIAÇÃO DE UM MENINO TÍMIDO ele aparece no personagem Pasqualino, cuja severa orientação, junto com o esforço de auto-domínio do adolescente Roberto Miranda, constituíam as duas margens de um rio espraiado em busca de seu curso. Logo após minha saída do colégio, criticava eu, por exemplo, a educação sexual então recebida. Mas, trinta anos depois, na história escrita, reconhecia a importância de suas palavras. Com paciência também, era ele quem nos ouvia em confissão durante a Missa.

A outra face do Pe.Pascoal Amato eu a notei na 5ª série (colegial), quando ele foi nosso Professor de Literatura. Explanava sobre os escritores nacionais, compelindo-nos a memorizar fatos e datas de suas biografias. Ele também, nos obrigava aos exercícios poéticos. Por ocasião da morte do Papa Pio XII, cada aluno teve de apresentar seu soneto. Quem de meus colegas de turma não se lembra disso? O primeiro quarteto de meu poema dizia assim: “Vejo-te ainda, alvíssima figura,/em tumba toda de ouro refolhada;/sorriso divinal em ti fulgura,/reflexo de tua alma imaculada”. Estimulava-nos assim nosso Professor a apreciar a poesia.

Como eu, aliás, descobri com ele a arte de escrever. Pois foi uma palavra sua, atirada ao léu a toda a classe, animando quem quisesse a escrever Diário, que caiu em terra fértil no campo de meu espírito. A partir de então (era o ano de 1958), nunca mais deixei de escrever. Nulla dies sine línea! E, coisa curiosa, cerca de quinze anos depois, ao incentivar eu, como Orientador Educacional da Escola SENAC, a aluna de ginásio Cecília Cavalheiro a escrever, porque tinha vocação literária, apelidou-me de Pasqualino: porque acontecera com ela o que havia acontecido comigo.

No ano da graça de 1959, se me não falha a memória, o Pe.Pascoal Amato participou de uma excursão a cidades da Europa, de onde trouxe observações interessantes no seu...Diário. Sim, foi então que constatei, em nosso Professor de Literatura, mais uma escondida face: era um exímio Diarista. Lembro-me de uma Sessão havida no Salão Nobre, presentes os corpos discente e docente, em que o Pe.Pascoal comentou para nós, boquiabertos, algumas páginas de seu Diário de Viagem. Assim, pois, propunha ele aos seus alunos, em sala de aula, o que ele mesmo, na quietude de seus aposentos, já fazia: escrever. E não fui apenas eu que acolhi a sua palavra, pois o companheiro Décio Pereira, como se ficou sabendo depois de sua morte, registrou muitas coisas em seu cadernos de Diário. O que me deixa triste é não poder folhear as páginas preciosas dos escritos desses dois coevos – Pe.Pascoal e de Dom Décio. Será que só o olvido e as traças terão tido o privilégio de usufruir delas?

Gostei da inspiração que o ECHUS DO IBATÉ nº 73 me deu de escrever sobre as muitas faces do Pe.Pascoal Amato. Esta crônica se torna uma singela homenagem a um homem que marcou a minha vida no tempo da adolescência, no colégio do Ibaté. Tinha uma dívida a lhe pagar: uma dívida de gratidão. Ainda bem que o faço agora, na velhice. Antes tarde do que nunca! Raras vezes me deparei depois com o Pe.Pascoal em vida, mas sua influência, como se pode ver, ainda ecoa em mim.

 

 

Pe. SABÉ: 25 ANOS DE SACERDÓCIO

 

O colega ibateano, Wilson de Oliveira Salles (1967-70), conhecido como Padre Sabé, em junho de 2005, estará completando 25 anos de Sacerdócio.  Em breve informaremos a data da celebração e festa.

Desde já fica o convite para celebrarmos juntos com o Sabe as suas bodas.

 

Donivaldo Pedro Martins (1970) – Vulgo “Baixinho”, dia 03 de Novembro passado comemorou juntamente com sua esposa, Sueli, 25 anos de casamento. Ao Baixinho, Sueli e seus filhos, Ricardo e Niara, nossas felicitações.

 

 

VII  ENCONTRO  VEM  AÍ !!!

Prepare seu coração. Muita coisa vai acontecer. A data do nosso encontro lá no Seminário de São Roque, no Ibaté, o sétimo desde 1993, já está marcada. Será no dia

27 de Agosto de 2005.

 

 

 

ARPEJOS DA AURORA

 

Prosseguindo na divulgação dos dotes literários dos integrantes da turma do ibaté, publicamos, desta feita, versos de composição do nosso queridíssimo amigo Joel Hirenaldo Barbieri.

Nascido em Taubaté, em 10 de janeiro de 1938, integra hoje a Academia Taubateana de Letras, onde ocupa a cadeira nº 36, que tem como patrono Aguinaldo Teixeira Pinto.

Seu irmão Alfredo Barbieri, que o precedeu como seminarista, também é integrante da mesma Academia.

Desde cedo, eles se dedicaram às letras, Alfredo, como membro do Grêmio Literário Juvenil em Pirapora e do Grêmio Literário Pio XII em São Roque, e Joel, como participante do mesmo Grêmio Literário Pio XII, de 1951 a 1958, e do Grêmio Literário José de Anchieta, em Aparecida do Norte, de cujo hino oficial é autor da letra.

O progresso literário e acadêmico desses irmãos está na   I COLETÂNEA ACADEMIA TAUBATEANA DE LETRAS, editada em 2004.

Abaixo reproduzimos a poesia BANDEIRA LUSITANA, que Joel compôs em 1958, bem como versos atuais, TROVAS, que foram inseridos na mencionada coletânea.

Em próximo número do ECHUS DO IBATÉ traremos aos amigos leitores a poesia EU TE VI, de Alfredo.

ARPEJOS DA AURORA é uma coletânea organizada pelo nosso colega Letterio Santoro (55/59).


 

 

BANDEIRA LUSITANA

Joel Hirenaldo Barbieri

Augusto genitor da minha terra,

Soberbo Portugal, eu te bendigo.

E pleno do fervor que o peito encerra,

Saúdo teu pendão num gesto amigo.

 

A flâmula bendita do teu povo,

Emblema de amizade e de carinho,

Primeira drapejou no solo novo

Do pujante Brasil, meu pátrio ninho.

 

Ó luso pavilhão, linda Bandeira

Das brisas bafejado eternamente

Tu vives, viverás alvissareira.

 

Amiga, entrelaçada, varonil,

Com a bandeira querida tão bonita

Do meu grande e amadíssimo Brasil.

(in “Arpejos da Aurora” – Letterio Santoro - Pagina 13)

 

TROVAS

Joel Hirenaldo Barbieri

Quando vejo uma criança,

do jardim nas passarelas,

logo me vem à lembrança

o sorrir das almas belas.

 

Uma brisa de saudade

num murmúrio de emoção,

varria da minha idade

as paisagens da ilusão.

 

Como é bela a nossa vida,

Na visão da mocidade.

Borboleta colorida,

Voando para a saudade.

 

Quero fazer dos meus sonhos

um belo jardim de flores,

serão canteiros risonhos,

do buquê dos meus amores.

 

Dos sinos na ingente lida,

Bem diferente é a sorte.

Ora festejam a vida,

ora festejam a morte.

 

Para mim momento lindo,

é aquele quando o sol

vai no céu se despedindo,

no resplendor do arrebol.

 

Quantas vezes eu pegar

desejava a luz do sol...

Sobre mim sem a agarrar,

veio a noite em caracol.

(in “I Coletânea Academia Taubateana de Letras”,

Meireles Editorial, 2004, págs. 118 e 119)


 

 

 

DESABAFO DO ÍNDIO VELHO

JOSÉ ELVERTH FERREIRA-BARDUEGA (53/54)

 

Simões, você não presta!

Eu estava aqui no meu canto, paparicado pelo meu povo, namorando minhas plantas e cevando meu reumatismo, eis que você me aparece e quebrou o meu esquema de índio velho (providencia divina, mandinga braba ou praga de sogra?) Marque as opções - uma errada anula as certas.

Graças a você, o Natal me manda um e-mail, que me desmoronou, pelo carinho que me demonstrou e pela fortaleza com que enfrenta sua debilidade física.

Eu até agüento as bordoadas na minha vida, pois de tanto bater e apanhar (as  vezes fico por  baixo,  as vezes as dores ficam por cima)  estou ficando imunizado, de couro grosso.

Mas quando uma bala perdida acha um meu querido, eu fico puto! (explique aos seus familiares, para não se escandalizarem que puto em latim quer dizer eu penso). Fico puto mesmo e xingo merda, 147 vezes merda! (explique novamente aos seus, que merda é um eufemismo caipira para nominar "resíduos alimentares descartados” e  que aqui serve como mantra para acalmar a alma e para dar esperança a quem sofre de prisão de ventre, os tais enfezados).

Telefonei para o Luis Pedro e botamos para fora um quilo de lembranças, aventuras e peripécias. As toneladas ficam para depois.

Retornando à vaca fria, Simões, você não presta, pois bagunçou todo meu coreto, ressuscitando emoções antigas, cavando saudades mitigadas e redobrando a gratidão, devida a tantos.

Simões, você não presta, pois se instalou, posseiro no meu afeto e eu, de bobo, lhe entreguei  o latifúndio de meu coração velho e cheio de cupim.

Que os anjos ajudem esta invasão para maior e melhor.

Desculpe-me as besteiras pois  o meu anjo da guarda, hoje, está meio viagrado.

Abraços a todos os seus que já sinto como meus.

Do índio velho, Elverth.

 

NEM SEMPRE O CAMINHO É O MESMO

 

SÍLVIO MARTINS FILHO-MINEIRINHO (62/65)

 

Tempos foram, saudosos e nunca melancólicos, apesar da falta de energia elétrica, sobrava disposição nos braços fortes da família que ali vivia sob a égide dos anos 50, no interior do Sul de Minas. A roça era razoavelmente extensa , na qual se plantava um pouco de: arroz, feijão, milho, mandioca, alfafa e tantas outras culturas leguminosas e com diversos tipos de hortaliças. E, desse labor o nosso sustento era garantido, como também, a venda do excedente nas cidades dos arredores, nos beneficiando com o dinheiro na compra de artigos para o dia-a-dia da nossa casa, gerando-nos algum conforto.

Na época da colheita de um determinado produto, dentro de seu prazo, a mesma era efetuada em sistema de mutirão, reunindo toda a família e roceiros vizinhos, usando um carro de boi e algumas carroças.

Uma dessas carroças era puxada pelo burro, o qual apelidamos carinhosamente de ZECÃO, em homenagem a um antigo empregado, muito vigoroso, mas meio teimoso, que meu avô havia adotado, o qual infelizmente havia sumido, sem deixar notícias e, nunca descobrimos o seu paradeiro.

Após lotar a carroça,  puxada pelo Zecão e conduzida por um primo, sua missão principal era levar os grãos e/ou espigas, através de uma estradinha estreita, com extensão de mais ou menos 2.500 metros, até o paiol da fazenda, onde eram selecionados, armazenados e colocados em silos destinados para cada espécie de grão.

Essa rotina o animal conhecia há mais de oito anos. O trajeto era uma constante da sua vida no campo.

O modernismo chegou à região, principalmente, com a implantação da Rede Sul Mineira de Aviação: estrada de ferro, bem como de um projeto para a construção de um leito carroçável de terra batida, destinado a veículos locomovidos a motor, para o escoamento da pecuária e da safra, cuja delimitação atingiu a dita “estradinha” percorrido pelo Zecão há quase uma década.

Apesar dos argumentos de meu avô, no sentido de que desviassem o curso do projeto, salvando o caminho do burro, pois o bem conhecia, infelizmente, foram em vão, uma vez que o custo e cronograma da obra tenderiam a duplicar, isto é: tempo e dinheiro.

Caminhões e máquinas trabalharam dias após dias e, no nosso caso, com a verba da desapropriação do trecho destinado ao governo estadual, elaboramos um caminho alternativo da lavoura para a sede com 1.000 metros a mais que a anterior.

Para concluir: quem falou que o Zecão levaria, a partir do momento da inauguração da nova estradinha, a carroça para o paiol?

Tivemos que sacrificar o animal, ou seja, virou brinquedo das crianças, passeando ao redor do paiol.

Este foi um fato verdadeiro, no entanto existem milhares de pessoas que agem de maneira pior que o coitado do ZECÃO.

 

 

RELEMBRANDO

 

AQUELE MISTÉRIO DE AMOR ...
Transcrito do Arquivo do Grêmio Literário Pio XII

Roni Yoan (Neolir Antônio Montini – 1963/66)

O calor da lareira envolvia-me. As horas de estudo daquela manhã terminaram.

Através dos vidros plenos de gelo, admirávamos os montes que limitavam a pequena vila em que morávamos. De repente, divisei na estrada, caminhando lentamente e arrastando os passos como se tivesse medo de cair, o pobre Joãozinho.

Todo dia, fazia aquela caminhada descendo da cidadezinha próxima até onde morávamos para ajuntar algum alimento para seu sustento. Bateu a nossa porta. Pensei então que como de costume, minha mãe na cozinha, tirando um pão da mesa posta para o almoço, e por naquelas mãozinhas nuas e geladas do pobre garoto. Mas desta vez minha mãe, fazendo um gesto de carinho, convidou-o para sentar-se à mesa conosco.

Servimo-lo com toda atenção e carinho. Após a refeição, pedimos que viesse sempre a nossa casa, onde mamãe e eu o serviríamos. Ele repetia com lágrimas nos olhos palavras de agradecimento.

Ao despedir-se, como que possesso de uma sabedoria imensa, desejou com grande alegria que eu percorressse firme escadinha da santidade, sabendo já que eu tinha tomado a Deus como meu ideal. Foram palavras de um sentido profundo para mim, tal que daquela tarde não só passei horas estudando coisas que para meus pais eram ainda incríveis, mas nas horas de divertimento deixei de lado o rádio, a televisão, revistas, etc, para aprofundar-me mais e mais no mistério de Cristo. À noite, adormeci com uma nova alegria, sentia que Jesus estava mais próximo de mim e que ajudar-me-ia subir a escadinha da santidade.

Hoje, passados tantos anos, ainda me lembro daquela tarde em que recebemos a visita de uma pobre e humilde criança; percebi que Jesus queria que eu fosse mais um de seus continuadores que pregam pelo mundo inteiro a sua doutrina.

 

 

CASO EDIFICANTE

 

PRECONCEITO RELIGIOSO

O cara no metrô, lendo seu jornal, estava com sua camisa manchada de baton vermelho, nó da gravata desapertado e uma garrafa de gin no bolso do paletó.

A um padre que se aproximou ele perguntou:

-          Padre, o que causa artrite?

-          Vida desregrada, mulheres da vida, muito álcool e pouca fé! respondeu-lhe o Padre.

-          Puxa vida! Estou decepcionado!

O Padre, arrependido de ter sido tão duro com ele, pediu desculpas e perguntou:

-          Filho, a quanto tempo você tem artrite?

-          Eu não tenho, padre. Estou lendo aqui no jornal que o Papa tem!

 

 

JANTAR NA PRIMEIRA SEXTA-FEIRA

 

Voltamos a convidar todos os nossos colegas a participarem do jantar que realizamos toda primeira sexta-feira do mês, atualmente sendo realizado no Restaurante e Chácara Souza, Rua Arthur Guimarães, 205, Bairro de Santana, zona Norte de São Paulo.

No dia 01.10.2004, tivemos a grata satisfação de receber pela primeira vez os colegas:

·         JAIR FRANCISCO DOS SANTOS (1970/73) e

·         ANTÔNIO DE LIMA (1950/54).

Recebemos também as visitas ilustres de:

·         SÉRGIO ALEXANDRE FIORAVANTI (1949/53) e

·         LUIZ FURLANETTO (1949/53), ambos da cidade de Itu-SP e

·         JOSÉ COELHO DE MELLO FILHO (1953/57) diretamente de Jacareí-SP

No dia 05.11.2005, ibateanos compareceram. Além dos companheiros de sempre, marcaram sua presença:

·         LUIZ JOÃO CORRAR (1959/60)

·         LUIZ GONZAGA CRUZ (1957/58)

·         PAULO RABELO CORREA (1957/58)

·         EUDEMAR ANTÔNIO DE OLIVEIRA MEIRA (1955 – from Praia Grande-SP)

·         JOAQUIM BARBOSA DE OLIVEIRA (1949/55)

·         LAERTE VIEIRA DA CUNHA, Côn. (1949/-52)

·         WALTER BARELLI (1951/56)

Ibateano, seja você o próximo a participar!

 

 

BARELLI DÁ INÍCIO AO SEU MANDATO NA CÂMARA FEDERAL

 

Nosso amigo do Ibaté, Walter Barelli, a partir de janeiro de 2005, iniciará seu trabalho na Câmara Federal como deputado pelo PSDB de São Paulo.

Sua luta por uma sociedade democrática e justa  -  calcada principalmente por emprego e renda  -  aliada a seu comportamento sempre coerente, é uma esperança para todos nós.

Ao deputado Barelli, nossos votos de profícuo trabalho.

 

 

COLEGAS LOCALIZADOS – SEJAM BENVINDOS!!!

 

O Antonio da Aparecida Simões Cuccio (67/68) informa que localizou os seguintes colegas:

·         RAIMUNDO ALOÍSIO DE OLIVEIRA SILVA (1955/56) e

·         MANOEL ALFREDO BRANDÃO DE SOUZA (1962/63).

·         NÉLSON JERSEY DE MACEDO (1950/51) in memoriam - falecido em 1979.

 

 

NA CASA DO PAI

Faleceu no dia 31 de outubro de 2004 o ENG.OSCAR SANSONE, pai do nosso colega Pedro Sansone (1951).

E no dia 01 de dezembro de 2004 a SRA.IGNEZ CARDOSO MARTUCCI, mãe do nosso colega José Carlos Martucci (1970/71).

Ao Pedro, ao José Carlos e seus  familiares nossas condolências.

 

 

CORRESPONDÊNCIA E E-MAILS  RECEBIDOS

 

 

JOSÉ ELVERTH FERREIRA - BARDUEGA (53/54) – Simões e cia., fiquei encantado com a labuta e tenacidade com que vocês tentam localizar antigos colegas, por este mundão de meu Deus, coisa de monge e de detetive! E de amizade polivalente!. Comoveu-me, também, o carinho, a bravura, os sacrifícios despendidos na criação e manutenção do palpitante ECHUS DO IBATÉ, verdadeiro elo de comunhão entre todos nós, muitos, companheiros de meio século, com nostalgia. Sempre me recordo daquele tempo, de superiores abnegados (Mons.Luiz, Mons.Kulay), de colegas prestativos (Hamilton Bianchi, Luiz Pedro Araújo, Segu, Natal de Marchi, Sinésio Barbosa, Oswaldo Giuntini, Atílio, Lui, Cláudio Giordano, Paulo Ribeiro, Antonio Gaspar, Darcy Casagrande) e outros tantos e ainda mais outros tantos do Seminário Central do Ipiranga (55/61). Tantos, em boa e santa lembrança, todos figurinhas encantadas, no presépio imenso do meu afeto. Que Deus os abençoe, Simões e abnegados cúmplices, pelo belo trabalho que nos une pela oração, companheirismo e saudades. Meu endereço: Rua 140, 113 Setor Marista, Cep 74170-060 GOIÃNIA-GO, Tel.(062) 241.5610, e-mail: elverth@uol.com.br

 

LUIZ PEDRO ARAÚJO - (49/55) – Meu prezado amigo Simões, não poderia deixar passar em branco suas gentileza e amizade demonstradas de maneira tão inequívoca com o envio das cópias de mensagens oriundas do meu amigo José Elverth Ferreira-Barduega. Como é bom ter um grupo do nosso quilate onde as colinas do Ibaté nos uniu como um berço comum e a amizade sadia se encarregou de nos acompanhar pelo resto de nossos dias. Você, com suas buscas incessantes e com aquele desejo de colaborar com todos, é uma das pedras basilares que sustentam o nosso grupo. Fico orgulhoso de ter um companheiro como você, e muito animado e incentivado com a demonstração de cooperação que você demonstrou para comigo. Muito obrigado. Um grande abraço.

 

D.JOSÉ MARIA PINHEIRO (1951/57) – Queridos manos, estou enviando o comprovante do depósito no Bradesco para ajudar nas despesas do Informativo ECHUS DO IBATÉ. Não recebi os endereços dos colegas. O meu e-mail nitra@ecclesia.org.br. Note que é nitra e não mitra. Parabéns pelo bonito trabalho que vocês fazem. Para nós é gostoso receber o querido ECHUS, mas sabemos quanto suor é derramado para que ele cheque às nossas mãos. Que Deus recompense por tudo aquilo que vocês fazem por todos nós. Estou enviando também o comprovante de depósito do Pe.Geraldo Bernardes (57/58) do Rio de Janeiro. Abraços do mano Zé Pinheiro.

 

GERALDO OLIMPIO DE ABREU (1968) – Caros amigos, informo-lhes que em 04.11.2004 fiz um depósito no Bradesco referente a minha contribuição ao ECHUS DO IBATÉ. Aproveito a ocasião para agradecer-lhes o envio do Informativo, o qual tenho recebido regularmente e parabenizá-los pelo trabalho que vocês vem realizando.

 

RIVADÁVIA BETIM (1950/53) – Gostaria de parabenizar os senhores pelo belo trabalho que tem sido feito ao longo destes anos; tenho certeza que toda a turma fica envaidecido pelas lembranças destacadas pelos senhores e cada dia mais contagiada pelo trabalho incansável que é feito dia a dia. Um grande abraço e que Deus os proteja para sempre.

 

GERALDO JOSÉ MELO FERNANDES (1960/61) – Prezadíssimo Antonio Carlos, tudo em ordem e correndo nos trilhos, porém sem aquela tecnologia que gostaria que fosse. Agradeço o contato e desejo encontra-lo com muita saúde e disposição. Recebi a fita BALAS ENCRAVADAS e ao assisti-la, valeu a recordação daquela saudosa década, não pelo enredo do filme, mas sim pela envolvente trilha musical, na voz daquela expressiva e encantadora atriz. Um forte abraço.

 

JOSÉ ANTÔNIO NETO (1959/64) – Dear friends “Ibateani”, desculpe a demora do meu email e correspondência em geral. Muitas coisas têm acontecido comigo, desde que estive aí no Brasil. Tive um susto muito grande, porque a artéria principal do coração estava bloqueada 90%. Quando foram fazer o procedimento cirúrgico disseram que era muito perigoso e então eu fiquei por 4 dias tomando medicinas blood thinners para depois eles fazerem o procedimento cirúrgico. Mas graças a Deus, tudo está bem. Também, finalmente, mudei do Midwest, do estado de Iowa. Agora, estou morando em Charlotte, North Carolina perto do Este. São 6 horas e meia de carro de Washington, D.C..Na realidade, eu já tinha vivido aqui antes de ir para Kansas e depois de um ano em Iowa. Mas gosto muito daqui e se tudo der certo, vou ficar por aqui ou irei para o Brasil. Ainda não posso me aposentar. Aqui você se aposenta aos 65 anos. Você pode se aposentar aos 62 anos, mas só recebe 75% do que normalmente receberia ou do que foi descontado para a sua aposentadoria. De qualquer maneira, irei ao Brasil no verão de 2005, meio de maio, junho, julho e começo de agosto, se não for para sempre. Estou ponderando todas as possibilidades. Depois de viver aqui mais de 35 anos  -vim para cá em 1967- algumas vezes demoro em tomar uma posição imediata. Mas definitivamente, me aposentarei no Brasil. É possível que ainda neste Natal irei ao Brasil. Abraços para todos. Coloque-me nas suas preces e minhas preces para o nosso amigo Isaias para sua rápida recuperação. Meu novo endereço é: 3911-7 Cornerwood Lane, Charlotte, NC 28211 USA. Tel.704-367-0144. email: jneto50@hotmail.com

 

 

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